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Qual anestésico local é o mais seguro para Gestantes?

Esta pergunta deve ser feita por todos dentistas que lidam com este tipo de paciente especial, pois além de dar preferência pelo 2º trimestre de gravidez, fazer aconselhamentos sobre prevenção e higienização bucal e realizar breves e inofensivos tratamentos há situações em que cuidados mais avançados são também indicados. E nestas situações há que se pesar o risco benefício e lançar mão de procedimentos complexos que não seriam indicados num primeiro momento como, radiografias, prescrição de drogas e também a anestesia local.

E aí vem a pergunta título deste post. Qual é o bloqueador do estímulo nervoso mais indicado nesta fase? Eu sempre tinha ouvido falar sobre a bupivacaína (não sei onde, porém é constante pergunta de concursos), mas consultando o Sonis novo (Oral Medicine Secrets, Sonis ST et al, Ed. Hanley & Belfus, 2003) me deparei com a Classificação de Risco de Drogas da FDA. Nela as classes A e B são liberadas para prescrição pelo dentista, pois já foram feitos suficientes estudos em animais e seres humanos quanto a teratogenicidade. A classe C pode ser prescrita pelo CD, mas com a anuência do Ginecologista (GO). A classe D só pode ser prescrita por médicos e em condições muito especiais, e a classe X é proibida para gestantes.

Lá a lidocaína é colocada como classe B, assim como a prilocaína. A mepivacaína e a bupivacaína são classe C. O capítulo do livro (escrito por Fazio D.M.D. e Fang M.D., PhD) ainda lista vários outros medicamentos, e libera o uso da adrenalina (valem as mesmas considerações já mencionadas no post dos cardiopatas) com a restrição de uso de apenas 2 tubetes com adr. 1:100.000.

Pesquisando mais, encontrei na internet uma monografia: “Uso de Anestésicos Locais em Gestantes” de autoria de CINTHIA PALMIRA BARBOSA e lá ela cita “…bupivacaína seria o agente anestésico mais seguro para o uso em gestantes. Entretanto, sua longa duração de ação anestésica (6 a 7 horas, em média), limita seu emprego em pacientes grávidas. E também o seu efeito tóxico para o fígado impede seu uso na gestante (ANDRADE, 1998).”

Paiva e Cavalcanti destacam: “No Brasil, dentre os anestésicos de longa duração, somente o cloridrato de bupivacaína está disponível comercialmente. Apresenta potência quatro vezes maior que a lidocaína e uma toxicidade quatro vezes menor.” e mais a frente acrescenta “A bupivacaína apresenta a maior cardiotoxicidade, maior penetrabilidade nas membranas do coração e maior resistência após eventual parada cardíaca.” Sobre os novos compostos comenta “Os agentes anestésicos novos (ropivacaína e levobupivacaína) podem ser considerados mais seguros que a bupivacaína…”

Assim, acredito que o composto Lidocaína 2% + Adrenalina 1:100.000 seja hoje a solução mais segura para a utilização em gestantes. Lembrando da restrição de apenas 2 tubetes por sessão e o cuidado extremo em se evitar a injeção intravascular.

Mas, como vemos sempre nesta questão de protocolos, há controvérsias. E também ocorrem mudanças. Se alguém souber de outras opiniões e proposições que acrecentem a este tema, como já o fez a Dra. Cristiane Pingarilho, aceitamos de bom grado.

Mais informações:

http://www.msd-brazil.com/msd43/m_manual/mm_sec22_247.htm

http://www.fda.gov/womens/healthinformation/pregnancy.html

http://www.abo-go.org.br/robrac/artigos/artigo_0000318.pdf

 

 

Parceria em encontro de Odontologia Hospitalar & Medicina Oral

Aos interessados,

 Estamos desenvolvendo no Hospital dos Servidores - Rio de Janeiro (HSE-RJ), uma atividade que tem a intenção de servir de modelo para outras unidades brasileiras. Trata-se da Odontologia Hospitalar, um campo de atuação ligado a Medicina Oral que tem sido pouco explorado e que, recentemente, foi objeto de ampla divulgação através do projeto de lei do Dentista na UTI.

 Este Hospital Federal é credenciado junto ao Ministério da Educação e Saúde como um centro de Ensino e Pesquisa na área da saúde, contando com serviços médicos reconhecidos nacional e internacionalmente. No HSE, atuamos em interdisciplinaridade com os demais serviços médicos em protocolos clínicos baseados em evidências científicas, e adaptados à realidade individual do nosso e demais serviços.

 Assim, pacientes com cardiopatias, nefropatias, pediátricos, reumatológicos, neurológicos e com outras necessidades, além de pacientes internados em enfermarias ou em unidades intensivas recebem apoio de um Serviço de Odontologia Hospitalar modelo para consultas clínicas ambulatoriais no próprio serviço ou com unidades móveis portáteis que permitem a atuação do CD em outras dependências do Hospital.

 Além disso, estamos em processo de credenciamento para nos tornarmos um Centro de Especialidades Odontológicas, para o atendimento de pacientes especiais e com compromentimento sistêmico, controle das Dores Orofaciais e Disfunções da ATM, Estomatologia e Cirurgia Bucofacial.

 Com o intuito de divulgar esta atividade e propagar a excelência que esta modalidade de atendimento exige estamos organizando uma Jornada de Odontologia Hospitalar no Centro de Estudos do HSE. Para este evento esperamos poder contar com a parceria de empresas, instituições e profissionais de renome para aprimorar conhecimentos e fomentar a busca de soluções para este campo de atuação.

 Desta forma, convidamos aos interessados para nos prestigiar no evento e pedimos o auxílio na divulgação (folhetos, cartazes e contatos via acessoria de imprensa) e/ou disponibilização de recursos para a recepção dos convidados e público geral.

 Para mais informações sobre o planejamento, acesse o link: jornada-hse

 CHEFIA DO SERVIÇO: PAULO GULBERFAIN

 COORDENAÇÃO: PAULO PIMENTEL

 CONTATOS e SUGESTÕES: HSE - 22913131 R: 3618 ; CELULAR: 0xx21 8885-0811

 

Utilização de equipo odontológico portátil

   Realizei uma pesquisa na Internet para me informar melhor sobre as possibilidades em utilização de equipamentos odontológicos fora do consultório dentário tradicional. A primeira dificuldade foi saber como é a denominação para este tipo de equipamento, descobri que os termos “equipo modular” ou “equipo odontológico portátil” são bons para a busca.

   Não conhecia nenhuma fábrica especializada no assunto e tudo que encontrei fui registrando. Ver planilha equipo-portatil. Lá há várias possibilidades de sites, telefones, empresas, cidades brasileiras e modelos de diversos tipos e preços. Aqui no Rio de Janeiro estão a maioria das “indústrias” . As aspas em indústrias é por conta do perfil quase artesanal de alguns dos contatos que estabeleci.

   Vários dos montadores de equipos portáteis são Dentistas ou Técnicos de equipamentos odontológicos que se dispuseram a colocar a cabeça para funcionar e inventar protótipos que favorecem muito o atendimento extra-consultório. Um dos sites é de uma colega de Curitiba que atende domiciliarmente e tem algumas interessantes dicas.

   Dos modelos que encontrei um me chamou mais a atenção. Apesar de ser um modelo mais caro (equipo Modular Portátil da Consuldent) é extremamente bonito e prático. Tive inclusive a oportunidade de testá-lo no HSE e em atendimento em centro cirúrgico para exodontia de terceiros molares inclusos. Você realmente se sente atendendo em um consultório convencional. Há a possibilidade de usar o spray, na alta rotação e na seringa tríplice, pois ele vem com garrafa de água para o acoplamento.

   A conexão do ar comprimido é feita sem nenhuma dificuldade e pode-se usar o manômetro da conexão para regular a saída de ar.

   No centro cirúrgico, enfermarias ou quartos onde haja a saída do ar comprimido, o equipo modular permite a adaptação e o atendimento. Ele também pode ser acoplado na saída do oxigênio (conexão a parte), mas se houver necessidade de uso durante a cirurgia isto será um problema (além disso a conexão é diferente, ou pouco menor). Um balão de ar comprimido ou oxigênio também pode ser usado fora do centro cirúrgico, permitindo o atendimento por um período de tempo menor.

  Apesar da oferta de modelos do mercado de equipamentos portáteis, para uso domiciliar ou em centro cirúrgico, achei que a assistência oferecida pelo pessoal da Consuldent foi muito organizada. Eles têm um site bem explicativo e permitem uma boa interação no acesso telefônico. Nesse mercado é importante a facilidade de contato com os fabricantes para disponibilizar a manutenção (com ou sem garantia) quando necessária.

   É importante lembrar que em uma situação de centro cirúrgico, principalmente com anestesia geral, não há espaço para falhas. As contingências devem ser previstas e, eu recomendo, que se leve um substituto para o equipo portátil. Uma solução bem prática é a utilização da mangueira acoplada na saída do ar conectada ao pedal e outra mangueira saindo deste para a alta rotação ou micromotor. Numa situação de falha do equipo principal, pelo menos há possibilidade de se realizar algo (mesmo que sem o spray e a seringa tríplice).

   Finalizando, acrescento que é necessário conhecer a tabela de conversão de unidades para dar o correto ajuste ao manômetro. Usei a tabela do site http://www.convertworld.com/pt/pressao/kgf-2Fcm%C2%B2.html.

kgf/cm² bar libra/pol quadrada (psi)
     
1,00
0,98 14,22
1,02 1,00 14,50
0,07 0,07 1,00
     
5,62 5,52 80,00
2,11 2,07 30,00
2,46 2,41 35,00

 (*) 80 libras é a pressão de entrada no equipo e 35 e 30 são para a conexão direta para a alta rotação e micromotor respectivamente.

Implicações da Residência em Odontologia

Como foi descrito em post prévio, foi criada (por portaria interministerial) a Residência em Odontologia e outras áreas da saúde. Se tal medida vai ser benéfica ou não ainda é difícil de se prever. O fato é que, pelo menos na Odontologia, não foi bem debatida. Apesar deste processo ser de longa data, ainda não sabemos exatamente quais vão ser as regras para o seu estabelecimento. É dito que será um curso lato sensu (nível de especialização), que terá 2880 horas por ano, com 60 horas semanais, que será majoritariamente aplicada como treinamento em serviço. Mas, em quais especialidades odontológicas ela será ministrada? Será aplicada apenas em hospitais ou também poderá existir em uma faculdade de Odontologia isoladamente? Seguirá regras do CFO para as especialidades odontológicas para que ao final do curso o ex-residente tenha direito de requerer a titulação nesta autarquia? Quantos anos serão necessários para a conclusão? Será semelhante ao modelo do Colégio Brasileiro de Cirurgia Bucofacial?

Na enquete realizada aqui no site temos hoje a maioria votando pela sua aprovação com 82%, mas o que isso representará no modelo que conhecemos de pós-graduação em Odontologia? Eu acredito que já devíamos ter aplicado esta modalidade de formação há muito tempo. Mas, será que este modelo vai substituir a especialização como conhecemos? Talvez não houvesse a farra de cursos de pós-graduações que evidenciamos nos últimos 10 anos. Talvez pudéssemos ter profissionais inseridos no mercado com um maior reconhecimento, especialmente no meio hospitar. A convivência entre os residentes de diversas especialidades é também um fator de intercâmbio muito ativo neste ambiente, e que favorece a interdisciplinaridade.
Como geralmente acontece no Brasil, as regulamentações são baixadas e “vamos ver no que vai dar”. Talvez os Ministérios da Educação e Saúde não estejam muito preocupados com as observações das entidades profissionais. Pode ser que se consiga conciliar a expectativa de todos, mas não seria mais produtivo que tivesse sido definida a situação previamente?
A expectativa que tenho é que consigamos criar a residência no HSE em Odontologia Hospitalar (pacientes especiais, estomatologia e dor orofacial). Entraremos com o devido programa e eu me inscreverei como candidato na Comissão de Avaliadores do MEC. Acho que se houver o interesse geral a Residência tem tudo para dar certo. Tomara que não seja uma decisão passageira.

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