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Encontro de Odontologia no Congresso Brasileiro de Infeção Hospitalar

Em Recife, onde acontece o XII CONGRESSO BRASILEIRO DE CONTROLE DE INFECÇÃO E EPIDEMIOLOGIA HOSPITALAR, foi realizado o encontro: “O papel da Odontologia no controle de infecção hospitalar”, coordenado pela Dra. Aurora Karla L. Vidal, professora de Patologia Geral da ICB/UPE, Doutora em saúde coletiva e presidente da Comissão de Projetos Institucionais  do CRO-PE.

O evento foi iniciado pelo Dr. José Thadeu Pinheiro, professor e diretor do CCS da UFPE apresentando a necessidade da visão social nas questões acadêmicas e institucionais da Odontologia. O professor Reginaldo Inojosa Carneiro Campelo, médico e cirurgião bucomaxilofacial, mostrou a necessidade da avaliação sistêmica do paciente odontológico.

O professor Renato de Vasconcelos Alves, PhD em Periodontia descreveu os relatos que colocam esta especialidade em uma situação de destaque no auxílio ao controle de doenças sistêmicas, cujos tecidos periodontais estão comprometidos. A também periodontista Renata Cimões Jovino Silveira, exibiu as etapas do processo de formação do biofilme microbiológico na cavidade oral, inclusive com as últimas modificações e descobertas na interação, colonização e desenvolvimento da microbiota periodontal.

A professora e Doutora em CTBMF Ana Cláudia Amorim Gomes mostrou várias situações cotidianas da sua vivência hospitalar no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, da UPE, tanto no campo cirúrgico quanto no aspecto clínico. Fez ressalvas sobre a entrada de profissionais na área da Odontologia sem o devido preparo, e que somente com a devida ocupação do espaço hospitalar pelos cirurgiões dentistas capacitados para este ambiente, poderá a saúde saúde bucal ser plenamente alcançada.

Finalmente o Dr. Paulo Pimentel, atuante na área da medicina oral, e representante do CRO-RJ para a Odontologia Hospitalar, expôs suas palestras sobre a “Avaliação Odontológica do Paciente Hospitalizado e no Paciente Crítico” e, a respeito de “Quais Cuidados Bucais Funcionam para a Prevenção de VAP (Protocolos)”.

Estiveram presentes ao encontro, entre outros, o futuro presidente do CRO-PB, Dr. Abraão Oliveira, e o Dr. Carlos Rivas, também da Paraíba, e atuante na área de Odontologia Hospitalar.

Ao fim do dia, no jantar dos palestrantes do Congresso, houve a reunião dos vários grupos profissionais que participaram e participarão dos debates sobre os melhores caminhos para o controle das infecções hospitalares. Destacam-se a presença da Dra. Claudia Vidal, presidente do comitê científico do congresso, Dra Aurora Vidal (citada acima), Dra. Bárbara Soule (EUA), especialista em controle de doenças infecciosas, o Dr. Kenneth Leeper (intensivista - EUA) e a Dra. Denise Cardo (EUA) diretora da Divisão de Controle de Infecções do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), além dos professores Joseph e Silma da Universidade Federal de Minas Gerais.

Conversei rapidamente com a Dra. Denise e o Dr. Kenneth. O ultimo relatou um episódio ocorrido este mês, quando um paciente – com entubação orotraqueal e sedado –  internado em seu CTI apresentou febre e dor intensa associada à um molar inferior com abscesso dentoalveolar agudo. Segundo seu relato, desconhecia a existência de um cirurgião dentista que pudesse ser especializado na atuação neste ambiente.

Perguntei ainda à Dra Denise Cardo, diretora de divisão do CDC, sobre a ausência da recomendação para realização dos cuidados bucais e desinfecção com clorexidina nos CTIs, na última publicação do CDC, de 2004, para prevenção das pneumonias associadas ao uso de ventilação mecânica. Ela respondeu que a próxima publicação nesta área só se dará daqui a alguns anos, e que depende do seu departamento de saúde oral. Disse ainda que as publicações da SHEA e IDSA são suficientes para se dar credibilidade a esta recomendação.

Abaixo seguem as fotos da participação no Congresso Brasileiro de Infecção Hospitalar.

 

 

ANVISA recomenda cuidados bucais em UTI para prevenção da PAV

     A cada ano ocorrem nos Estados Unidos entre 5 e 10 episódios de pneumonia relacionada à assistência à saúde por 1000 admissões. Estas infecções são responsáveis por 15% das infecções relacionadas à assistência à saúde e aproximadamente 25% de todas as infecções adquiridas nas unidades de terapia intensiva.
     Os dados epidemiológicos sobre a pneumonia relacionada à assistência à saúde são imprecisos porque há falta de critérios de diagnóstico uniformes e claros. A maioria destas infecções é associada à ventilação mecânica e há mais dados epidemiológicos sobre este tipo de pneumonia adquirida no ambiente hospitalar.
     Dados do Estado de São Paulo em 2008 mostraram que a mediana da incidência de pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) foi de 16,25 casos por 1.000 dias de uso de ventilador em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) de Adultos, mas alcançou até 21,06 casos por 1.000 dias de uso de ventilador em UTIs coronarianas.

     Em 2008, a incidência de pneumonia associada à ventilação mecânica nas UTIs clínico-cirúrgicas de hospitais de ensino nos Estados Unidos da América foi de 2,3 casos por 1.000 dias de uso de ventilador e de 1,2 casos por 1.000 dias de uso de ventilador em UTIs coronarianas.

     Estes números sugerem que a incidência nacional pode ser mais elevada do que a desejada. Infelizmente não há dados nacionais por falta de uma coleta sistemática e padronizada em todos os Estados.

MEDIDAS ESPECÍFICAS FORTEMENTE RECOMENDADAS PARA PREVENÇÃO DA PAV:

   A. Manter os pacientes com a cabeceira elevada entre 30 e 45°;

   B. Avaliar diariamente a sedação e diminuir sempre que possível;

   C. Aspirar a secreção acima do balonete (subglótica);

   D. Higiene oral com antissépticos (clorexidina veículo oral).

     O entendimento que a VAP é propiciada pela aspiração do conteúdo da orofaringe amparou a lógica de se tentar erradicar a colonização bacteriana desta topografia com o objetivo de reduzir a ocorrência de VAP.

     Diversos estudos têm demonstrado diminuição das pneumonias associadas à ventilação quando a higiene oral é realizada com clorexidina veículo oral (0,12% ou 0,2%). Muitos protocolos preconizam a higiene da cavidade oral com clorexidina oral, formulação de 0,12%, com uma pequena esponja, evitando lesões da cavidade, três a quatro vezes ao dia. O profissional deve ficar atento para alergias, irritação da mucosa ou escurecimento transitório dos dentes.

fonte: ANVISA.
http://medicinaoral.org/blog/wp-content/uploads/2010/08/anvisa-manual_prevencao_pneumonia.pdf

 

 

Odontologia será discutida no XII CIH

     “O papel da odontologia no controle de infecção hospitalar” é tema de curso do XII Congresso Brasileiro de Controle de Infecção e Epidemiologia Hospitalar (CIH), que acontece entre os dias 1 e 4 de setembro deste ano, no Centro de Convenções de Pernambuco.

     O programa científico enfoca assuntos como a relação das doenças bucais com as sistêmicas, importância da avaliação da saúde bucal no pré-operatório, inclusão do cirurgião-dentista no âmbito hospitalar/UTIs, avaliação odontológica do paciente hospitalizado e no paciente crítico, entre outros.

     Informações e inscrições pelo site http://www.cih2010.com.br

GMOH-RJ - Encontro de maio

Na quarta-feira, 05/05/2010, houve a reunião do Grupo de Medicina Oral e Odontologia Hospitalar do RJ (GMOH-RJ) no CRORJ. Tivemos a excepcional palestra do Prof. Jorge Pinto M.S., PhD (UERJ, UFRJ), médico intensivista, chefe de UTI do Hospital Israelita Albert Sabin e membro da diretoria da SOTIERJ.

A palestra foi graciosamente disponibilizada pelo Professor e encontra-se disponível no link anexo (clique aqui).

 

 

Especiais agradecimentos à Dra. Luciana Teles pela indicação do Prof. Jorge Pinto e suas colaborações com o GMOH-RJ.

Após a apresentação foram debatidos temas relacionados à presença do CD na equipe de UTI e suas atividades, com maior foco na prevenção da pneumonia nosocomial.

Ao fim do encontro foram debatidos temas diversos:

O Dr. Silvio Brandão propôs a elaboração de um texto para envio a coordenação do NERJ para o pedido de contratação dos profissionais auxiliares pelo Ministério da Saúde para atuação nos Hospitais Federais do RJ.

O Dr. Paulo Pimentel pediu a adesão de todos à ABRAOH. Entidade que ajudará na realização de eventos, estímulo à capacitação profissional, divulgação científica, auxílio ao CFO na normatização desta atuação e aglutinação das outras especialidades odontológicas nos temas de interesse da atuação do Cirurgião Dentista nos hospitais.

Finalmente, foi elaborado o programa de palestras e debates para o ODONTORIO, que terá um pré-congresso no dia 21/07/2010, na ABORJ, organizado pelo GMOH-RJ.

Saúde Bucal e Cardiologia

Encaminhado pelo Dr. Victor Abreu (HSERJ) e repassado para todos.

 

 

 

Informações sobre o autor: Dr. Evandro Tinoco Mesquita é professor na Universidade Federal Fluminense e diretor clínico do Hospital Pró-Cardíaco.

“Este material foi extraído do Portal Medcenter Medscape - www.medcenter.com

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Repercussões odontológicas em pacientes hipertensos

Entrevista concedida ao portal Terra e disponível (resumida) no link: http://coracaosaudavel.terra.com.br/noticias_integra.php?id=219

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1- Qual a incidência de pacientes hipertensos em seu consultório?

 

R. Na clínica privada 15% e no serviço público onde atendo pacientes com comprometimento sistêmico, um pouco maior, cerca de 25%.

 

2- Como o dentista deve abordar este paciente hipertenso?

 

R. Dependendo do grau da hipertensão o Dentista não deve nem realizar atendimentos, caso da hipertensão severa. Nos casos leves e moderados o dentista deve realizar o atendimento, mas precisa estar em contato com o Médico quando houver suspeita de descontrole da hipertensão ou se procedimentos mais invasivos forem necessários.

 

3- Que informações o paciente deve passar ao dentista?

 

R. Há quanto tempo tem a hipertensão, se é feito controle médico, quais medicações foram prescritas. O histórico do paciente durante o atendimento odontológico também é importante e, em alguns casos, podem ser necessárias medidas de sedação farmacológica, hipnose ou outras técnicas de controle da ansiedade.

 

4- É preciso pedir algum exame cardiológico antes de se iniciar o tratamento?

 

R. O Dentista deve contribuir com o Médico no controle dos pacientes hipertensos e portadores de doenças cardíacas em geral. Os tratamentos dentários são bem comuns em nosso meio e esta pode ser a oportunidade de se avaliar o paciente, e em casos descontrolados encaminhar o paciente ao Médico para uma reavaliação. Em outras situações o Dentista pode pedir que o Cardiologista avalie um paciente para parecer médico em casos de cansaço crônico e obesidade em indivíduos que sejam fumantes, sedentários e acima dos 40 anos, mesmo se não há alteração da pressão arterial. Há ainda ocasiões onde é necessário o risco cirúrgico prévio à realização de cirurgias mais invasivas.

 

5- Como lidar com o estado de ansiedade deste paciente?

 

R. Em geral o contato pessoal e a empatia que se cria entre paciente e profissional são suficientes para o controle da ansiedade. Quando há um histórico desfavorável podem ser utilizadas técnicas de hipnose, ansiolíticos, sedação com óxido nitroso e até mesmo a anestesia geral.

 

6- Que complicações podem surgir durante procedimentos simples e cirúrgicos com estes pacientes?

 

R. Algumas complicações são mais relacionadas à ansiedade gerada pelo tratamento dentário como a hiperventilação, palpitações ou perda da consciência. Outras podem ocorrer por uso excessivo de adrenalina - utilizada em associação com o anestésico para melhorar a atuação deste - quando dor torácica e arritmias podem surgir. Por este motivo, em geral, é recomendado o uso máximo de apenas dois tubetes de anestesia em hipertensos.

 

7- Existe algum problema dentário que se agrave em pacientes hipertensos?

 

R. Alguns fármacos anti-hipertensivos, os bloqueadores de canal de cálcio, podem facilitar um quadro de inflamação gengival por induzir a hiperplasia gengival. Nesta situação pode ser necessária a substituição desta droga por outra, ou melhorar a higienização oral.

 

8- Como o tratamento farmacológico da hipertensão interfere na rotina do tratamento do dentista?

 

R. Algumas medicações podem provocar sintomas que são sentidos na boca como a xerostomia (secura bucal, muito associada a diuréticos), ardência oral e dificuldade de cicatrização (inibidores da ECA), alergias e toxicidade na mucosa (diuréticos mercuriais).

 

9- O dentista deve se preocupar com o paciente hipertenso a partir de qual número verificado da pressão arterial?

 

R. Pacientes com pressão sistólica acima de 120, diastólica acima de 80 e sinais clínicos como cansaço sob pequeno esforço, sedentarismo, obesidade e diabetes devem ser encorajados a procurar um médico. Porém só acima de 140×90 haverá alteração nas rotinas de atendimento, onde um parecer médico é obrigatório.

 

10- Quando há necessidade de um procedimento cirúrgico demorado, tem que ser em ambiente hospitalar?

 

R. Só raramente a internação será necessária, mas casos de hipertensão severa ou maligna podem estar presentes em pacientes que necessitem de abordagem odontológica emergencial e, aí sim, a internação será indicada.

 

* Se quiser acrescentar alguma informação que não mencionei e acha importante, fique à vontade.

 

R. É importante lembrar aos pacientes, e aos Médicos, que a recomendação de se abolir o uso da adrenalina (ou outro vasoconstrictor) pelo Dentista não tem base científica. O que se deve fazer é apenas limitar sua utilização (a ansiedade provocada pela dor - do próprio tratamento - causa a liberação de adrenalina endógena que também pode ser perigosa).

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Entrevista sobre MOOH

No momento em que temos o CFO e a ABENO em debate sobre qual será o modelo de residência odontológica a ser enviado aos Ministérios da Educação e Saúde, vale a pena uma lida na entrevista abaixo, concedida há algum tempo, mas ainda não publicada.

Nela abordo o tema da Medicina Oral como essencial à formação odontológica, especialmente na Odontologia Hospitalar.

Talvez esse não seja o ponto de vista da ABENO, que pode moldar a residência às especialidades odontológicas tradicionais (ainda não se sabe qual é o texto final) e não contemplar a Odontologia Hospitalar em toda sua abrangência.

 

 1) Conte sobre a sua experiência com a Odontologia Hospitalar e os atuais trabalhos o HSE? (Fale sobre a equipe, o numero de atendimentos, os serviços realizados, a importância deles, etc).

 

R: Iniciei minhas atividades no HSE, um Hospital Federal do Rio de Janeiro há três anos, e encontrei um serviço ainda não completamente estruturado quanto ao que se entende como Odontologia Hospitalar (OH), ou seja, o atendimento de alta complexidade em integração com os serviços médicos e a rede pública de média e baixa complexidade.

Temos tomado atitudes para mudar o perfil do atendimento odontológico priorizando os casos que necessitem de intervenção do Cirurgião Dentista (CD) em uma unidade hospitalar, por exemplo, pacientes internados, que tenham problemas sistêmicos e precisem de monitoramento durante os procedimentos, casos de diagnósticos complexos e cooperação, através de protocolos, com os serviços médicos. Dentre estas ações estão a capacitação dos CD, a orientação às chefias de serviços quanto aos casos pertinentes da alta complexidade odontológica e orientação sobre a atenção à saúde bucal para as equipes de enfermagem. Minha atuação é mais focada no diagnóstico e tratamento das dores orofaciais, na consultoria para reestruturação do serviço e na capacitação dos CD do serviço visando a atuação plena em OH. Atualmente temos uma capacitação em andamento com a participação de médicos e dentistas do HSE e de outras unidades para fomentar a atuação nos protocolos interdisciplinares. Sobre minha atuação clínica na dor orofacial, temos uma estatística de 800 atendimentos realizados nos três últimos anos, porém, como somos a única referência do SUS em dor orofacial e disfunções da ATM, ainda atendemos casos de média complexidade. Temos tido reuniões com a secretaria municipal do Rio de Janeiro para auxiliar na implantação de centros de dor orofacial de média complexidade minimizando a necessidade do atendimento hospitalar (que deve apenas ser feito nos casos mais difíceis).

Nossa equipe conta também com um serviço de Odontopediatria, Cirurgia Bucomaxilofacial, Radiologia Odontológica, Periodontia e CDs que atuam na clínica odontológica. Além disso, temos uma CD que também é enfermeira e auxilia na administração do serviço e coordenação das auxiliares.

 

2) Quais são as maiores dificuldades na relação entre os dentistas e a equipe de saúde (médicos, enfermeiros, etc). Estes profissionais conhecem a importância do trabalho realizado pelo dentista dentro dos hospitais?

 

R: Há falta de informação dos outros profissionais quanto à pertinência da atuação da OH. Eles não sabem direito o porque de estarmos em um hospital. Outra dificuldade é a própria falta de formação em Medicina Oral dos CD brasileiros, pois estes não tem o pleno conhecimento de suas responsabilidades e deveres dentro dos hospitais.

 

3) Na sua opinião, o que impede a Odontologia Hospitalar de se tornar uma especialidade (oficial)? O Sr. acredita que esse fato “afasta” muitos dentistas que seguir este caminho na profissão?

 

R: Não acho que deva se tornar (mais uma) especialidade. Eu acredito que a formação correta seria uma residência em Medicina Oral, realizada no ambiente hospitalar, onde o CD teria o aprendizado integrado a outras equipes de saúde e teria noções gerais de patologia bucal, estomatologia, atendimento a pacientes com problemas sistêmicos, dor orofacial, cirurgia oral, emergências médicas, farmacologia, microbiologia oral e a atuação integrada com as unidades de apoio em média complexidade e os centros de saúde da família. Só um CD com esta formação mínima de 5800 horas teria condição de atuar no ambiente hospitalar satisfatoriamente.

 

4) Qual sua opinião a respeito do Projeto de Lei que tem por objetivo a inclusão dos dentistas nas UTIs?

 

R: Acho que chama a atenção para a nossa atuação e isto é bem vindo, mas não acredito que uma lei modifique este modelo se o CD não se mostrar economicamente viável para as unidades hospitalares privadas. É preciso que as entidades odontológicas também chamem a atenção para este problema de falta de atenção à saúde oral dos pacientes internados e que a sociedade entenda a importância de nossa presença.

 

5) O que é o MOOH? (Fale sobre os objetivos, o que tem sido feito, como outros profissionais podem participar, etc).

 

R: A Medicina Oral (MO) é reconhecida no mundo inteiro como a área de conhecimento que abrange toda atuação odontológica onde o conhecimento médico é essencial, como nas situações citadas anteriormente. É importante para a Odontologia como um todo, mas é fundamental para a atuação da Odontologia Hospitalar (OH). Temos feito reuniões no Rio de Janeiro e em outros estados para propagar estas idéias e utilizo o site www.medicinaoral.org como um canal de divulgação do conhecimento e integração dos diversos centros brasileiros. Tudo é feito de forma aberta e contamos com a participação de todos os interessados em aderir a esta ampla e instigante área da Odontologia.

Laser na prevenção da mucosite oral

Publicado pelo Brazilian Dental Journal

 Resumo

KHOURI, Vivian Youssef et al. Use of therapeutic laser for prevention and treatment of oral mucositis. Braz. Dent. J. [online]. 2009, vol.20, n.3, pp. 215-220. ISSN 0103-6440.  doi: 10.1590/S0103-64402009000300008.

A mucosite oral (MO) afeta pacientes que são submetidos ao transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) devido as altas doses de quimioterapia e/ou radioterapia. A proposta desta investigação foi realizar um estudo comparativo da freqüência e a evolução da MO entre os pacientes submetidos ao laser terapêutico e da terapia convencional (uso de solução de bochecho chamada “Fórmula para Mucosite”).Os pacientes foram submetidos ao regime de condicionamento mieloablativo antes da realização do TCTH alogênico.Vinte e dois pacientes foram selecionados e divididos em 2 grupos: grupo I foi irradiado com laser AlGaInP (660 nm) e laser GaAlAs (780 nm), potência de 25 mW, dose de 6,3J/cm2, tempo 10 s, seguido do tratamento convencional; grupo II submetido apenas ao tratamento convencional. Ambas as escalas da World Health Organization (WHO) e Oral Mucositis Assessment Scales (OMAS) foram utilizadas para avaliar os resultados. Os dados foram analizados pelo teste não-paramétrico de Wilcoxon, com p<0,05 considerado estatisticamente significante. O grupo I apresentou menor frequência de MO (p=0,02) e menor média de acordo com as escalas WHO e OMAS (p<0,01 e p=0,01, respectivamente). Em conclusão, o laser reduziu a frequência e gravidade da MO, sugerindo que o laser terapêutico pode ser usado para ambos como uma nova forma de prevenção e tratamento da MO.

Palavras-chave : oral mucositis; chemotherapy; radiotherapy; allogeneic hematopoietic stem cell transplantation; therapeutic laser.

Disponível no site: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0103-64402009000300008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

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Reunião do Grupo de MOOH/CRORJ – Outubro

Na reunião do dia 07 de outubro foi exposta a situação atual do projeto de lei do CD na UTI. O Dr. Afonso Rocha (Presidente do CRORJ) esteve em Brasília, acompanhado do Dr. Paulo Moreira (INCL) em reunião com o Dep. Saraiva Felipo, atual relator do projeto. Ao que parece será feita uma modificação no texto do PL que incluirá a presença do CD nos hospitais, ao invés do vínculo específico à UTI. É uma troca por motivações políticas, mas que não altera o espírito do PL, que é a participação do CD em integração aos serviços médicos hospitalares (clique aqui para ver os votos dos deputados).

Outro assunto levantado foi a questão da residência em Odontologia. Eu (Paulo Pimentel) expus a dificuldade em se aplicar a residência em Odontologia Hospitalar no Hospital dos Servidores do Estado, pois o Ministério da Saúde (responsável por este hospital), através da Comissão Nacional de Residência, tem favorecido a criação apenas de residências multiprofissionais que privilegiam a atuação em saúde coletiva.

Tal preferência tem, pelo que se deduz, um cunho político, pois há atualmente um predomínio da visão sanitarista no Ministério da Saúde. Propus o convite a membros daquela comissão para uma reunião com o nosso grupo para esclarecimentos sobre este ponto de vista da Comissão Nacional de Residência, afinal não há nenhuma residência em Odontologia Hospitalar financiada pelo Ministério da Saúde no Brasil e não se pode alegar que o gasto em alta complexidade, com a Odontologia, é excessivo, ao contrário do que acontece com a Medicina.

Salientei o papel renovador que esta formação acadêmica diferenciada poderia ter sobre o atual modelo de pós-graduação em vigor na Odontologia brasileira e o que isso representaria de qualidade para o exercício da Odontologia Hospitalar, afinal seriam cerca de 5800 horas (em 2 anos) de dedicação exclusiva a este tópico, com a aplicação prática de conhecimentos de diversas especialidades odontológicas e gerando intercâmbio com outras áreas da saúde que teriam maior conhecimento do que se produz na Odontologia Hospitalar e na própria Medicina Oral em benefício para o paciente hospitalizado e com problemas sistêmicos.

Foi apresentada ao Dr. Afonso Rocha uma relação de 18 artigos científicos (9 na íntegra), extraídos do PUBMED, de 2004 até 2009 com dados sobre a atuação do CD e outras áreas da saúde nos protocolos de controle da microbiota oral dos pacientes atendidos em UTI. Conforme pedido no último encontro estes dados ajudarão a fundamentar esta atuação e na aprovação do PL.

Em mais uma atividade planejada no último encontro, o Dr. Afonso mostrou o texto, escrito por ele para apresentar as atividades deste grupo, publicado na última edição da revista do CRORJ. No texto é oferecida aos CD do Estado do Rio a participação nas atividades deste grupo e é citado o site: www.medicinaoral.org como agente de agregação dos interessados no crescimento da Odontologia Hospitalar.

Os colegas Luciano Aguiar e Rodrigo Lucas apresentaram um questionário, para ser enviado aos CD da rede pública que atuem em hospitais, visando aumentar a participação no Grupo de Estudo de Odontologia Hospitalar e colher dados gerais sobre esta atuação. Os primeiros questionários deverão ser entregues na jornada de Odontologia Hospitalar que ocorrerá no Hospital Central da Aeronáutica.

Foi apresentado o Dr. William Nívio dos Santos, conselheiro do CRORJ e responsável pela Comissão de Odontologia em Unidades Públicas e Privadas de Saúde. Foi sugerido pelo Dr. Afonso Rocha, e aceito por todos presentes, que esta comissão do CRORJ, presidida pelo Dr. William seja o braço institucional do Grupo de Odontologia Hospitalar, oferecendo ao nosso grupo o apoio oficial para atuação em nome desta autarquia.

 

 

Por último foi sugerido o convite ao Dr. Moyzes Damasceno, presidente da SOTIERJ, para apresentação da Odontologia Hospitalar e debate sobre a atuação do CD e sua equipe no ambiente de terapia intensiva.

Estiveram presentes a esta reunião: Afonso Rocha, William Nívio, Paulo Pimentel, Jorge Barbosa, João Carlos de Freitas, João Miguel Giraldes, Patrícia Lima de Sá, Luciano Aguiar e Rodrigo Lucas.

Encontro do Grupo de MOOH do Rio de Janeiro

O encontro faz parte das estratégias de ação que foram iniciadas no Fórum do MOOH do CIORJ 2009. Elas visam, entre outras, reforçar a atuação em Odontologia Hospitalar no Rio de Janeiro e no Brasil. Seguem abaixo as discussões desenvolvidas na última quarta-feira no CRORJ.

 

Questionamentos principais do encontro

 

Quais serão os objetivos deste grupo?

Como fazer cumprir as determinações da Odontologia Hospitalar?

 

Ações do encontro de 02/09/09

 

Divisão das ações em tópicos que deverão ser gerenciados pelos participantes do grupo com interesse específico e afinidade.

Abaixo a relação dos grupos com sugestão dos responsáveis e atividades que podem ser realizadas em cada um deles.

 

Político e jurídica

Responsável: Afonso Fernandes Rocha

 

  • Necessita que sejam enviadas evidências e números sobre a atuação do CD:

ü      em hospital / com pacientes sistêmicos / na UTI;

ü      o benefício que este representa em comparação quando este atendimento não é feito.

ü      os dados serão repassados para o deputado Neilton Mulim - e membros de novas comissões.

  • Outra atitude é pedir que os CD enviem emails aos deputados da comissão reforçando o papel da Odontologia na UTI e nos hospitais.
  • Repassar também exemplos de atuação da Odontologia Hospitalar nos serviços públicos e privados que tiverem conhecimento.
  • Estimular eventos em congressos.
  • Facilitar a divulgação deste encontro e da Odontologia Hospitalar nos boletins on line, revista do CRORJ e espaço da rede CNT.
  • Criação de um blog de MOOH ligado ao CRORJ à semelhança do site medicinaoral.org.
  • Divulgação nos canais do CRORJ do site www.medicinaoral.org, enquanto não é disponibilizado o blog oficial, para estruturação dos grupos e orientação a novos interessados.
  • Oferecimento de um espaço no Jornal Onda Carioca.
  • Definir quais os limites da atuação na boca e quem são os profissionais autorizados a trabalhar nesta região.
  • Ação contra profissionais de outras áreas de formação que atuem no âmbito da Odontologia Hospitalar.
  • Atuação dos profissionais auxiliares.

                                                   

Mídia

Responsável: Paulo Moreira, Paulo Pimentel, Jorge Barbosa e demais interessados

 

  • Utilizar as assessorias de imprensa dos hospitais para acessar a mídia geral e médica sobre a atuação da MOOH buscando espaço em meios de comunicação.
  • Usar o site medicinaoral.org para reunir informação sobre o assunto e divulgação geral: vídeos, entrevistas em rádios, textos escritos por autoridades diretamente para o blog, textos em jornais e revistas, artigos, press releases, exemplos de serviços existentes.
  • Conseguir espaço em eventos médicos e odontológicos.
  • Auxiliar na criação de um blog pelo CRO para medicina oral.

                                                                                                                                                                                                               

Científica e Acadêmica

Responsáveis: Héliton Spíndola, Paulo Moreira, Paulo Pimentel, Jorge Barbosa, Arley Silva Jr. e demais interessados

 

  • Dar subsídios para a parte política quanto a aplicação da OH.
  • Enviar artigos e textos para discussão e divulgação no blog.
  • Auxiliar nas capacitações.
  • Estimular a implantação da MOOH na graduação.
  • Discutir a formação apropriada para a área: capacitação, residência odontológica ou especialização?

                                                                      

Atuação privada

Responsáveis: Afonso Rocha, Héliton Spíndola, Paulo Moreira, Paulo Pimentel e demais interessados

 

  • Atuação em hospitais e centros médicos privados.
  • Convite a admnistradores de convênios e administradores hospitalares para palestras com o grupo expondo suas expectativas e dificuldades na implantação da Odontologia Hospitalar.
  • Definir rol de procedimentos e valores de remuneração ao CD que atue nesta área.
  • Quantificar profissionais que atuam em odontologia hospitalar privada.

                                                                                                                                                                                                                                            

Atuação pública

Responsáveis: Jorge Barbosa, Hélida Frazão, Héliton Spíndola, Paulo Moreira, Paulo Pimentel e demais interessados

 

  • Dar exemplos de atuação da OH para o convencimento político.
  • Quantificar dentistas que trabalham em hospitais no estado do RJ.
  • Convite aos gestores da administração pública para exposição de dificuldades para a implantação da OH.
  • Estruturação dos níveis de complexidade para o atendimento ao paciente com comprometimento sistêmico na rede pública.
  • Atuação dentro das comissões de infecção hospitalar.

                                                                                                                                                        

Apoio da Indústria e Comércio

Responsáveis: Afonso Rocha, Jorge Barbosa, Héliton Spíndola, Paulo Moreira, Paulo Pimentel e demais interessados

 

Angariar simpatizantes e financiadores para as causas da Odontologia Hospitalar na(s):

  • Indústria farmacêutica;
  • Fábricas de equipamentos odontológicos;
  • Empresas de materiais dentários;
  • Casas de artigos odontológicos e médicos.

 

 

Observações finais:

  • A divisão dos responsáveis pelos grupos foi feita aleatoriamente de acordo com a disposição que cada um apresentou durante e após os encontros. Mas, qualquer participação adicional será bem vinda. Me enviem quaisquer solicitações de inscrição ou retirada como responsáveis pelos grupos.
  • A utilização do blog www.medicinaoral.org é fundamental para a organização das ações, assim como a divulgação dos textos, imagens, áudio e vídeo que sejam do interesse de todos os grupos.
  • Qualquer dificuldade na utilização desta ferramenta deve ser comunicada, pois não são todos que tem experiência no seu uso. Contanto, após breve aprendizado dou testemunho que é muito fácil e amigável.
  • Em breve será disponibilizada a data do próximo encontro (que é aberto a todos interessados).
  • Apesar do encontro ocorrer no Rio de Janeiro, quaisquer ações integradas a iniciativas de outros estados são estimuladas.n
    A Odontologia Hospitar é viável?
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