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Entries Tagged as 'Diagnóstico'

Inscrições para o Congresso Europeu de Medicina Oral

   

    Reproduzo abaixo o email do Presidente da SOBE (enviado para a Sobelist do yahoo) sobre uma certa facilidade para ir ao evento, e a resposta de uma colega brasileira que mora em Londres e quer ajudar.

 

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    Prezados colegas,

 

    Transmito a todos uma boa noticia. A Associacao Europeia de Medicina Oral (EAOM) que se reune a cada dois anos, estara promovendo seu congresso na cidade de Londres, em setembro 2010 (http://www.eaom2010.com).

 

    Conseguimos junto a um dos organizadores do evento Dr. Tim Hodgson que os socios da SOBEP se inscrevam pagando o mesmo valor dos membros da EAOM.

  

    Abraco a todos,

 

 

    Prof. Jair Carneiro Leao, PhD

    Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Odontologia

    Universidade Federal de Pernambuco

    Av. Prof. Moraes Rego, 1235 – Recife PE Brasil 50670-90; + 81 21268818

    www.ufpe.br/pgodonto

    www.ufpe.br/estomatologia

 

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Resposta:

 

    Acho que todos os colegas devem se animar a participar da EAOM 2010, pois o congresso é muito bom e o valor da libra nunca esteve tão baixo (3 reais=1 pound). É uma boa hora de vir a Londres.

    As coisas aqui também não estão tão caras e pode-se conseguir hotel 3 estrelas por uns 70 pounds. Poderemos também ver a possibilidade de conseguir nos residenciais da London University, que são bons e baratos e sempre têm vagas para academic visitor, por uns 50 pounds/dia.

    Poderíamos tentar viabilizar juntamente com o Presidente, que conhece bem a cidade, uma boa acolhida a todos.

    Me coloco à disposição do presidente para ajuda aos colegas da SOBE.

    Um abraço,

 

    Eliete Neves da Silva

 

    (UNB – King’s College London)

 

 

 

 

 

Curso de Medicina Oral no HSE – 2009

 

A promoção de saúde só será completa com integração do Cirurgião Dentista (CD) na equipe multiprofissional de saúde hospitalar, colaborando com seu conhecimento na sua área de atuação para restaurar na plenitude, e no mais breve tempo possível, a saúde do paciente.

Diversos protocolos médicos já inserem a necessidade da avaliação e intervenção do CD previamente a determinados procedimentos médicos (cirurgias cardíacas, transplantes, tratamento com bifosfonatos, etc…) e, alguns destes protocolos exigem a atuação do CD dentro do hospital (entre outros, ocorrências de emergências, melhores recursos, necessidade de equipe auxiliar treinada, possibilidade de internação).

Avaliação, adequação e atuação do CD alteram positivamente o quadro clinico dos pacientes, minimizando fatores que possam influenciar negativamente o tratamento sistêmico, pois a condição oral altera a evolução e resposta ao tratamento médico. Assim, o conceito ampliado de saúde se faz indispensável com a atuação do CD no hospital.

No formato vigente na maioria dos hospitais brasileiros, a atuação dos CD está com baixo aproveitamento, focando mera prestação de serviços básicos e de baixa resolução. Baseado na atuação somente nas cadeiras odontológicas, como resposta a uma demanda espontânea.

Portanto se faz necessário reorganizar o modelo de atuação dos CD nos hospitais e institutos, buscando a formação de um serviço de odontologia hospitalar que promova a saúde bucal dentro de uma visão integrada com as outras profissões de saúde, e nas necessidades do paciente enquanto internado ou necessitando de serviços odontológicos de alta complexidade. Diversos trabalhos, por exemplo, comprovam a associação entre infecções orais e doenças sistêmicas, e necessitam da atuação do CD hospitalar na resolução dessas patologias.

Desta forma, buscando dar maior informações aos Cirurgiões Dentistas (CD) da equipe de Odontologia do HSE e também a interessados externos ao serviço, e empenhados em dar continuidade à missão de ensino já existente no HSE, foi elaborado este Curso de Medicina Oral que visa integrar o CD neste contexto.

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Informações sobre o curso podem ser obtidas no link: http://medicinaoral.org/blog/residencias-e-pos-graduacoes/

 

 

 

 

Encontro de Odontologia Hospitalar, Medicina Oral e Dor Orofacial

Concretizou-se!!!

Com o inestimável apoio da Comissão Organizadora, Palestrantes e Parcerias (clique na imagem abaixo para ampliá-la), em 12 e 13 de março de 2009 será realizado o Encontro de Odontologia Hospitalar e Medicina Oral do Rio de Janeiro. Também ocorrerão (dentro do encontro) o Espaço Lacer, o Encontro de Dor Orofacial do Rio de Janeiro e a Jornada de Odontologia do HSE.

O evento é gratuito e as inscrições já estão abertas no site http://www.cro-rj.org.br/cursos/index.asp. O programa com mais informações pode ser visualizado em http://www.cro-rj.org.br/cursos/eventoLACER.pdf.

Fiquem atentos porque as vagas serão limitadas!!!

É mais um passo para dar maior qualidade e credibilidade ao CD em sua inserção no meio médico.

Solicito ainda aos que tenham acesso a empresas, que se interessem em alugar stands no local do evento, que entrem em contato, pois há possibilidade de aumentar o número de vagas, e permitir maior conforto, se houver maior aporte financeiro.

Obrigado,

Paulo Pimentel
Cel: 21 8885-0811
HSE: 21 2291-3131 r: 3618

Diagnóstico Diferencial das Dores Orofaciais

   Apesar de ser comum encontrarmos dores na boca e face oriundas de dentes, gengivas e articulações temporomandibulares (ATM), não devemos nos ater somente a estas estruturas quando examinamos o paciente com dores orofaciais, pois outros tecidos da cabeça e do pescoço também podem ser fontes de dores e confundir o diagnóstico das condições mais frequentes. É preciso que o examinador, seja ele Cirurgião Dentista, Médico, Fisioterapeuta ou outro profissional de saúde envolvido com o caso tenha um prévio conhecimento destes achados atípicos para não verem frustrados seus planos de tratamentos, o que pode provocar um abalo na relação paciente-profissional, além do prolongamento da resolução terapêutica.

   As doenças mais simples que podem se constituir em uma dificuldade diagnóstica são as sinusites, otites, mucosites provocadas por ulcerações aftosas e candidíase, cefaléias como a migrânia e a tipo-tensional, faringites e tonsilites com irradiação dolorosa para a região periauricular e cervicalgias referindo dor facial.

   Patologias mais raras ou condições mais complexas também serão desafiadoras, mesmo para os clínicos mais experientes e em várias ocasiões necessitarão de um estudo multidisciplinar para a correta classificação diagnóstica e escolha da melhor conduta terapêutica. São exemplos destas condições as cefaléias autonômicas causando dor facial e odontalgia, as neuralgias trigeminais primárias ou secundárias, a neuralgia glossofaíngea, neoplasias benignas ou malignas e suas dores locorregionais ou referidas, as neuralgias pré e pós herpéticas e as dores idiopáticas persistentes relacionadas à síndrome de ardência bucal e odontalgia atípica.

   Em alguns casos doenças sistêmicas podem ser a causa de disfunções da ATM e assim dificultar o verdadeiro diagnóstico de base. Um exemplo são as doenças do conjuntivo, de origem reumatológica, que podem acometer a região bucofacial e provocar, além das DTM, um amplo espectro de manifestações bucofaciais como hipossalivação e disestesias orais.

   Uma condição extremamente comum, mas cujo diagnóstico é dificultado pela escassez de referências na própria literatura é a pressão de hastes de óculos sobre a região têmporomandibular. A compressão das estruturas neurovasculares, músculo, tegumento e o próprio periósteo subjacente, durante anos pode levar a um quadro de dor primária e secundária mimetizando uma cefaléia e ou DTM. Veja imagem em anexo

   Para a resolução destes enigmas diagnósticos, o examinador terá de possuir grande capacidade semiológica, estar atento à evolução do tratamento e não se furtar a pedir opiniões e pareceres de outros especialistas da área da saúde.

   É sabido que a grande maioria dos casos de dores orofaciais tem explicações fisiopatológicas relativamente simples, o que favorece a escolha terapêutica apropriada e melhora clínica o mais breve possível. As situações onde, em pelo menos 3 meses, não ocorra remissão sintomática adequada, devem ser revistas quanto ao diagnóstico e poderão ser também indicados exames complementares, imaginológicos, histopatológicos ou sorológicos que complementem os exames já solicitados previamente.

   Que este texto possa servir de alerta e estímulo ao examinador das patologias dolorosas bucofacias para um crescimento e aprimoramento em suas capacidades investigativas visando à celeridade no diagnostico e pronta recuperação dos pacientes.

Encontro de Dor Orofacial no Congresso de Cefaléia

Caros Colegas,

A pedido do Prof. José Luiz Peixoto envio abaixo o folheto do Congresso do Comitê de Dor Orofacial e Disfunções da ATM que ocorrerá no Congresso Brasileiro de Cefaléia em Natal (9-11 de outubro). É um evento de ambito nacional que tem prestigiado a classe Odontológica.
Sua participação ou a indicação para alguém que se interesse pelo assunto será muito bem vinda.
Um abraço e obrigado.

Paulo Pimentel

(clique na imagem para facilitar a visualização)

O Porquê da Medicina Oral

Para os que me conhecem há pouco tempo, são importantes algumas considerações sobre o que faço e o que penso da medicina oral. Como cheguei nela e para onde gostaria que fosse.

Sempre tive grande interesse nas disciplinas básicas. Apesar de iniciar a faculdade de Odontologia na UFF com apenas 17 anos não tinha muita dificuldade em lidar com os temas relacionados à farmacologia, fisiologia e muito especialmente a patologia.

Foi com grande tristeza que vi o término do vínculo com estas disciplinas logo ao fim do primeiro ano de faculdade e por 3 anos praticamente não freqüentá-las. No período “profissional” a Estomatologia (do Prof. Evandro Feijó), a Patologia Bucal (dos Profs. Marcos Salles Cunha e Irani) e a Cirurgia Oral (Profs. Ribeiro Neto e Nésio) foram disciplinas que passaram sem que houvesse grande aprofundamento nos conceitos básicos que a fundamentavam. Não é uma crítica aos Mestres, mas sabemos como é corrida a grade curricular.

Durante este período o que mais me atraiu foi o estudo da dor. Nesta área de conhecimento (ou desconhecimento) eu sentia o estímulo da busca. Não tivemos praticamente nenhuma formação e tudo que eu achava era novidade.

Logo após o término da faculdade ingressei na Policlínica Geral do Rio de Janeiro para minha primeira pós-graduação em Oclusão. Este era (e erradamente ainda é) o termo que abrangia a área de conhecimento na Odontologia onde o foco era a dor.

Para justificar isto aos que não sabem da história, resumo que Costen descreveu a síndrome que levou seu nome lá pelos anos 40 do século passado. Nesta, havia presença de dor e vários sintomas otológicos associada à perda de dimensão vertical em pacientes que tinham próteses gastas ou não as utilizavam. Foi a primeira grande descrição da artromialgia da ATM e obteve muito sucesso. Até hoje vários livros-texto da Medicina ainda usam esta denominação. Daí a prótese e a oclusão se tornaram as grandes organizadoras da linha de frente na luta contra a dor orofacial. Se por um lado isto trouxe grande reconhecimento aos Dentistas que se valorizaram por conseguir controlar este sofrido sintoma, por outro colocou na mão dos reabilitadores orais uma responsabilidade para a qual estes não foram inteiramente preparados. Nos anos 70 a era reabilitadora atingiu seu nadir com o Prof. Peter Dawson e suas teorias de reabilitação profilática. A mudança neste paradigma só foi colocada na ordem do dia com os novos rumos da Associação Americana de Dor Orofacial e seus mentores Welden Bell seguido de J. Okeson. Hoje a oclusão, assim como a disfunção têmporomandibular, não é mais a tônica da dor orofacial. São conhecimentos com imensa relação com a ela, mas agora podem ser encaradas dentro de sua verdadeira relação. Atualmente, além delas são valorizadas a disfunção neural que ocorre nas dores crônicas, a influência dos fatores inibitórios periféricos e centrais, a regulação do sistema psicológico sobre o limiar de dor, a participação de fármacos na regulação bioquímica e finalmente a capacidade de se estabelecer um diagnóstico diferencial.

Voltando ao assunto de minha primeira pós na Oclusão da PGRJ, sempre fui meio rebelde (peço desculpas para com meus sofridos e estudiosos professores) por não me conformar com as explicações dadas. Eu queria, e ainda quero, que os sintomas cessem e por isso não sossegava enquanto o meu paciente não me comunicava a redução dos sintomas até seu completo desaparecimento.

Eu fazia meus front-plateaus, ajustes oclusais, montagens complexas em articuladores semi e totalmente ajustáveis, avaliações minunciosas das dimensões verticais e prematuridades oclusais na tentativa de entender e resolver as dores. Apesar de tentar ser extremamente otimista, motivador, quase um animador de auditório para os pacientes, este efeito placebo positivo tinha limites e a continuidade das queixas não me deixavam satisfeito.

Os ventos começaram a mudar com a chegada dos Neurologistas mais proximamente ao nosso convívio (e sou grato ao Prof. Marco Aurélio Bruno por esta oportunidade) na PGRJ. Com eles, e as novas diretrizes da AAOP, foi ficando mais claro o panorama. Agora as cefaléias se tornaram diagnósticos possíveis e mais definidos. A neuroanatomia e a farmacologia básica estavam suportando possibilidades fisiopatológicas que não conhecia e, ao final dos anos 90, tive a notícia de que um Dentista, o Prof. Barry Sessle havia se tornado o Presidente da Associação Mundial para o Estudo da Dor.

Este foi o gatilho para que eu recuperasse minha antiga e quase perdida paixão para com o estudo das disciplinas básicas. Agora não me sentia mais “um rebelde querendo descobrir o sexo dos anjos”, mas estava amparado no novo modelo “baseado em evidências” para comprovar a eficácia de minhas capacidades técnicas no controle da dor.

A primeira busca foi feita em uma pós em Endodontia. O diagnóstico diferencial das odontalgias foi se tornando mais claro e preciso. Depois vieram a Psicologia Médica e Psicossomática, o convívio com os Neurologistas em uma clínica de Cefaléia e a Estomatologia. Nesta última me deparei pela primeira vez com um difícil diagnóstico de dor periauricular por um câncer de hipofaringe. Este caso me fez repensar sobre vários dos casos que já tinham passado por mim e não foram fechados. Achei-me um inútil! Só pude provar para mim mesmo que não o era me dedicando ao ensino e divulgação aos colegas, que se interessam pelo mesmo assunto que o meu, sobre a importância do diagnóstico diferencial para a dor orofacial.

Contei com o apoio do Professor Fernando Botelho para fazer um projeto piloto no Serviço de Cabeça e Pescoço do Instituto Nacional do Câncer para estudar os sintomas iniciais dos pacientes com carcinomas. Este trabalho foi publicado e apresentado no Congresso Mundial de Dor da IASP em San Diego – EUA.

Neste momento me matriculei no Mestrado de Patologia Bucal da UFF com a proposta do estudo da Dor Orofacial e sua vertente “Diagnóstico Diferencial das Patologias Bucofaciais”. Agradeço a Professora Eliane Pedra, coordenadora da Pós em Patologia, por ter entendido e me apoiado. Voltei então ao Inca para a pesquisa de dissertação que apresentaria no mestrado “Relação entre Invasão Perineural e Dor nos pacientes com câncer da cabeça e pescoço” (link apresentacao-final-tese) . Defendi a dissertação com os Mestres e Doutores Jano Souza (Neurologista, Presidente da Sociedade Brasileira de Cefaléia), Fernando Dias (Chefe da Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Inca) e Simone Lourenço (Dentista e Professora da Patologia Bucal da UFF).

Depois de 15 anos de formado, atuante 100% em clínica odontológica, consegui retornar ao meio acadêmico, me atualizar em uma disciplina altamente complexa e afastada de minha vivência, e me tornar mestre aliando conhecimentos da clínica com a patologia básica. Para mim foi um marco.

De lá para cá, já se passaram quatro anos e outros momentos importantes vêm se apresentando. Dois deles são bastante representativos e culminaram no que acho hoje sobre a subvalorização que, nós dentistas, temos com a Medicina Oral.

O primeiro foi há quase três anos e já está na hora de ser amplamente divulgado. O caso é muito longo e para ser sucinto só vou aos fatos. Me inscrevi para o concurso da Universidade do Estado do Rio de Janeiro como candidato para o cargo de Professor Assistente da disciplina de Oclusão. Segundo as normas do Edital minha formação era perfeitamente válida. Com surpresa recebi a recusa para minha avaliação, “pois meu título de mestre em Patologia Bucal não era da área de Odontologia conforme a exigência do edital”… Pasmem! Isso é a mais pura verdade. Os desdobramentos disso ficam para outra oportunidade.

O segundo foi ao assistir uma palestra do Professor Osvaldo Nascimento, reconhecido Neurologista, especialista em neuropatias periféricas e dor neuropática. Durante sua brilhante apresentação pude ver o quão ignorante eu era (e ainda sou) nos temas médicos a respeito das neuropatias e conseqüentes dores. Isto apesar de minha dedicação à dissertação, pois o que descrevi também foi um tipo de dor neuropática.

Outro fim não poderia ser possível na medida que ele anunciou a possibilidade de uma Pós em Neurociência para a área de saúde em geral. Daí, cá estou eu partindo em direção a este novo campo, que se abre para que melhor compreendamos os difíceis e intrincados caminhos das dores orofaciais. E, mais amparado do que nunca, me coloquei na frente de batalha para que a Medicina Oral e suas vertentes clínicas e básicas sejam colocadas em seu legítimo grau de importância.

Dossiê: Mau Hálito

http://www.halito.pt/html/halitose.htmlDr. Jonas Davi Cameira Gonçalves Nunes (Doutorando em Estomatologia no Departamento de Medicina Oral da Universidade de Sevilha, Espanha)

A halitose, vulgarmente conhecida como mau hálito, é uma patologia que, até há pouco tempo atrás, era responsável pela frustração de pacientes e profissionais de saúde devido, sobretudo, à escassez de recursos tecnológicos especializados. Na última década, em virtude dos avanços da tecnologia e das descobertas pela comunidade científica internacional, o diagnóstico e o tratamento da halitose tem evoluído de forma notória.

O rigor científico é fulcral na instituição de tratamentos bem sucedidos, de forma a corresponder às elevadas expectativas dos pacientes. Após a confirmação do diagnóstico e da identificação das causas da halitose, o paciente é conduzido ao especialista que intervirá na origem do problema, seja este do foro da Estomatologia e Medicina Dentária, Otorrinolaringologia, Gastrenterologia, Imuno-alergologia, Medicina Interna, Psicologia, Nutrição. A integração de diferentes especialidades médicas constitui um factor diferencial determinante para o sucesso do tratamento.

Actualmente, reconhece-se que a halitose pode ser um sinal ou sintoma de uma doença sistémica. Encontram-se identificadas mais de 50 causas para a alteração do hálito. Todavia, perduram certos mitos e preconceitos sobre a origem da halitose, como por exemplo: origem gástrica ou higiene oral deficiente como factores etiológicos universais.

Um dos principais problemas associados aos portadores de halitose é a diminuição da sua percepção, pois as células olfactivas rapidamente se adaptam a odores repetidos. Ora, o mesmo não se sucede àqueles que rodeiam os pacientes com esta patologia.

O uso de produtos disponíveis no mercado pode atenuar a halitose, mas não a resolve de forma eficaz e sem recidivas. Daí que seja fundamental o acompanhamento médico de pacientes com halitose por parte de especialistas que possuem os meios tecnológicos mais avançados para a identificação causal e para a elaboração de um tratamento realmente eficaz.

O que é a halitose?

O termo halitose deriva do latim. A palavra halitos significa “ar expirado” e o sufixo osis traduz uma alteração patológica. A halitose consiste numa condição anormal do hálito, no qual este se altera de forma desagradável quer para o paciente quer para as pessoas com as quais se relaciona. A halitose não é necessariamente uma doença mas um sinal indicativo de desequilíbrio fisiopatológico.

O tratamento da halitose contribui para a prevenção de problemas da cavidade oral (cárie, doença periodontal, xerostomia) bem como de doenças sistémicas (pneumonias, gastrite, enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral, nascimento de prematuros).

Os odores bucais tornam-se, inclusivamente, de suma importância na suspeita e no diagnóstico de algumas doenças sistémicas, para as quais o odor é característico. Nestas situações, o diagnóstico e o tratamento da doença sistémica causal cursam com a eliminação da halitose.

Howe descreveu que “o mau hálito tem a sua importância pelo facto de que é uma constante fonte de miséria para os seus portadores; por força das circunstâncias, eles costumam sentir-se azarados”. Na sua forma mais acentuada, a halitose interfere negativamente no relacionamento interpessoal. A harmonia familiar pode ser quebrada pela sensação de repugnância que gera mesmo nas pessoas mais tolerantes. Além disso, nem sempre o paciente se apercebe da sua patologia. Infelizmente, os amigos e parentes não têm, muitas vezes, coragem de revelar a razão do isolamento dos portadores de halitose severa.

O odor é produzido por pequenas partículas dispersas no ar capazes de imprimir a sensação olfactiva nas células receptoras da cavidade nasal. Estas partículas são conhecidas como odorivectores. Possuem composição e estrutura físico-química variáveis, e apresentam duas propriedades importantes: volatilidade e solubilidade em gorduras. A volatilidade traduz a possibilidade de dispersão no ar, enquanto a solubilidade em gorduras deve-se à alta percentagem de gorduras nas membranas das células receptoras.

Três tipos de odorivectores podem provocar halitose:

a) Compostos sulfurados voláteis. Existem em grande quantidade nos casos de doença periodontal e saburra lingual (ex: sulfidreto SH2, metilmercaptana CH3SH e dimetilsulfeto CH3-S-CH3).

b) Compostos orgânicos voláteis originados da putrefacção da matéria orgânica (ex: indol, escatol, putrescina, cadaverina, metano).

c) Compostos orgânicos voláteis de origem metabólica ou sistémica oriundos da circulação sanguínea (originados do próprio metabolismo), com proveniência de alimentos ingeridos ou medicamentos utilizados (ex: ácido beta-hidroxidobutírico, acetona).

Através do uso do cromatógrafo gasoso Oralchroma® é possível diagnosticar a halitose, quantificar a maior parte dos compostos acima descritos e, deste modo, estabelecer uma relação causal.

Causas de Mau Hálito

1. Halitose fisiológica (da manhã)

2. Dieta

3. Desidratação

4. Hipossalivação

5. Stress psicológico

6. Alterações morfológicas da língua

7. Halitose essencial

8. Língua saburrosa

9. Próteses porosas

10. Higiene oral deficiente

11. Doença periodontal

12. Cárie dentária

13. Cicatrização de feridas cirúrgicas

14. Neoplasia

15. Estomatite

16. Quisto dentígero

17. Miíase

18. Amigdalite

19. Faringite

20. Sinusite

21. Patologia das adenóides

22. Patologia das fossas nasais

23. Presença de corpos estranhos

24. Ingestão de alimentos com odor intenso

25. Tabagismo

26. Medicamentos

27. Absorção de substâncias pela pele ou mucosas

28. Hipoglicemia

29. Alterações intestinais

30. Alterações hepáticas

31. Alterações pulmonares

32. Alterações renais

33. Alterações gástricas

34. Diabetes

35. Hipertermia

36. Febre reumática

37. Distúrbios neuro-psíquicos

38. Reticuloendotelioses não lipídicas

39. Escorbuto

40. Doenças raras

• Magroglobulinemia

• Herpes simples

• Hemofilia

• Doença de Von Willebrand

• Crioglobulinemia

• Anemia aplástica

• Policitemia vera

• Agrunolocitose

• Leucemia

• Mononucleose

• Púrpura trombocitopénica

• Trombocitemia

• Sífilis

• Doença exantemática

• Hemorragia interna

• Granuloma eosinofílico

• Doença de Letterer-Siwe

• Doença de Hand-Schüller-Christian

• Granulomatose de Wegner

• Noma oro-facial

A consulta do Hálito

A consulta do hálito é composta por três fases:
- na primeira fase o médico investiga o diagnóstico etiológico;
- na segunda fase institui a terapêutica específica;
- na terceira fase, planifica as medidas dirigidas à manutenção dos resultados obtidos.

Em alguns casos raros, pode-se efectivamente não se confirmar a halitose. O paciente tem a percepção do mau hálito mas os resultados negativos em todas as medições efectuadas excluem o diagnóstico. Trata-se de uma alteração da percepção do odor de origem neuro-psíquica, cujo tratamento pode requerer o recurso a técnicas de psicoterapia

A primeira fase geralmente compreende uma ou duas consultas onde o médico elabora a história clínica do paciente e de forma individualizada pode solicitar diferentes exames auxiliares de diagnóstico, nomeadamente:

» Exame da halimetria com Oralchroma® para estudo computorizado do hálito.

» Sialometria (estudo da função das glândulas salivares em repouso, com um estímulo mecânico e eventualmente com um estímulo farmacológico)

» Teste bioquímico BANA®, identificativo da presença de bactérias associadas à doença periodontal (Bacteroides forsythus, Treponema denticola e Porphyromonas gingivalis) e à produção de diversos odorivectores causadores de halitose.

» PHmetria da língua,

» Teste colorimétrico Halitox®

» Teste genético de susceptibilidade da doença periodontal.

» Outros exames (hemograma, glicemia de jejum, ureia, creatinina, ácido úrico, perfil lipídico, urina tipo II, proteína C reactiva, teste do desafio da colina, teste da ureia, teste do permanganato, anticorpos anti- nucleares, prova do látex, Waller Rose, sialografia das glândulas salivares, biopsia do lábio, etc…).

A segunda fase inicia-se com a instituição da terapêutica adequada às causas individuais apuradas na primeira fase. Esta fase é caracterizada pela prescrição de medicamentos, orientações individuais de higiene e alimentação, sessões de profilaxia e higiene oral e nasal, intervenções terapêuticas médicas e cirúrgicas eventualmente necessárias, acompanhamento com recurso a novos exames auxiliares de diagnóstico com o fim de confirmar evolução positiva, instrução ao paciente dos factores condicionantes da sua halitose, entre outros. Esta fase compreende geralmente uma consulta por mês durante um período de quatro a seis meses.

A 3ª fase é variável, podendo até não existir, dependendo da necessidade ou não de realizar consultas de controlo ao longo da vida.

O tratamento do mau hálito

Existem 3 tipos ou filosofias de tratamento para o hálito. Os dois últimos (profilático e curativo) são os preferidos pelo CIH, pela sua maior eficácia. Os 3 tipos de tratamento são o mascarador, o profilático (preventivo) e o curativo:

Tratamento mascarador.

Este é o tipo de tratamento que em geral o paciente já utilizou e utiliza (porque é relativamente intuitivo) sem grande sucesso. O hálito incómodo leva estas pessoas a lançarem mão de todos as formas para mascarar o hálito que exalam, nomeadamente desodorizantes orais, pastilhas elásticas com odor forte (ex: menta ou canela), sprays orais, elixires e anti-sépticos vários, alcaçuz, etc… O que sucede, em última análise, é a anulação do mau cheiro por um outro cheiro que se vem a sobrepor, mais forte e agradável, mascarando o odor original por poucas horas. Esta preocupação torna-se, em algumas pessoas, uma prática diária e continuada, passando com o tempo a ser quase um vício.

Tratamento profilático (preventivo).

Compreende todas as medidas que uma pessoa pode tomar para prevenir o aparecimento de mau hálito (quando ainda não o tem). Nomeadamente, compreende medidas de higiene oral (ex: escovagem da língua), dietéticas (ex: evitar a ingestão de alimentos com odor forte) e medicamentosas (ex: uso de bochechos frequentes com água oxigenada). Existem inúmeras medidas que podem ser tomadas que baixam de forma significativa a probabilidade de vir a sofrer de halitose.

Tratamento curativo.

Neste caso é fundamental em primeiro lugar um diagnóstico preciso sobre a origem ou causa do mau hálito afim de se poder eliminar as causas locais para depois se chegar à suspeita e à solução de possíveis causas sistémicas. Isto porque a halitose poderá ser devida a um número diferente de razões concominantes. A remissão da halitose dar-se-á pela cura da afecção que determina a produção de gases voláteis causadores do mau cheiro. Sendo a halitose um efeito, somente desaparecerá depois de eliminada a respectiva causa. Contudo, em certas situações, a causa não pode ser removida prontamente ou é irremovível (ex: halitose por neoplasia), nestes casos, lança-se mão de outros meios de combate à halitose.

Apesar do que centenas de fabricantes de elixires afirmam sobre o facto de os seus produtos “curarem” o mau hálito, grande percentagem da população que os experimenta sabe que infelizmente não resultam na maior parte dos casos. Torna-se pois, impossível realizar um tratamento com sucesso sem um bom diagnóstico e para um bom diagnóstico torna-se necessário ter tecnologia de ponta como o Oralchroma, testes BANA e recurso a outros exames quando necessário.

Fonte: CIH – Centro de Investigação do Hálito
Reproduzido com autorização do Autor

Desabafo de uma Dentista muito Especial

 Recebi o interessante texto abaixo de uma acadêmica de Odontologia que  não quer deixar de lutar pelos seus sonhos. Por enquanto ela prefere que fique anônimo.

“Caro Paulo Pimentel,

Peço licença pra contar um pouco mais de minhas dúvidas e anseios.
Estou terminando agora em junho minha faculdade de odontologia e tenho 22 anos. Desde pequena sempre quis ser dentista sem um motivo aparente… fiz vestibular e passei.
No início da faculdade nunca me interessei pelas disciplinas convencionais, li em algum site na internet que existia uma tal de odontologia sistêmica e coloquei na cabeça que era isso que eu queria….
Depois fiz uma optativa de medicina legal, e queria ser Odontolegista…
Por fim, nesse período, tive uma aula com um dentista especialista em Odontologia Oncológica do INCA e pensei: “É isso que eu quero!”
Nunca me fascinei pelas disciplinas mais técnicas (ao meu ver)… talvez eu não tenha muita habilidade manual, talvez eu queira mais do que abrir e fechar buracos…talvez eu queira cuidar de pessoas e não de dentes… Não pense que sou uma frustrada que gostaria de ser médica, não sou não, nunca pensei nisso… queria mesmo ser dentista… mas não sabia que, para a maioria, ser dentista era apenas olhar os dentes!!
Durante muitos momentos pensei em desistir… pensei que não “dava pra coisa” e agora que o fim da faculdade se aproxima, minhas dúvidas e minhas incertezas aumentam cada vez mais!!
Ultimamente tenho pensado muito em levar minha iniciante carreira para um lado mais abrangente do que preparos e provisórios.. Já fiz inclusive atualização em dentística… sei da importância de saber fazer bem esse tipo de coisa… ainda mais no início… estava pensando até em fazer um curso de endodontia… mas, definitivamente, não é fechada num consultório que eu quero ficar…
Gosto de cirurgia, mas sei lá, acho que não faria Buco maxilo… por todos os preconceitos que envolve e toda a dedicação que demanda… (pretendo casar, ter filhos…) fiz um ano de estágio no Salgado Filho, e fiquei completamente apaixonada pela atmosfera do hospital…
Pensei muito em fazer Odontologia para pacientes especiais… gosto inclusive de atender crianças, e os pacientes com limitações motoras e mentais me fascinam… parece que ouvi um chamado sabe…. como as freiras dizem… acho que tenho que cuidar desse tipo de pessoa…
A área de oncologia me agrada bastante…. assim como a estomatologia em geral…
Há alguns meses comprei o Silverman de Medicina Oral… durante toda a faculdade meu sonho sempre foi comprar esse livro… mas sempre tinha que comprar outros mais urgentes para estudar, por exigência da faculdade…
Peço desculpas por todo esse desabafo… mas quando vi no seu blog que existia um curso que envolve tudo que eu amo na odontologia… fiquei muito animada com a possibilidade de realizar meu sonho…
Meus amigos me acham meio doida por isso, meus professores me vêem com aquela cara de “Coitada vai morrer de fome!” e meus familiares me olham como quem diz “Mas se ela não quer cuidar de dente gastei dinheiro a toa”… Mas, sinceramente, acho que temos que fazer o que nos faz feliz e eu realmente só me vejo feliz no futuro se eu estiver dentro de um hospital, cuidando dos pacientes internados, de patologias orais e de pacientes que necessitam de atenção especial….

Mais uma vez peço desculpas por te alugar… agradeço se você chegou até aqui lendo tudo isso que eu tento explicar para as pessoas, mas elas parecem não querer entender, (exceto meu noivo que foi o único até hoje que me deu força… talvez por ser enfermeiro!)

Queria que você me informasse sobre o curso e se vai abrir uma nova turma quando terminar essa… é minha última esperança de ser feliz!! Espero que possa me ajudar!!!
Não pense que eu sou uma louca carente e descontrolada, só estou um tanto quanto apavorada com o final da faculdade!

Bom, isso é tudo!”

Dor Orofacial e DTM, dicas e macetes clínicos

Clique na imagem abaixo para melhor visualização

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ESTE CURSO TEM COMO OBJETIVO:

  • estimular o raciocínio fisiopatológico nos casos rotineiros, valorizando o senso clínico no diagnóstico.
  • fomentar o estudo da Medicina Oral como base para a Dor Orofacial: farmacologia, fisiologia, patologia bucal, estomatologia e atendimento de pacientes com comprometimento médico.
  • apresentar informações úteis para o tratamento e controle da Dor Orofacial e Disfunção da ATM.

PROGRAMA RESUMIDO:

  1. Aprimorando o raciocínio fisiopatológico para o diagnóstico.
  2. Linguagem não verbal no paciente com dor.
  3. Fatores etiológicos e modificadores
  4. Resolução rápida ou SOS
  5. Casos complexos e interdisciplinaridade

LOCAL:

  • SEDE ABORJ, R. Barão de Sertório, 75

DIA / HORÁRIO:

  • 26/06/2008, das 15 às 19 horas

Descrição de lesões orais

Elaborado pela Dra. Silvia Elena Navas Alfaro (Doutoranda em Patologia Oral – UFF e Prof. Convidada dos Cursos de Especialização da Odontoclínica de Aeronáutica Santos Dumont)

Este guia foi elaborado com o intuito de facilitar a descrição das lesões clínicas em região bucal

CONCEITOS BÁSICOS
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Mácula: Área localizada de alteração de cor devida a pigmentos ou alterações mínimas na vascularização local. Ex.Sardas.
Pápula: Elevação solida, localizada, menor que 5mm de diâmetro.Ex.Hiperplasia epitelial focal.
Placa: Lesão levemente elevada e de superfície plana. Ex.Líquen plano oral.
Nódulo: Lesão solida e elevada maior que 5mm de diâmetro. Ex.Hiperplasia fibrosa inflamatória.
Vesículas: Lesão bolhosa superficial de 5mm ou menos, usualmente cheia de liquido claro. Ex.Herpes labial.
Bolha: Lesão bolhosa grande, maior que 5mm de diâmetro. Ex.Penfigóide benigno das membranas mucosas.
Pústulas: Lesão bolhosa cheia de exsudado purulento. Ex. Herpes zóster.
Erosão: Lesão superficial usualmente secundária à ruptura de vesícula ou bolha, caracterizada por perda total ou parcial do epitélio superficial. Ex. Líquen plano erosivo.
Úlcera: Lesão caraterizada por perda do epitélio superficial e, freqüentemente de parte do tecido conectivo subjacente. Apresenta-se escavada ou deprimida.Ex.Úlcera traumática.
Crosta: Produtos ressequidos de exudatos de lesões de pele e/ou lábios. Ex. Eritema multiforme.
Séssil: Aumento de volume cuja base é a parte mais ampla da lesão. Ex. Adenoma pleomórfico do palato.
Pedunculada: Aumento de volume cuja base é mais estreita que a parte mais ampla da lesão. Ex. Papiloma escamoso.
Papilar: Aumento de volume exibindo numerosas projeções superficiais. Ex. Carcinoma papilar.
Verrucoso: Aumento de volume exibindo superfície rugosa e verrucosa. Ex. Verruga vulgar.