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Parceria em encontro de Odontologia Hospitalar & Medicina Oral

Aos interessados,

 Estamos desenvolvendo no Hospital dos Servidores - Rio de Janeiro (HSE-RJ), uma atividade que tem a intenção de servir de modelo para outras unidades brasileiras. Trata-se da Odontologia Hospitalar, um campo de atuação ligado a Medicina Oral que tem sido pouco explorado e que, recentemente, foi objeto de ampla divulgação através do projeto de lei do Dentista na UTI.

 Este Hospital Federal é credenciado junto ao Ministério da Educação e Saúde como um centro de Ensino e Pesquisa na área da saúde, contando com serviços médicos reconhecidos nacional e internacionalmente. No HSE, atuamos em interdisciplinaridade com os demais serviços médicos em protocolos clínicos baseados em evidências científicas, e adaptados à realidade individual do nosso e demais serviços.

 Assim, pacientes com cardiopatias, nefropatias, pediátricos, reumatológicos, neurológicos e com outras necessidades, além de pacientes internados em enfermarias ou em unidades intensivas recebem apoio de um Serviço de Odontologia Hospitalar modelo para consultas clínicas ambulatoriais no próprio serviço ou com unidades móveis portáteis que permitem a atuação do CD em outras dependências do Hospital.

 Além disso, estamos em processo de credenciamento para nos tornarmos um Centro de Especialidades Odontológicas, para o atendimento de pacientes especiais e com compromentimento sistêmico, controle das Dores Orofaciais e Disfunções da ATM, Estomatologia e Cirurgia Bucofacial.

 Com o intuito de divulgar esta atividade e propagar a excelência que esta modalidade de atendimento exige estamos organizando uma Jornada de Odontologia Hospitalar no Centro de Estudos do HSE. Para este evento esperamos poder contar com a parceria de empresas, instituições e profissionais de renome para aprimorar conhecimentos e fomentar a busca de soluções para este campo de atuação.

 Desta forma, convidamos aos interessados para nos prestigiar no evento e pedimos o auxílio na divulgação (folhetos, cartazes e contatos via acessoria de imprensa) e/ou disponibilização de recursos para a recepção dos convidados e público geral.

 Para mais informações sobre o planejamento, acesse o link: jornada-hse

 CHEFIA DO SERVIÇO: PAULO GULBERFAIN

 COORDENAÇÃO: PAULO PIMENTEL

 CONTATOS e SUGESTÕES: HSE - 22913131 R: 3618 ; CELULAR: 0xx21 8885-0811

 

Encontro de Odontologia no Hemorio

http://www.hemorio.rj.gov.br/congresso2008/site/programaodontologia.aspx

ENCONTRO HEMORIO DE ODONTOLOGIA 
12 de setembro 
08:00 – 09:00 Recentes avanços na cirurgia bucal de pacientes com coagulopatias hereditárias - Eduardo Rey - Instituto de Investigacione Hematológicas Mariano R. Castex e Faculdade Nacional de Odontologia – Buenos Aires, Argentina

Coordenação: Wellington E. S. Cavalcanti – HEMORIO - RJ
09:00 – 10:15 MESA REDONDA - Procedimentos odontológicos em imunossuprimidos

- Laserterapia em paciente com mucosites - Héliton Spíndola – INCA - RJ
- Preparo odontológico de pacientes para transplante de medula óssea - Lisiane Cristina Bezerra – HEMORIO - RJ
- Odontologia hospitalar - Paulo Sergio S. Santos – Santa Casa - SP

Moderador: Prof. Arley Silva Jr. – Faculdade de Odontologia - UFRJ
 
10:15– 10:30 I N T E R V A L O 
10:30 – 12:00 MESA REDONDA - Tratamento odontológico de pacientes com coagulopatias:

- Protocolo de tratamento dos pacientes anticoagulados - Maria Elvira P. Correia – UNICAMP - SP
- Importância do tratamento periodontal como prevenção de endocardites bacterianas em pacientes anticoagulados - Paulo Moreira - Instituto Nacional de Cardiologia - RJ
- Atendimento odontológico da criança com coagulopatias hereditárias - Elizabeth Camilo – Hospital de Apoio – Brasília
- Cirurgia oral menor em pacientes com coagulopatias hereditárias - Wellington E. Santo Cavalcanti – HEMORIO - RJ

Moderador: Hudmilla Umebara de Souza - HEMORIO - RJ
 
12:00 – 14:00 I N T E R V A L O 
14:00 – 15:00 Ortopedia funcional dos maxilares em pacientes com doença falciforme: Primeiros resultados - Jorge Barbosa Pinto – HEMORIO – RJ

Coordenação: Eduardo Motta Jr. – HEMORIO - RJ
15:00 – 15:45 Novos desafios para o dentista e a odontologia no tratamento das manifestações bucais de doenças sistêmicas - Sandra Torres – UFRJ

Coordenação: Lisiane Cristina Bezerra – HEMORIO - RJ
 
15:45 – 16:00 I N T E R V A L O 
16:00 – 17:00 Perguntas aos especialistas – Coordenação: Wellington E. S. Cavalcanti – HEMORIO - RJ

Participantes:

Eduardo Rey - Buenos Aires, Argentina
Paulo Sergio S. Santos – Santa Casa - SP
Maria Elvira P. Correa - Unicamp, Campinas - SP
Sandra Torres - UFRJ
Jorge Barbosa Pinto – HEMORIO - RJ

O Porquê da Medicina Oral

Para os que me conhecem há pouco tempo, são importantes algumas considerações sobre o que faço e o que penso da medicina oral. Como cheguei nela e para onde gostaria que fosse.

Sempre tive grande interesse nas disciplinas básicas. Apesar de iniciar a faculdade de Odontologia na UFF com apenas 17 anos não tinha muita dificuldade em lidar com os temas relacionados à farmacologia, fisiologia e muito especialmente a patologia.

Foi com grande tristeza que vi o término do vínculo com estas disciplinas logo ao fim do primeiro ano de faculdade e por 3 anos praticamente não freqüentá-las. No período “profissional” a Estomatologia (do Prof. Evandro Feijó), a Patologia Bucal (dos Profs. Marcos Salles Cunha e Irani) e a Cirurgia Oral (Profs. Ribeiro Neto e Nésio) foram disciplinas que passaram sem que houvesse grande aprofundamento nos conceitos básicos que a fundamentavam. Não é uma crítica aos Mestres, mas sabemos como é corrida a grade curricular.

Durante este período o que mais me atraiu foi o estudo da dor. Nesta área de conhecimento (ou desconhecimento) eu sentia o estímulo da busca. Não tivemos praticamente nenhuma formação e tudo que eu achava era novidade.

Logo após o término da faculdade ingressei na Policlínica Geral do Rio de Janeiro para minha primeira pós-graduação em Oclusão. Este era (e erradamente ainda é) o termo que abrangia a área de conhecimento na Odontologia onde o foco era a dor.

Para justificar isto aos que não sabem da história, resumo que Costen descreveu a síndrome que levou seu nome lá pelos anos 40 do século passado. Nesta, havia presença de dor e vários sintomas otológicos associada à perda de dimensão vertical em pacientes que tinham próteses gastas ou não as utilizavam. Foi a primeira grande descrição da artromialgia da ATM e obteve muito sucesso. Até hoje vários livros-texto da Medicina ainda usam esta denominação. Daí a prótese e a oclusão se tornaram as grandes organizadoras da linha de frente na luta contra a dor orofacial. Se por um lado isto trouxe grande reconhecimento aos Dentistas que se valorizaram por conseguir controlar este sofrido sintoma, por outro colocou na mão dos reabilitadores orais uma responsabilidade para a qual estes não foram inteiramente preparados. Nos anos 70 a era reabilitadora atingiu seu nadir com o Prof. Peter Dawson e suas teorias de reabilitação profilática. A mudança neste paradigma só foi colocada na ordem do dia com os novos rumos da Associação Americana de Dor Orofacial e seus mentores Welden Bell seguido de J. Okeson. Hoje a oclusão, assim como a disfunção têmporomandibular, não é mais a tônica da dor orofacial. São conhecimentos com imensa relação com a ela, mas agora podem ser encaradas dentro de sua verdadeira relação. Atualmente, além delas são valorizadas a disfunção neural que ocorre nas dores crônicas, a influência dos fatores inibitórios periféricos e centrais, a regulação do sistema psicológico sobre o limiar de dor, a participação de fármacos na regulação bioquímica e finalmente a capacidade de se estabelecer um diagnóstico diferencial.

Voltando ao assunto de minha primeira pós na Oclusão da PGRJ, sempre fui meio rebelde (peço desculpas para com meus sofridos e estudiosos professores) por não me conformar com as explicações dadas. Eu queria, e ainda quero, que os sintomas cessem e por isso não sossegava enquanto o meu paciente não me comunicava a redução dos sintomas até seu completo desaparecimento.

Eu fazia meus front-plateaus, ajustes oclusais, montagens complexas em articuladores semi e totalmente ajustáveis, avaliações minunciosas das dimensões verticais e prematuridades oclusais na tentativa de entender e resolver as dores. Apesar de tentar ser extremamente otimista, motivador, quase um animador de auditório para os pacientes, este efeito placebo positivo tinha limites e a continuidade das queixas não me deixavam satisfeito.

Os ventos começaram a mudar com a chegada dos Neurologistas mais proximamente ao nosso convívio (e sou grato ao Prof. Marco Aurélio Bruno por esta oportunidade) na PGRJ. Com eles, e as novas diretrizes da AAOP, foi ficando mais claro o panorama. Agora as cefaléias se tornaram diagnósticos possíveis e mais definidos. A neuroanatomia e a farmacologia básica estavam suportando possibilidades fisiopatológicas que não conhecia e, ao final dos anos 90, tive a notícia de que um Dentista, o Prof. Barry Sessle havia se tornado o Presidente da Associação Mundial para o Estudo da Dor.

Este foi o gatilho para que eu recuperasse minha antiga e quase perdida paixão para com o estudo das disciplinas básicas. Agora não me sentia mais “um rebelde querendo descobrir o sexo dos anjos”, mas estava amparado no novo modelo “baseado em evidências” para comprovar a eficácia de minhas capacidades técnicas no controle da dor.

A primeira busca foi feita em uma pós em Endodontia. O diagnóstico diferencial das odontalgias foi se tornando mais claro e preciso. Depois vieram a Psicologia Médica e Psicossomática, o convívio com os Neurologistas em uma clínica de Cefaléia e a Estomatologia. Nesta última me deparei pela primeira vez com um difícil diagnóstico de dor periauricular por um câncer de hipofaringe. Este caso me fez repensar sobre vários dos casos que já tinham passado por mim e não foram fechados. Achei-me um inútil! Só pude provar para mim mesmo que não o era me dedicando ao ensino e divulgação aos colegas, que se interessam pelo mesmo assunto que o meu, sobre a importância do diagnóstico diferencial para a dor orofacial.

Contei com o apoio do Professor Fernando Botelho para fazer um projeto piloto no Serviço de Cabeça e Pescoço do Instituto Nacional do Câncer para estudar os sintomas iniciais dos pacientes com carcinomas. Este trabalho foi publicado e apresentado no Congresso Mundial de Dor da IASP em San Diego – EUA.

Neste momento me matriculei no Mestrado de Patologia Bucal da UFF com a proposta do estudo da Dor Orofacial e sua vertente “Diagnóstico Diferencial das Patologias Bucofaciais”. Agradeço a Professora Eliane Pedra, coordenadora da Pós em Patologia, por ter entendido e me apoiado. Voltei então ao Inca para a pesquisa de dissertação que apresentaria no mestrado “Relação entre Invasão Perineural e Dor nos pacientes com câncer da cabeça e pescoço” (link apresentacao-final-tese) . Defendi a dissertação com os Mestres e Doutores Jano Souza (Neurologista, Presidente da Sociedade Brasileira de Cefaléia), Fernando Dias (Chefe da Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Inca) e Simone Lourenço (Dentista e Professora da Patologia Bucal da UFF).

Depois de 15 anos de formado, atuante 100% em clínica odontológica, consegui retornar ao meio acadêmico, me atualizar em uma disciplina altamente complexa e afastada de minha vivência, e me tornar mestre aliando conhecimentos da clínica com a patologia básica. Para mim foi um marco.

De lá para cá, já se passaram quatro anos e outros momentos importantes vêm se apresentando. Dois deles são bastante representativos e culminaram no que acho hoje sobre a subvalorização que, nós dentistas, temos com a Medicina Oral.

O primeiro foi há quase três anos e já está na hora de ser amplamente divulgado. O caso é muito longo e para ser sucinto só vou aos fatos. Me inscrevi para o concurso da Universidade do Estado do Rio de Janeiro como candidato para o cargo de Professor Assistente da disciplina de Oclusão. Segundo as normas do Edital minha formação era perfeitamente válida. Com surpresa recebi a recusa para minha avaliação, “pois meu título de mestre em Patologia Bucal não era da área de Odontologia conforme a exigência do edital”… Pasmem! Isso é a mais pura verdade. Os desdobramentos disso ficam para outra oportunidade.

O segundo foi ao assistir uma palestra do Professor Osvaldo Nascimento, reconhecido Neurologista, especialista em neuropatias periféricas e dor neuropática. Durante sua brilhante apresentação pude ver o quão ignorante eu era (e ainda sou) nos temas médicos a respeito das neuropatias e conseqüentes dores. Isto apesar de minha dedicação à dissertação, pois o que descrevi também foi um tipo de dor neuropática.

Outro fim não poderia ser possível na medida que ele anunciou a possibilidade de uma Pós em Neurociência para a área de saúde em geral. Daí, cá estou eu partindo em direção a este novo campo, que se abre para que melhor compreendamos os difíceis e intrincados caminhos das dores orofaciais. E, mais amparado do que nunca, me coloquei na frente de batalha para que a Medicina Oral e suas vertentes clínicas e básicas sejam colocadas em seu legítimo grau de importância.

Dor Orofacial na Mídia

Esta semana foi veiculada matéria no Jornal Folha de Niterói sobre a atuação do CD na Dor Orofacial, Patologia Bucal e no controle da Halitose. Ver link. Acho que vale a pena dar uma lida.

Conheci a Bárbara, jornalista do semanário, depois de fazer algumas inserções para divulgar o atendimento que iniciei no Centro da dor e na Clínica Santa Lúcia, em Niterói. É a oportunidade que esperava de tentar viabilizar no âmbito privado todos os ideais que venho tentando implementar também no Hospital dos Servidores do Estado.

A entrevista para o texto possui algumas pequenas falhas que não interferem com a idéia principal que passei para a Bárbara. Tenho que agradecer a ela pela paciência e cooperação pois se numa conversa pessoal já é complicado de se comunicar e se fazer entender, imaginem por telefone. Agradeço também por ela (a Jô e toda equipe do jornal) ter entendido a importância da divulgação deste tema. Eu realmente não forcei a barra para a entrevista. A sua importância surgiu espontâneamente, MESMO. E espero que os leitores do jornal, assim como os daqui do Blog entendam a mensagem.

Alguns trechos foram adaptados dos últimos posts (Dor Orofacial e Halitose) mas outros surgiram no nosso papo telefônico. A íntegra pode ser lida abaixo ou lá no link.

Aproveito para explicar que uma página com arquivos para Download foi criada. Nela estão a aula do ODONTORIO sobre alguns protocolos de Medicina Oral (baseada no Sonis - Secrets of Oral Medicine) (em ppt), mesclada com o artigo do Questionário de Saúde dos países europeus (em pdf). Nesta página poderão ser colocados outros artigos meus ou dos leitores aqui do Blog que sejam pertinentes ao tema Medicina Oral e se interessem na divulgação.

Termino este post adiantando que estão sendo criadas as condições para que a Residência em Odontologia Clínica seja criada. Será escrito um post específico para este tema, mas já vou esclarecendo que consegui votar 3 vezes na enquete aqui do site e em todas escolhi a opção “ainda não foi bem debatida”.

MATÉRIA (PARTE INICIAL DE DOR OROFACIAL E PATOLOGIA BUCAL)

Dor: é preciso estar atento aos sinais

Quando abrir a boca, bocejar ou mastigar passa a ser algo doloroso é hora de prestar atenção nos sinais que o corpo emite e procurar tratamento adequado. Dores agudas ou crônicas na boca e na face podem ser indicativos de doenças nas articulações, dentes, gengivas, faringe, músculos, vasos ou nervos. As chamadas dores orofaciais às vezes se espalham pelo pescoço, cabeça e ouvidos e podem ocorrer por seqüela de traumas ou ser o primeiro sintoma de um câncer.

“O dentista precisa ser especializado na área, também possuir amplo conhecimento para fazer um diagnóstico preciso e indicar o devido tratamento”, diz o especialista em Dor Orofacial, Disfunções da ATM e Endodontia, também doutor em Patologia e doutorando em Neurociências pela UFF Paulo A. Pimentel Jr. Segundo ele, o ideal seria que existisse uma residência médica, já que o número de horas de uma especialização corresponde a 600 e o de uma residência a 3 mil horas. Mas não basta concluir somente a especialização, nesse campo de estudo, é preciso que a pesquisa seja uma constante na vida do profissional.

Além da dor orofacial, a disfunção da ATM, ou seja, da articulação têmporo-mandibular, também provoca dores, mais sensação de pressão, aperto, estalos, crepitações, latejamento e pontadas ao abrir a boca, mastigar ou bocejar. Tais dores podem ser causadas pelo bruxismo (apertar ou ranger de dentes) noturno ou diurno e geralmente é acompanhada de dores no pescoço e zumbidos.

Fumo e bebida favorecem o câncer

Uma questão que chama atenção é o fato do difícil diagnóstico do câncer de boca, já que a manifestação se assemelha a outras enfermidades, confundindo o diagnóstico. “Normalmente o câncer é indicado por sinais como úlcera, manchas vermelhas ou brancas e dor. Os mais comuns são os da base da língua e da garganta, eles provocam dor em volta do ouvido, mas é preciso descobrir a origem dela por meio de exames”, explica Pimentel. Geralmente o câncer em estágio inicial não provoca dor. Porém, alguns pacientes mais sensíveis podem apresentar o sintoma e, logo tratados, obtêm resultados satisfatórios. De acordo com o mestre em Patologia Bucal, pessoas acima dos 50 anos de idade, que fumam ou bebem, têm mais chance de desenvolver a doença.

De uma forma geral, Paulo Pimentel diz que a dor, seja ela qual for, é uma epidemia, porque atinge grande parcela da população. Devido a essa incidência, as pessoas tendem a não procurar um profissional e passam a aceitá-la passivamente. “O que normalmente era para ser um indicativo se torna doença. A dor fisiológica protege o organismo, indica a causa de uma infecção ou inflamação. Já a nociva não, ela se estabelece em um órgão de resistência diminuída e persiste”, esclarece Pimentel. A dor epidêmica pode ser atribuída ao estresse, diminui a capacidade do indivíduo de filtrá-la, tornando o corpo mais suscetível a ela. Essa dor interfere no padrão neurológico devido a um desequilíbrio, quase sempre ligado a questões psicológicas, o que prejudica o funcionamento do nervo ou do sistema que inibe o nervo. Sendo assim, a pessoa fica impregnada de informação errada no sistema nervoso e sente dor sem um motivo físico real.

Todo tratamento depende de um correto diagnóstico e é direcionado à causa. A maioria dos casos é tratada com medicamentos, exercícios, fisioterapia, confecção de aparelhos oclusais intraorais e correção do posicionamento dentário e mandibular. Casos mais complexos exigem a avaliação conjunta com outras especialidades como Ortopedia, Neurologia, Otorrinolaringologia e Fisioterapia. Pacientes com problemas de saúde ou que estejam em condições especiais (gestantes, crianças, idosos, pacientes com fobias de consultório, entre outros) exigem um tratamento odontológico diferenciado.

Dor Orofacial, Disfunções da ATM e Patologia Bucal

O QUE SÃO DORES OROFACIAIS ?

    São dores agudas ou crônicas localizadas na boca e face e que às vezes se espalham por pescoço, cabeça e ouvidos. As causas podem ser doenças em: articulações (ATM), dentes, gengivas, faringe, músculos, vasos e nervos. Podem ocorrer por seqüela de traumas ou ser o primeiro sintoma de um Câncer.

O QUE É A DISFUNÇÃO DA ATM?

    São sensações que ocorrem ao abrir a boca, mastigar e bocejar. Manifestam-se como dores na face, cabeça, ouvido, sensação de pressão, aperto, estalos, crepitações, latejamento e pontadas. Podem ser causadas pelo bruxismo (ranger de dentes) noturno ou diurno e geralmente é acompanhada de dores no pescoço e zumbidos.

O QUE FAZER SE TIVER ESTES SINTOMAS?

   

Procure um dentista Especialista em Dor Orofacial. Esta especialidade, reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia é a recomendada para o primeiro atendimento em dores de origem obscura ou de difícil avaliação.
    O tratamento depende de um correto diagnóstico e é direcionado à causa. A maioria dos casos é tratada com medicamentos, exercícios, fisioterapia, confecção de aparelhos oclusais intraorais e correção do posicionamento dentário e mandibular.

 

    Casos mais complexos exigem a avaliação conjunta com outras especialidades como Ortopedia, Neurologia, Otorrinolaringologia e Fisioterapia.

E NAS DOENÇAS DA BOCA ?

    Doenças bucais que se manifestam como dor, feridas, nódulos, úlceras, bolhas, manchas brancas, vermelhas, tumefações na face e gânglios infartados são avaliados pelos Dentistas que estudam as Patologias Bucais. Uma consulta a este profissional deve ser realizada para, entre outras, observar a presença de lesões pré-malignas e malignas (Câncer). Neste caso o diagnóstico precoce pode limitar o dano ou mesmo salvar a vida.

Paulo A. Pimentel Jr.
Especialista em Dor Orofacial, Disfunções da ATM
Mestre em Patologia Bucal

Agora também no Centro da dor em Niterói

 

Desabafo de uma Dentista muito Especial

 Recebi o interessante texto abaixo de uma acadêmica de Odontologia que  não quer deixar de lutar pelos seus sonhos. Por enquanto ela prefere que fique anônimo.

“Caro Paulo Pimentel,

Peço licença pra contar um pouco mais de minhas dúvidas e anseios.
Estou terminando agora em junho minha faculdade de odontologia e tenho 22 anos. Desde pequena sempre quis ser dentista sem um motivo aparente… fiz vestibular e passei.
No início da faculdade nunca me interessei pelas disciplinas convencionais, li em algum site na internet que existia uma tal de odontologia sistêmica e coloquei na cabeça que era isso que eu queria….
Depois fiz uma optativa de medicina legal, e queria ser Odontolegista…
Por fim, nesse período, tive uma aula com um dentista especialista em Odontologia Oncológica do INCA e pensei: “É isso que eu quero!”
Nunca me fascinei pelas disciplinas mais técnicas (ao meu ver)… talvez eu não tenha muita habilidade manual, talvez eu queira mais do que abrir e fechar buracos…talvez eu queira cuidar de pessoas e não de dentes… Não pense que sou uma frustrada que gostaria de ser médica, não sou não, nunca pensei nisso… queria mesmo ser dentista… mas não sabia que, para a maioria, ser dentista era apenas olhar os dentes!!
Durante muitos momentos pensei em desistir… pensei que não “dava pra coisa” e agora que o fim da faculdade se aproxima, minhas dúvidas e minhas incertezas aumentam cada vez mais!!
Ultimamente tenho pensado muito em levar minha iniciante carreira para um lado mais abrangente do que preparos e provisórios.. Já fiz inclusive atualização em dentística… sei da importância de saber fazer bem esse tipo de coisa… ainda mais no início… estava pensando até em fazer um curso de endodontia… mas, definitivamente, não é fechada num consultório que eu quero ficar…
Gosto de cirurgia, mas sei lá, acho que não faria Buco maxilo… por todos os preconceitos que envolve e toda a dedicação que demanda… (pretendo casar, ter filhos…) fiz um ano de estágio no Salgado Filho, e fiquei completamente apaixonada pela atmosfera do hospital…
Pensei muito em fazer Odontologia para pacientes especiais… gosto inclusive de atender crianças, e os pacientes com limitações motoras e mentais me fascinam… parece que ouvi um chamado sabe…. como as freiras dizem… acho que tenho que cuidar desse tipo de pessoa…
A área de oncologia me agrada bastante…. assim como a estomatologia em geral…
Há alguns meses comprei o Silverman de Medicina Oral… durante toda a faculdade meu sonho sempre foi comprar esse livro… mas sempre tinha que comprar outros mais urgentes para estudar, por exigência da faculdade…
Peço desculpas por todo esse desabafo… mas quando vi no seu blog que existia um curso que envolve tudo que eu amo na odontologia… fiquei muito animada com a possibilidade de realizar meu sonho…
Meus amigos me acham meio doida por isso, meus professores me vêem com aquela cara de “Coitada vai morrer de fome!” e meus familiares me olham como quem diz “Mas se ela não quer cuidar de dente gastei dinheiro a toa”… Mas, sinceramente, acho que temos que fazer o que nos faz feliz e eu realmente só me vejo feliz no futuro se eu estiver dentro de um hospital, cuidando dos pacientes internados, de patologias orais e de pacientes que necessitam de atenção especial….

Mais uma vez peço desculpas por te alugar… agradeço se você chegou até aqui lendo tudo isso que eu tento explicar para as pessoas, mas elas parecem não querer entender, (exceto meu noivo que foi o único até hoje que me deu força… talvez por ser enfermeiro!)

Queria que você me informasse sobre o curso e se vai abrir uma nova turma quando terminar essa… é minha última esperança de ser feliz!! Espero que possa me ajudar!!!
Não pense que eu sou uma louca carente e descontrolada, só estou um tanto quanto apavorada com o final da faculdade!

Bom, isso é tudo!”

Prova para Dentista dos Bombeiros-RJ

    Nesta bela manhã de domingo aproximadamente 4 mil Dentistas do Rio de Janeiro estiveram nas dependências da UNISUAM, em Bonsucesso, para realizarem as provas para ingresso na Corporação dos Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro. A prova correu de forma tranquila e sem maiores problemas. Sobre o conteúdo chamou a atenção a grande quantidade de perguntas relacionadas ao tema Medicina Oral.

    Algumas das mais importantes foram:

    Achados clínicos e odontológicos no Hipotireoidismo (ver revisão em http://www.pediatriasaopaulo.usp.br/upload/pdf/677.pdf) como pele fria, seca, macroglossia, erupção dentária retardada e distúrbio do desenvolvimento.

    Dor facial pulsátil associada a cefaléia episódica recorrente responsiva à indometacina. Quadro típico de Hemicrania Paroxística.

    Conduta do CD frente a paciente utilizando terapia anticoagulante para histórico de tromboflebite, necessitando exodontia. A avaliação do tempo de pró-trombina indicará o momento propício para realização do procedimento.

    Paciente hipertenso moderado necessitando procedimento cirúrgico quanto à dose total de anestésico local contendo lidocaína a 2% e adrenalina 1:100.000. O limite de 2 tubetes é o indicado.

    Ocorrência de granuloma gravídico em paciente grávida, associada a doença periodontal.

    Freqüência mais comum do ameloblastoma.   

   Conduta frente às pérolas de Epstein, cistos epiteliais localizados na linha média palatina, que desaparecem espontâneamente.

    Manifestação oral da infecção pelo HIV. Dentre inúmeras outras manifestações como candidose, linfomas, sarcomas é observada a leucoplasia pilosa oral.

    Mais detalhes da prova amanhã ao sair publicado o gabarito e questões. Porém, é sempre louvável a presença de questões de Medicina Oral (CTBMF, Atendimento a pacientes especiais, Dor Orofacial, Estomatologia e Patologia Bucal).

Protocolo de atendimento em Odontologia: 1- Oncologia

1) NEOPLASIAS MALIGNAS E CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS EM BOCA, CABEÇA E PESCOÇO

Informações gerais

Diagnóstico inicial (exame completo em cabeça e pescoço)

• Lesões brancas (que não destacam)

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• Lesões vermelhas

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• Queilite actínica

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• Verrucosidades

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• Nódulos

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• Úlceras (que não cicatrizam após 2 semanas)

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E ainda;

• Sintomas Neurológicos de causa obscura
  -  Parestesias, anestesias, dor atípica, disestesias (e.g. ardência oral), paresias e paralisias faciais.
• Dor à deglutição e irradiando para o ouvido (avaliar oro e hipofaringe)
• Perda ponderal recente
• Rouquidão

Conduta: Encaminhamento à Cirurgia Oral, Estomatologia, Patologia Bucal, ORL e Cirurgia de Cabeça e Pescoço
para investigação física e complementar (Imagens, PSA, Realização de biópsia, Punção Aspirativa por Agulha Fina, Citologia Exfoliativa e outros)

2) COMPLICAÇÕES BUCAIS DA RADIOTERAPIA (RT)

• Mucosite (risco secundário de candidose)

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• Xerostomia
• Perda do paladar
• Cárie de radiação

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• Osteorradionecrose

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Fatores que aumentam o rico de osteorradionecrose

• Localização: tumores associados com a mandíbula
• Dose de radiação superior a 5.000 cGy
• Paciente com dentes, periodonto e higiene bucal deficientes
• Fontes de radiação – maior com implantes do que com a fonte externa
• Próteses mal-adaptadas ou lesões por instalação de novas próteses

Risco de desenvolvimento de Osteorradionecrose em relação apenas à época das extrações

• Risco maior – extrações (no feixe irradiado) durante a RT
• Risco elevado – extrações imediatamente antes da RT
• Risco menor – 12 meses, ou mais, depois da RT ou pelo menos 2 semanas antes da RT

Risco de desenvolvimento de Osteorradionecrose quanto ao local irradiado

• Risco maior – RT na região bucofacial
• Risco moderado – RT na região adjacente (pescoço)
• Risco menor – RT em tronco e membros

3) TRATAMENTO DENTÁRIO DOS PACIENTES SUBMETIDOS À RT

a) Avaliação antes do tratamento (todos os pacientes)

• Exame clínico odontológico completo
• Teste de fluxo salivar
• Radiografias: bitewings, radiodôntica e panorâmica

b) Esquema de prevenção (todos os pacientes)

• Profilaxia, raspagem e polimento radicular.
• Instruções de higiene bucal
• Dieta pobre de sacarose
• Prescrever bochechos de fluoreto acidulado (solução neutra, em caso de irritação da mucosa).
• Confeccionar moldeiras individuais para o tratamento caseiro com fluoreto
   - Prescrever gel de fluoreto acidulado para uso diário nas moleiras ou gel neutro, em caso de irritação da mucosa (escovação com gel de fluoreto estanhoso a 0,4% é uma alternativa, se a moldeira individual não for tolerada).

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• Eliminar as cáries ativas
• Reparar ou eliminar todas as fontes potenciais de irritação e/ou cúspides agudas, cúspides fraturadas, grampos quebrados, prótese mal-adaptada, ou bandas ortodônticas.
• Exame e profilaxia freqüentes (a cada seis a oito semanas) com restauração da cárie incipientes.
• Manter o esquema por pelo menos 12 meses após a RT, ou mais, se a xerostomia continuar.

c) Estratégia das extrações (todos os pacientes)

• Eliminar os dentes infectados seriamente, apresentando periapicopatias, infecção periodontal grave, dentes que não podem ser restaurados e dentes com cáries profundas. Pelo menos 2 semanas antes da radioterapia.
• Conservar os dentes com risco marginal de infecção (i. e. dentes com restaurações profundas, ou doenças periodontal entre leve a moderada); se as extrações forem necessárias, adiá-las o máximo para depois do término da RT.
• Conservar e restaurar o maior número possível de dentes, especialmente no campo da radiação.
• Adiar os tratamentos eletivos com risco associado de resultados iatrogênicos (i.e. preparo de coroas com risco de comprometimento pulpar ou inserção de prótese removível com risco de lesão dos tecidos moles).

d) Esquema contra a xerostomia (todos os pacientes)

• Testes de fluxo salivar periódicos
• Estimulação salivar com pastilhas de limão sem açúcar
• Aplicação de glicerina com limão
• Substituição salivar com saliva artificial ou umidificadores da boca (e.g. oral balance, xero-lube, oralube, salivart).
• Se necessário, 5 mg de HCL pilocarpina.

e) Esquema para a mucosite

• Orabase e benzocaína
• Xilocaína viscosa, suspensão a 2%, Solução de benzocaína (e.g. Hurricaine)
• Analgésicos sistêmicos, se necessário
• Esquema de uso do Laser Terapêutico

f) Esquema antifúngico (se necessário)

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• Suspensão de nistatina (Mycostatin), 100.000 unidades/ml, em frasco de 60 ml (400.000-600.000 unidades); bochechar e deglutir metade por cada lado da boca, quatro vezes ao dia.
• Comprimidos de clotrimazol (10 mg), cinco vezes ao dia.
• Em caso de Candida sob a prótese ou nos ângulos da boca, usar creme nistatina (100.000 unidades/g) em tubos de 15 ou 30g; passar na área afetada três vezes ao dia.
• Para crianças ou aqueles com mucosite simultânea, usar:
Suspensão de nistatina, 1/2-3/4 de colher de sopa para cada bandeja de cubos de gelo, congelar e usar como picolé ou pedras de gelo.

4) PACIENTES FAZENDO USO DE QUIMIOTERÁPICOS

• Avaliação de imunossupreção, mielossupressão, granulocitopenia e trombocitopenia
• Exame clínico odontológico completo
• Teste de fluxo salivar
• Radiografias: bitewings, radiodôntica e panorâmica
• Eliminar os dentes infectados seriamente, apresentando periapicopatias, infecção periodontal grave, dentes que não podem ser restaurados e dentes com cáries profundas.
• Reparar ou eliminar todas as fontes potenciais de irritação e/ou cúspides agudas, cúspides fraturadas, grampos quebrados, prótese mal-adaptada, ou bandas ortodônticas.

CONDUTA DURANTE A QUIMIOTERAPIA (QT)

• Escovação, fio dental, pontas de borracha, quando a leucometria for superior a 1.000
células/mm3 e plaquetas acima de 50.000 células/mm3
• Limpeza dos dentes com gaze 2×2 polegadas umedecida durante os períodos de
mielossupressão acentuada
• Bochecho diário com fluoreto acidulado, durante 1 minuto (ou neutro se houver incômodo)
• Evitar colutórios contendo álcool ou peróxido de hidrogênio não-diluído
• Suspensão de micostantina, 300.000 unidades, quatro vezes ao dia, bochechar e
deglutir
• Remoção das próteses
• Alimentos moles durante os períodos de mielossupressão ou nos períodos de
estomatotoxidade
• Limitar a ingestão de sacarose
• Avaliação bucal periódica

ESQUEMA PARA CONTROLE DE INFECÇÕES

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• Controle de infecções orais (e.g. candidose) e hemorragias gengivais
• Controle de mucosites, especialmente por Metotrexato (se possível uso do LASER terapêutico)
• Raro: controle de dores neuropáticas por toxicidade direta (Vincristina, Vimblastina e Cisplatina)

Esquema de controle clínico e radiográfico para Osteonecrose (ON) em Mandíbula e Maxila de pacientes usando Bifosfonatos (especialmente Ácido Zoledrônico: “Zolmeta”)

• Atenção em pacientes usando Bifosfonatos submetidos a procedimentos traumáticos orais (exodontias, raspagens, instalação de próteses…)
• Avaliar profilaxia antibiótica com Oncologista
• Eliminação de focos infecciosos periodontais e periapicais
• Exames periódicos semestrais (ver imagem clínica abaixo de ON)

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• Radiografias panorâmicas inicial e anuais (ver abaixo imagem de ON em TC)

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Conduta na identificação da ON:

• Contato com Oncologista para descontinuar o uso
• Prescrição de associação antibiótica: 10 dias amoxicilina, clavulanato e metronidazol
• Se possível recomendar: 25 sessões de Terapia por Oxigenio Hiperbárico (TOH) 2,5 ATA, 90 minutos)
• Debridamento e ressecção completa de área necrosada e reconstrução com nova antibioticoterapia e TOH

_Sonis: Medicina Oral
_Neville: Atlas de Patologia Oral
_http://www.inca.gov.br
_http://www.nutechsr.com.br
_Bisphosphonate-associated jawbone osteonecrosis: a correlation between imaging techniques and histopathology (Journal Oral Medicine…, março 2008)