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Diagnóstico Diferencial das Dores Orofaciais

   Apesar de ser comum encontrarmos dores na boca e face oriundas de dentes, gengivas e articulações temporomandibulares (ATM), não devemos nos ater somente a estas estruturas quando examinamos o paciente com dores orofaciais, pois outros tecidos da cabeça e do pescoço também podem ser fontes de dores e confundir o diagnóstico das condições mais frequentes. É preciso que o examinador, seja ele Cirurgião Dentista, Médico, Fisioterapeuta ou outro profissional de saúde envolvido com o caso tenha um prévio conhecimento destes achados atípicos para não verem frustrados seus planos de tratamentos, o que pode provocar um abalo na relação paciente-profissional, além do prolongamento da resolução terapêutica.

   As doenças mais simples que podem se constituir em uma dificuldade diagnóstica são as sinusites, otites, mucosites provocadas por ulcerações aftosas e candidíase, cefaléias como a migrânia e a tipo-tensional, faringites e tonsilites com irradiação dolorosa para a região periauricular e cervicalgias referindo dor facial.

   Patologias mais raras ou condições mais complexas também serão desafiadoras, mesmo para os clínicos mais experientes e em várias ocasiões necessitarão de um estudo multidisciplinar para a correta classificação diagnóstica e escolha da melhor conduta terapêutica. São exemplos destas condições as cefaléias autonômicas causando dor facial e odontalgia, as neuralgias trigeminais primárias ou secundárias, a neuralgia glossofaíngea, neoplasias benignas ou malignas e suas dores locorregionais ou referidas, as neuralgias pré e pós herpéticas e as dores idiopáticas persistentes relacionadas à síndrome de ardência bucal e odontalgia atípica.

   Em alguns casos doenças sistêmicas podem ser a causa de disfunções da ATM e assim dificultar o verdadeiro diagnóstico de base. Um exemplo são as doenças do conjuntivo, de origem reumatológica, que podem acometer a região bucofacial e provocar, além das DTM, um amplo espectro de manifestações bucofaciais como hipossalivação e disestesias orais.

   Uma condição extremamente comum, mas cujo diagnóstico é dificultado pela escassez de referências na própria literatura é a pressão de hastes de óculos sobre a região têmporomandibular. A compressão das estruturas neurovasculares, músculo, tegumento e o próprio periósteo subjacente, durante anos pode levar a um quadro de dor primária e secundária mimetizando uma cefaléia e ou DTM. Veja imagem em anexo

   Para a resolução destes enigmas diagnósticos, o examinador terá de possuir grande capacidade semiológica, estar atento à evolução do tratamento e não se furtar a pedir opiniões e pareceres de outros especialistas da área da saúde.

   É sabido que a grande maioria dos casos de dores orofaciais tem explicações fisiopatológicas relativamente simples, o que favorece a escolha terapêutica apropriada e melhora clínica o mais breve possível. As situações onde, em pelo menos 3 meses, não ocorra remissão sintomática adequada, devem ser revistas quanto ao diagnóstico e poderão ser também indicados exames complementares, imaginológicos, histopatológicos ou sorológicos que complementem os exames já solicitados previamente.

   Que este texto possa servir de alerta e estímulo ao examinador das patologias dolorosas bucofacias para um crescimento e aprimoramento em suas capacidades investigativas visando à celeridade no diagnostico e pronta recuperação dos pacientes.

Parceria em encontro de Odontologia Hospitalar & Medicina Oral

Aos interessados,

 Estamos desenvolvendo no Hospital dos Servidores - Rio de Janeiro (HSE-RJ), uma atividade que tem a intenção de servir de modelo para outras unidades brasileiras. Trata-se da Odontologia Hospitalar, um campo de atuação ligado a Medicina Oral que tem sido pouco explorado e que, recentemente, foi objeto de ampla divulgação através do projeto de lei do Dentista na UTI.

 Este Hospital Federal é credenciado junto ao Ministério da Educação e Saúde como um centro de Ensino e Pesquisa na área da saúde, contando com serviços médicos reconhecidos nacional e internacionalmente. No HSE, atuamos em interdisciplinaridade com os demais serviços médicos em protocolos clínicos baseados em evidências científicas, e adaptados à realidade individual do nosso e demais serviços.

 Assim, pacientes com cardiopatias, nefropatias, pediátricos, reumatológicos, neurológicos e com outras necessidades, além de pacientes internados em enfermarias ou em unidades intensivas recebem apoio de um Serviço de Odontologia Hospitalar modelo para consultas clínicas ambulatoriais no próprio serviço ou com unidades móveis portáteis que permitem a atuação do CD em outras dependências do Hospital.

 Além disso, estamos em processo de credenciamento para nos tornarmos um Centro de Especialidades Odontológicas, para o atendimento de pacientes especiais e com compromentimento sistêmico, controle das Dores Orofaciais e Disfunções da ATM, Estomatologia e Cirurgia Bucofacial.

 Com o intuito de divulgar esta atividade e propagar a excelência que esta modalidade de atendimento exige estamos organizando uma Jornada de Odontologia Hospitalar no Centro de Estudos do HSE. Para este evento esperamos poder contar com a parceria de empresas, instituições e profissionais de renome para aprimorar conhecimentos e fomentar a busca de soluções para este campo de atuação.

 Desta forma, convidamos aos interessados para nos prestigiar no evento e pedimos o auxílio na divulgação (folhetos, cartazes e contatos via acessoria de imprensa) e/ou disponibilização de recursos para a recepção dos convidados e público geral.

 Para mais informações sobre o planejamento, acesse o link: jornada-hse

 CHEFIA DO SERVIÇO: PAULO GULBERFAIN

 COORDENAÇÃO: PAULO PIMENTEL

 CONTATOS e SUGESTÕES: HSE - 22913131 R: 3618 ; CELULAR: 0xx21 8885-0811

 

Encontro de Dor Orofacial no Congresso de Cefaléia

Caros Colegas,

A pedido do Prof. José Luiz Peixoto envio abaixo o folheto do Congresso do Comitê de Dor Orofacial e Disfunções da ATM que ocorrerá no Congresso Brasileiro de Cefaléia em Natal (9-11 de outubro). É um evento de ambito nacional que tem prestigiado a classe Odontológica.
Sua participação ou a indicação para alguém que se interesse pelo assunto será muito bem vinda.
Um abraço e obrigado.

Paulo Pimentel

(clique na imagem para facilitar a visualização)

O Porquê da Medicina Oral

Para os que me conhecem há pouco tempo, são importantes algumas considerações sobre o que faço e o que penso da medicina oral. Como cheguei nela e para onde gostaria que fosse.

Sempre tive grande interesse nas disciplinas básicas. Apesar de iniciar a faculdade de Odontologia na UFF com apenas 17 anos não tinha muita dificuldade em lidar com os temas relacionados à farmacologia, fisiologia e muito especialmente a patologia.

Foi com grande tristeza que vi o término do vínculo com estas disciplinas logo ao fim do primeiro ano de faculdade e por 3 anos praticamente não freqüentá-las. No período “profissional” a Estomatologia (do Prof. Evandro Feijó), a Patologia Bucal (dos Profs. Marcos Salles Cunha e Irani) e a Cirurgia Oral (Profs. Ribeiro Neto e Nésio) foram disciplinas que passaram sem que houvesse grande aprofundamento nos conceitos básicos que a fundamentavam. Não é uma crítica aos Mestres, mas sabemos como é corrida a grade curricular.

Durante este período o que mais me atraiu foi o estudo da dor. Nesta área de conhecimento (ou desconhecimento) eu sentia o estímulo da busca. Não tivemos praticamente nenhuma formação e tudo que eu achava era novidade.

Logo após o término da faculdade ingressei na Policlínica Geral do Rio de Janeiro para minha primeira pós-graduação em Oclusão. Este era (e erradamente ainda é) o termo que abrangia a área de conhecimento na Odontologia onde o foco era a dor.

Para justificar isto aos que não sabem da história, resumo que Costen descreveu a síndrome que levou seu nome lá pelos anos 40 do século passado. Nesta, havia presença de dor e vários sintomas otológicos associada à perda de dimensão vertical em pacientes que tinham próteses gastas ou não as utilizavam. Foi a primeira grande descrição da artromialgia da ATM e obteve muito sucesso. Até hoje vários livros-texto da Medicina ainda usam esta denominação. Daí a prótese e a oclusão se tornaram as grandes organizadoras da linha de frente na luta contra a dor orofacial. Se por um lado isto trouxe grande reconhecimento aos Dentistas que se valorizaram por conseguir controlar este sofrido sintoma, por outro colocou na mão dos reabilitadores orais uma responsabilidade para a qual estes não foram inteiramente preparados. Nos anos 70 a era reabilitadora atingiu seu nadir com o Prof. Peter Dawson e suas teorias de reabilitação profilática. A mudança neste paradigma só foi colocada na ordem do dia com os novos rumos da Associação Americana de Dor Orofacial e seus mentores Welden Bell seguido de J. Okeson. Hoje a oclusão, assim como a disfunção têmporomandibular, não é mais a tônica da dor orofacial. São conhecimentos com imensa relação com a ela, mas agora podem ser encaradas dentro de sua verdadeira relação. Atualmente, além delas são valorizadas a disfunção neural que ocorre nas dores crônicas, a influência dos fatores inibitórios periféricos e centrais, a regulação do sistema psicológico sobre o limiar de dor, a participação de fármacos na regulação bioquímica e finalmente a capacidade de se estabelecer um diagnóstico diferencial.

Voltando ao assunto de minha primeira pós na Oclusão da PGRJ, sempre fui meio rebelde (peço desculpas para com meus sofridos e estudiosos professores) por não me conformar com as explicações dadas. Eu queria, e ainda quero, que os sintomas cessem e por isso não sossegava enquanto o meu paciente não me comunicava a redução dos sintomas até seu completo desaparecimento.

Eu fazia meus front-plateaus, ajustes oclusais, montagens complexas em articuladores semi e totalmente ajustáveis, avaliações minunciosas das dimensões verticais e prematuridades oclusais na tentativa de entender e resolver as dores. Apesar de tentar ser extremamente otimista, motivador, quase um animador de auditório para os pacientes, este efeito placebo positivo tinha limites e a continuidade das queixas não me deixavam satisfeito.

Os ventos começaram a mudar com a chegada dos Neurologistas mais proximamente ao nosso convívio (e sou grato ao Prof. Marco Aurélio Bruno por esta oportunidade) na PGRJ. Com eles, e as novas diretrizes da AAOP, foi ficando mais claro o panorama. Agora as cefaléias se tornaram diagnósticos possíveis e mais definidos. A neuroanatomia e a farmacologia básica estavam suportando possibilidades fisiopatológicas que não conhecia e, ao final dos anos 90, tive a notícia de que um Dentista, o Prof. Barry Sessle havia se tornado o Presidente da Associação Mundial para o Estudo da Dor.

Este foi o gatilho para que eu recuperasse minha antiga e quase perdida paixão para com o estudo das disciplinas básicas. Agora não me sentia mais “um rebelde querendo descobrir o sexo dos anjos”, mas estava amparado no novo modelo “baseado em evidências” para comprovar a eficácia de minhas capacidades técnicas no controle da dor.

A primeira busca foi feita em uma pós em Endodontia. O diagnóstico diferencial das odontalgias foi se tornando mais claro e preciso. Depois vieram a Psicologia Médica e Psicossomática, o convívio com os Neurologistas em uma clínica de Cefaléia e a Estomatologia. Nesta última me deparei pela primeira vez com um difícil diagnóstico de dor periauricular por um câncer de hipofaringe. Este caso me fez repensar sobre vários dos casos que já tinham passado por mim e não foram fechados. Achei-me um inútil! Só pude provar para mim mesmo que não o era me dedicando ao ensino e divulgação aos colegas, que se interessam pelo mesmo assunto que o meu, sobre a importância do diagnóstico diferencial para a dor orofacial.

Contei com o apoio do Professor Fernando Botelho para fazer um projeto piloto no Serviço de Cabeça e Pescoço do Instituto Nacional do Câncer para estudar os sintomas iniciais dos pacientes com carcinomas. Este trabalho foi publicado e apresentado no Congresso Mundial de Dor da IASP em San Diego – EUA.

Neste momento me matriculei no Mestrado de Patologia Bucal da UFF com a proposta do estudo da Dor Orofacial e sua vertente “Diagnóstico Diferencial das Patologias Bucofaciais”. Agradeço a Professora Eliane Pedra, coordenadora da Pós em Patologia, por ter entendido e me apoiado. Voltei então ao Inca para a pesquisa de dissertação que apresentaria no mestrado “Relação entre Invasão Perineural e Dor nos pacientes com câncer da cabeça e pescoço” (link apresentacao-final-tese) . Defendi a dissertação com os Mestres e Doutores Jano Souza (Neurologista, Presidente da Sociedade Brasileira de Cefaléia), Fernando Dias (Chefe da Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Inca) e Simone Lourenço (Dentista e Professora da Patologia Bucal da UFF).

Depois de 15 anos de formado, atuante 100% em clínica odontológica, consegui retornar ao meio acadêmico, me atualizar em uma disciplina altamente complexa e afastada de minha vivência, e me tornar mestre aliando conhecimentos da clínica com a patologia básica. Para mim foi um marco.

De lá para cá, já se passaram quatro anos e outros momentos importantes vêm se apresentando. Dois deles são bastante representativos e culminaram no que acho hoje sobre a subvalorização que, nós dentistas, temos com a Medicina Oral.

O primeiro foi há quase três anos e já está na hora de ser amplamente divulgado. O caso é muito longo e para ser sucinto só vou aos fatos. Me inscrevi para o concurso da Universidade do Estado do Rio de Janeiro como candidato para o cargo de Professor Assistente da disciplina de Oclusão. Segundo as normas do Edital minha formação era perfeitamente válida. Com surpresa recebi a recusa para minha avaliação, “pois meu título de mestre em Patologia Bucal não era da área de Odontologia conforme a exigência do edital”… Pasmem! Isso é a mais pura verdade. Os desdobramentos disso ficam para outra oportunidade.

O segundo foi ao assistir uma palestra do Professor Osvaldo Nascimento, reconhecido Neurologista, especialista em neuropatias periféricas e dor neuropática. Durante sua brilhante apresentação pude ver o quão ignorante eu era (e ainda sou) nos temas médicos a respeito das neuropatias e conseqüentes dores. Isto apesar de minha dedicação à dissertação, pois o que descrevi também foi um tipo de dor neuropática.

Outro fim não poderia ser possível na medida que ele anunciou a possibilidade de uma Pós em Neurociência para a área de saúde em geral. Daí, cá estou eu partindo em direção a este novo campo, que se abre para que melhor compreendamos os difíceis e intrincados caminhos das dores orofaciais. E, mais amparado do que nunca, me coloquei na frente de batalha para que a Medicina Oral e suas vertentes clínicas e básicas sejam colocadas em seu legítimo grau de importância.

Dor Orofacial na Mídia

Esta semana foi veiculada matéria no Jornal Folha de Niterói sobre a atuação do CD na Dor Orofacial, Patologia Bucal e no controle da Halitose. Ver link. Acho que vale a pena dar uma lida.

Conheci a Bárbara, jornalista do semanário, depois de fazer algumas inserções para divulgar o atendimento que iniciei no Centro da dor e na Clínica Santa Lúcia, em Niterói. É a oportunidade que esperava de tentar viabilizar no âmbito privado todos os ideais que venho tentando implementar também no Hospital dos Servidores do Estado.

A entrevista para o texto possui algumas pequenas falhas que não interferem com a idéia principal que passei para a Bárbara. Tenho que agradecer a ela pela paciência e cooperação pois se numa conversa pessoal já é complicado de se comunicar e se fazer entender, imaginem por telefone. Agradeço também por ela (a Jô e toda equipe do jornal) ter entendido a importância da divulgação deste tema. Eu realmente não forcei a barra para a entrevista. A sua importância surgiu espontâneamente, MESMO. E espero que os leitores do jornal, assim como os daqui do Blog entendam a mensagem.

Alguns trechos foram adaptados dos últimos posts (Dor Orofacial e Halitose) mas outros surgiram no nosso papo telefônico. A íntegra pode ser lida abaixo ou lá no link.

Aproveito para explicar que uma página com arquivos para Download foi criada. Nela estão a aula do ODONTORIO sobre alguns protocolos de Medicina Oral (baseada no Sonis - Secrets of Oral Medicine) (em ppt), mesclada com o artigo do Questionário de Saúde dos países europeus (em pdf). Nesta página poderão ser colocados outros artigos meus ou dos leitores aqui do Blog que sejam pertinentes ao tema Medicina Oral e se interessem na divulgação.

Termino este post adiantando que estão sendo criadas as condições para que a Residência em Odontologia Clínica seja criada. Será escrito um post específico para este tema, mas já vou esclarecendo que consegui votar 3 vezes na enquete aqui do site e em todas escolhi a opção “ainda não foi bem debatida”.

MATÉRIA (PARTE INICIAL DE DOR OROFACIAL E PATOLOGIA BUCAL)

Dor: é preciso estar atento aos sinais

Quando abrir a boca, bocejar ou mastigar passa a ser algo doloroso é hora de prestar atenção nos sinais que o corpo emite e procurar tratamento adequado. Dores agudas ou crônicas na boca e na face podem ser indicativos de doenças nas articulações, dentes, gengivas, faringe, músculos, vasos ou nervos. As chamadas dores orofaciais às vezes se espalham pelo pescoço, cabeça e ouvidos e podem ocorrer por seqüela de traumas ou ser o primeiro sintoma de um câncer.

“O dentista precisa ser especializado na área, também possuir amplo conhecimento para fazer um diagnóstico preciso e indicar o devido tratamento”, diz o especialista em Dor Orofacial, Disfunções da ATM e Endodontia, também doutor em Patologia e doutorando em Neurociências pela UFF Paulo A. Pimentel Jr. Segundo ele, o ideal seria que existisse uma residência médica, já que o número de horas de uma especialização corresponde a 600 e o de uma residência a 3 mil horas. Mas não basta concluir somente a especialização, nesse campo de estudo, é preciso que a pesquisa seja uma constante na vida do profissional.

Além da dor orofacial, a disfunção da ATM, ou seja, da articulação têmporo-mandibular, também provoca dores, mais sensação de pressão, aperto, estalos, crepitações, latejamento e pontadas ao abrir a boca, mastigar ou bocejar. Tais dores podem ser causadas pelo bruxismo (apertar ou ranger de dentes) noturno ou diurno e geralmente é acompanhada de dores no pescoço e zumbidos.

Fumo e bebida favorecem o câncer

Uma questão que chama atenção é o fato do difícil diagnóstico do câncer de boca, já que a manifestação se assemelha a outras enfermidades, confundindo o diagnóstico. “Normalmente o câncer é indicado por sinais como úlcera, manchas vermelhas ou brancas e dor. Os mais comuns são os da base da língua e da garganta, eles provocam dor em volta do ouvido, mas é preciso descobrir a origem dela por meio de exames”, explica Pimentel. Geralmente o câncer em estágio inicial não provoca dor. Porém, alguns pacientes mais sensíveis podem apresentar o sintoma e, logo tratados, obtêm resultados satisfatórios. De acordo com o mestre em Patologia Bucal, pessoas acima dos 50 anos de idade, que fumam ou bebem, têm mais chance de desenvolver a doença.

De uma forma geral, Paulo Pimentel diz que a dor, seja ela qual for, é uma epidemia, porque atinge grande parcela da população. Devido a essa incidência, as pessoas tendem a não procurar um profissional e passam a aceitá-la passivamente. “O que normalmente era para ser um indicativo se torna doença. A dor fisiológica protege o organismo, indica a causa de uma infecção ou inflamação. Já a nociva não, ela se estabelece em um órgão de resistência diminuída e persiste”, esclarece Pimentel. A dor epidêmica pode ser atribuída ao estresse, diminui a capacidade do indivíduo de filtrá-la, tornando o corpo mais suscetível a ela. Essa dor interfere no padrão neurológico devido a um desequilíbrio, quase sempre ligado a questões psicológicas, o que prejudica o funcionamento do nervo ou do sistema que inibe o nervo. Sendo assim, a pessoa fica impregnada de informação errada no sistema nervoso e sente dor sem um motivo físico real.

Todo tratamento depende de um correto diagnóstico e é direcionado à causa. A maioria dos casos é tratada com medicamentos, exercícios, fisioterapia, confecção de aparelhos oclusais intraorais e correção do posicionamento dentário e mandibular. Casos mais complexos exigem a avaliação conjunta com outras especialidades como Ortopedia, Neurologia, Otorrinolaringologia e Fisioterapia. Pacientes com problemas de saúde ou que estejam em condições especiais (gestantes, crianças, idosos, pacientes com fobias de consultório, entre outros) exigem um tratamento odontológico diferenciado.

Dossiê: Mau Hálito

http://www.halito.pt/html/halitose.html - Dr. Jonas Davi Cameira Gonçalves Nunes (Doutorando em Estomatologia no Departamento de Medicina Oral da Universidade de Sevilha, Espanha)

A halitose, vulgarmente conhecida como mau hálito, é uma patologia que, até há pouco tempo atrás, era responsável pela frustração de pacientes e profissionais de saúde devido, sobretudo, à escassez de recursos tecnológicos especializados. Na última década, em virtude dos avanços da tecnologia e das descobertas pela comunidade científica internacional, o diagnóstico e o tratamento da halitose tem evoluído de forma notória.

O rigor científico é fulcral na instituição de tratamentos bem sucedidos, de forma a corresponder às elevadas expectativas dos pacientes. Após a confirmação do diagnóstico e da identificação das causas da halitose, o paciente é conduzido ao especialista que intervirá na origem do problema, seja este do foro da Estomatologia e Medicina Dentária, Otorrinolaringologia, Gastrenterologia, Imuno-alergologia, Medicina Interna, Psicologia, Nutrição. A integração de diferentes especialidades médicas constitui um factor diferencial determinante para o sucesso do tratamento.

Actualmente, reconhece-se que a halitose pode ser um sinal ou sintoma de uma doença sistémica. Encontram-se identificadas mais de 50 causas para a alteração do hálito. Todavia, perduram certos mitos e preconceitos sobre a origem da halitose, como por exemplo: origem gástrica ou higiene oral deficiente como factores etiológicos universais.

Um dos principais problemas associados aos portadores de halitose é a diminuição da sua percepção, pois as células olfactivas rapidamente se adaptam a odores repetidos. Ora, o mesmo não se sucede àqueles que rodeiam os pacientes com esta patologia.

O uso de produtos disponíveis no mercado pode atenuar a halitose, mas não a resolve de forma eficaz e sem recidivas. Daí que seja fundamental o acompanhamento médico de pacientes com halitose por parte de especialistas que possuem os meios tecnológicos mais avançados para a identificação causal e para a elaboração de um tratamento realmente eficaz.

O que é a halitose?

O termo halitose deriva do latim. A palavra halitos significa “ar expirado” e o sufixo osis traduz uma alteração patológica. A halitose consiste numa condição anormal do hálito, no qual este se altera de forma desagradável quer para o paciente quer para as pessoas com as quais se relaciona. A halitose não é necessariamente uma doença mas um sinal indicativo de desequilíbrio fisiopatológico.

O tratamento da halitose contribui para a prevenção de problemas da cavidade oral (cárie, doença periodontal, xerostomia) bem como de doenças sistémicas (pneumonias, gastrite, enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral, nascimento de prematuros).

Os odores bucais tornam-se, inclusivamente, de suma importância na suspeita e no diagnóstico de algumas doenças sistémicas, para as quais o odor é característico. Nestas situações, o diagnóstico e o tratamento da doença sistémica causal cursam com a eliminação da halitose.

Howe descreveu que “o mau hálito tem a sua importância pelo facto de que é uma constante fonte de miséria para os seus portadores; por força das circunstâncias, eles costumam sentir-se azarados”. Na sua forma mais acentuada, a halitose interfere negativamente no relacionamento interpessoal. A harmonia familiar pode ser quebrada pela sensação de repugnância que gera mesmo nas pessoas mais tolerantes. Além disso, nem sempre o paciente se apercebe da sua patologia. Infelizmente, os amigos e parentes não têm, muitas vezes, coragem de revelar a razão do isolamento dos portadores de halitose severa.

O odor é produzido por pequenas partículas dispersas no ar capazes de imprimir a sensação olfactiva nas células receptoras da cavidade nasal. Estas partículas são conhecidas como odorivectores. Possuem composição e estrutura físico-química variáveis, e apresentam duas propriedades importantes: volatilidade e solubilidade em gorduras. A volatilidade traduz a possibilidade de dispersão no ar, enquanto a solubilidade em gorduras deve-se à alta percentagem de gorduras nas membranas das células receptoras.

Três tipos de odorivectores podem provocar halitose:

a) Compostos sulfurados voláteis. Existem em grande quantidade nos casos de doença periodontal e saburra lingual (ex: sulfidreto SH2, metilmercaptana CH3SH e dimetilsulfeto CH3-S-CH3).

b) Compostos orgânicos voláteis originados da putrefacção da matéria orgânica (ex: indol, escatol, putrescina, cadaverina, metano).

c) Compostos orgânicos voláteis de origem metabólica ou sistémica oriundos da circulação sanguínea (originados do próprio metabolismo), com proveniência de alimentos ingeridos ou medicamentos utilizados (ex: ácido beta-hidroxidobutírico, acetona).

Através do uso do cromatógrafo gasoso Oralchroma® é possível diagnosticar a halitose, quantificar a maior parte dos compostos acima descritos e, deste modo, estabelecer uma relação causal.

Causas de Mau Hálito

1. Halitose fisiológica (da manhã)

2. Dieta

3. Desidratação

4. Hipossalivação

5. Stress psicológico

6. Alterações morfológicas da língua

7. Halitose essencial

8. Língua saburrosa

9. Próteses porosas

10. Higiene oral deficiente

11. Doença periodontal

12. Cárie dentária

13. Cicatrização de feridas cirúrgicas

14. Neoplasia

15. Estomatite

16. Quisto dentígero

17. Miíase

18. Amigdalite

19. Faringite

20. Sinusite

21. Patologia das adenóides

22. Patologia das fossas nasais

23. Presença de corpos estranhos

24. Ingestão de alimentos com odor intenso

25. Tabagismo

26. Medicamentos

27. Absorção de substâncias pela pele ou mucosas

28. Hipoglicemia

29. Alterações intestinais

30. Alterações hepáticas

31. Alterações pulmonares

32. Alterações renais

33. Alterações gástricas

34. Diabetes

35. Hipertermia

36. Febre reumática

37. Distúrbios neuro-psíquicos

38. Reticuloendotelioses não lipídicas

39. Escorbuto

40. Doenças raras

• Magroglobulinemia

• Herpes simples

• Hemofilia

• Doença de Von Willebrand

• Crioglobulinemia

• Anemia aplástica

• Policitemia vera

• Agrunolocitose

• Leucemia

• Mononucleose

• Púrpura trombocitopénica

• Trombocitemia

• Sífilis

• Doença exantemática

• Hemorragia interna

• Granuloma eosinofílico

• Doença de Letterer-Siwe

• Doença de Hand-Schüller-Christian

• Granulomatose de Wegner

• Noma oro-facial

A consulta do Hálito

A consulta do hálito é composta por três fases:
- na primeira fase o médico investiga o diagnóstico etiológico;
- na segunda fase institui a terapêutica específica;
- na terceira fase, planifica as medidas dirigidas à manutenção dos resultados obtidos.

Em alguns casos raros, pode-se efectivamente não se confirmar a halitose. O paciente tem a percepção do mau hálito mas os resultados negativos em todas as medições efectuadas excluem o diagnóstico. Trata-se de uma alteração da percepção do odor de origem neuro-psíquica, cujo tratamento pode requerer o recurso a técnicas de psicoterapia

A primeira fase geralmente compreende uma ou duas consultas onde o médico elabora a história clínica do paciente e de forma individualizada pode solicitar diferentes exames auxiliares de diagnóstico, nomeadamente:

» Exame da halimetria com Oralchroma® para estudo computorizado do hálito.

» Sialometria (estudo da função das glândulas salivares em repouso, com um estímulo mecânico e eventualmente com um estímulo farmacológico)

» Teste bioquímico BANA®, identificativo da presença de bactérias associadas à doença periodontal (Bacteroides forsythus, Treponema denticola e Porphyromonas gingivalis) e à produção de diversos odorivectores causadores de halitose.

» PHmetria da língua,

» Teste colorimétrico Halitox®

» Teste genético de susceptibilidade da doença periodontal.

» Outros exames (hemograma, glicemia de jejum, ureia, creatinina, ácido úrico, perfil lipídico, urina tipo II, proteína C reactiva, teste do desafio da colina, teste da ureia, teste do permanganato, anticorpos anti- nucleares, prova do látex, Waller Rose, sialografia das glândulas salivares, biopsia do lábio, etc…).

A segunda fase inicia-se com a instituição da terapêutica adequada às causas individuais apuradas na primeira fase. Esta fase é caracterizada pela prescrição de medicamentos, orientações individuais de higiene e alimentação, sessões de profilaxia e higiene oral e nasal, intervenções terapêuticas médicas e cirúrgicas eventualmente necessárias, acompanhamento com recurso a novos exames auxiliares de diagnóstico com o fim de confirmar evolução positiva, instrução ao paciente dos factores condicionantes da sua halitose, entre outros. Esta fase compreende geralmente uma consulta por mês durante um período de quatro a seis meses.

A 3ª fase é variável, podendo até não existir, dependendo da necessidade ou não de realizar consultas de controlo ao longo da vida.

O tratamento do mau hálito

Existem 3 tipos ou filosofias de tratamento para o hálito. Os dois últimos (profilático e curativo) são os preferidos pelo CIH, pela sua maior eficácia. Os 3 tipos de tratamento são o mascarador, o profilático (preventivo) e o curativo:

Tratamento mascarador.

Este é o tipo de tratamento que em geral o paciente já utilizou e utiliza (porque é relativamente intuitivo) sem grande sucesso. O hálito incómodo leva estas pessoas a lançarem mão de todos as formas para mascarar o hálito que exalam, nomeadamente desodorizantes orais, pastilhas elásticas com odor forte (ex: menta ou canela), sprays orais, elixires e anti-sépticos vários, alcaçuz, etc… O que sucede, em última análise, é a anulação do mau cheiro por um outro cheiro que se vem a sobrepor, mais forte e agradável, mascarando o odor original por poucas horas. Esta preocupação torna-se, em algumas pessoas, uma prática diária e continuada, passando com o tempo a ser quase um vício.

Tratamento profilático (preventivo).

Compreende todas as medidas que uma pessoa pode tomar para prevenir o aparecimento de mau hálito (quando ainda não o tem). Nomeadamente, compreende medidas de higiene oral (ex: escovagem da língua), dietéticas (ex: evitar a ingestão de alimentos com odor forte) e medicamentosas (ex: uso de bochechos frequentes com água oxigenada). Existem inúmeras medidas que podem ser tomadas que baixam de forma significativa a probabilidade de vir a sofrer de halitose.

Tratamento curativo.

Neste caso é fundamental em primeiro lugar um diagnóstico preciso sobre a origem ou causa do mau hálito afim de se poder eliminar as causas locais para depois se chegar à suspeita e à solução de possíveis causas sistémicas. Isto porque a halitose poderá ser devida a um número diferente de razões concominantes. A remissão da halitose dar-se-á pela cura da afecção que determina a produção de gases voláteis causadores do mau cheiro. Sendo a halitose um efeito, somente desaparecerá depois de eliminada a respectiva causa. Contudo, em certas situações, a causa não pode ser removida prontamente ou é irremovível (ex: halitose por neoplasia), nestes casos, lança-se mão de outros meios de combate à halitose.

Apesar do que centenas de fabricantes de elixires afirmam sobre o facto de os seus produtos “curarem” o mau hálito, grande percentagem da população que os experimenta sabe que infelizmente não resultam na maior parte dos casos. Torna-se pois, impossível realizar um tratamento com sucesso sem um bom diagnóstico e para um bom diagnóstico torna-se necessário ter tecnologia de ponta como o Oralchroma, testes BANA e recurso a outros exames quando necessário.

Fonte: CIH - Centro de Investigação do Hálito
Reproduzido com autorização do Autor

Questionário de Saúde nos países europeus - Baseado na Classificação ASA

O questionário de saúde é uma ferramenta importante do ponto de vista profissional, ético e legal. Permite a avaliação geral do paciente otimizando as perguntas sobre o estado da doença atual e história médica pregressa. Orienta a elaboração de um plano de tratamento baseado em situações médicas específicas. É um documento legal para ser anexado ao prontuário do paciente confirmando a sua execução prévia e servindo de garantia para situações onde o paciente omite informações.

O CFO disponibiliza o prontuário odontológico com um questionário de saúde em seu site - http://www.cfo.org.br/download/pdf/prontuario_2004.pdf. Algumas citações do documento são relevantes para este post:

ROMANO et al (2000): “relatam que ao chegar ao consultório o paciente traz um histórico de saúde desconhecido pelo Cirurgião-Dentista. Informa que através da anamnese se pode identificar as doenças crônicas que requererão cuidados específicos as quais poderão interferir na condução do tratamento odontológico.”

SILVA (1999) “mesmo em um consultório em que o movimento é intenso, não poderá o profissional descuidar da anamnese, devendo nestes casos adotar um questionário que será preenchido pelo paciente e, quando ocorrer o contato com o profissional este procederá ao aprofundamento necessário sobre as questões relativas à saúde do paciente.”

SILVA; LEBRÃO; BLACKMAN (2001): “verificaram a qualidade dos registros dos hospitais do setor público da cidade de São Paulo e constataram que os Cirurgiões-Dentistas, responsáveis pelos atendimentos hospitalares, estão relegando ao segundo plano o preenchimento dos prontuários, ao mesmo tempo em que enfatizam ser o diagnóstico completo e detalhado, com as causas externas das lesões descritas, uma retaguarda fundamental para assegurar às pessoas atendidas o direito à cidadania.”

O questionário de saúde sugerido é apresentado na página 28 e mostra as tradicionais perguntas sobre a anamnese que conhecemos desde a faculdade.

No mês de maio foi publicado uma pesquisa multicêntrica sobre a utilização de um questionário de saúde baseado na classificação ASA (da Associação Americana de Anestesistas). A importância deste documento em relação ao que normalmente usamos (baseado no do CFO) é o dimensionamento dos problemas quanto ao risco de emergências ou intercorrências médicas. Do ponto de vista técnico, científico e até jurídico vale a pena utilizar este questionário também por ter sido validado em 10 países europeus.

O abstract pode ser baixado no Medline. O nome do artigo em Inglês: A patient-administered Medical Risk Related History questionnaire (EMRRH) for use in 10 European countries (multicenter trial) do jornal 5 oral. Para quem não tem experiência no uso do Medline basta copiar e colar este título na barra de procura e teclar enter. Depois clicar no texto para abrir a janela do Abstract e ler o resumo.

Como atividade do Curso de Medicina Oral e Odontologia Hospitalar tenho incentivado a tradução de textos científicos recentes. A Dra. Antoinette Góes, aluna do curso, interessou-se pela tradução deste grande e difícil texto. Nesta tradução completa do artigo há também o texto para aplicação do questionário baseado na classificação ASA. Quem tiver interesse no Download pode mandar uma mensagem para o campo comentário deste post que eu envio sem custos.

Enviei para o Prof. Luzi Abraham-Inpijn, MD, PhD da Univ. de Amsterdam o pedido de autorização para a tradução do questionário para o português visando sua aplicação no Serviço de Odontologia do Hospital dos Servidores do Estado

Desabafo de uma Dentista muito Especial

 Recebi o interessante texto abaixo de uma acadêmica de Odontologia que  não quer deixar de lutar pelos seus sonhos. Por enquanto ela prefere que fique anônimo.

“Caro Paulo Pimentel,

Peço licença pra contar um pouco mais de minhas dúvidas e anseios.
Estou terminando agora em junho minha faculdade de odontologia e tenho 22 anos. Desde pequena sempre quis ser dentista sem um motivo aparente… fiz vestibular e passei.
No início da faculdade nunca me interessei pelas disciplinas convencionais, li em algum site na internet que existia uma tal de odontologia sistêmica e coloquei na cabeça que era isso que eu queria….
Depois fiz uma optativa de medicina legal, e queria ser Odontolegista…
Por fim, nesse período, tive uma aula com um dentista especialista em Odontologia Oncológica do INCA e pensei: “É isso que eu quero!”
Nunca me fascinei pelas disciplinas mais técnicas (ao meu ver)… talvez eu não tenha muita habilidade manual, talvez eu queira mais do que abrir e fechar buracos…talvez eu queira cuidar de pessoas e não de dentes… Não pense que sou uma frustrada que gostaria de ser médica, não sou não, nunca pensei nisso… queria mesmo ser dentista… mas não sabia que, para a maioria, ser dentista era apenas olhar os dentes!!
Durante muitos momentos pensei em desistir… pensei que não “dava pra coisa” e agora que o fim da faculdade se aproxima, minhas dúvidas e minhas incertezas aumentam cada vez mais!!
Ultimamente tenho pensado muito em levar minha iniciante carreira para um lado mais abrangente do que preparos e provisórios.. Já fiz inclusive atualização em dentística… sei da importância de saber fazer bem esse tipo de coisa… ainda mais no início… estava pensando até em fazer um curso de endodontia… mas, definitivamente, não é fechada num consultório que eu quero ficar…
Gosto de cirurgia, mas sei lá, acho que não faria Buco maxilo… por todos os preconceitos que envolve e toda a dedicação que demanda… (pretendo casar, ter filhos…) fiz um ano de estágio no Salgado Filho, e fiquei completamente apaixonada pela atmosfera do hospital…
Pensei muito em fazer Odontologia para pacientes especiais… gosto inclusive de atender crianças, e os pacientes com limitações motoras e mentais me fascinam… parece que ouvi um chamado sabe…. como as freiras dizem… acho que tenho que cuidar desse tipo de pessoa…
A área de oncologia me agrada bastante…. assim como a estomatologia em geral…
Há alguns meses comprei o Silverman de Medicina Oral… durante toda a faculdade meu sonho sempre foi comprar esse livro… mas sempre tinha que comprar outros mais urgentes para estudar, por exigência da faculdade…
Peço desculpas por todo esse desabafo… mas quando vi no seu blog que existia um curso que envolve tudo que eu amo na odontologia… fiquei muito animada com a possibilidade de realizar meu sonho…
Meus amigos me acham meio doida por isso, meus professores me vêem com aquela cara de “Coitada vai morrer de fome!” e meus familiares me olham como quem diz “Mas se ela não quer cuidar de dente gastei dinheiro a toa”… Mas, sinceramente, acho que temos que fazer o que nos faz feliz e eu realmente só me vejo feliz no futuro se eu estiver dentro de um hospital, cuidando dos pacientes internados, de patologias orais e de pacientes que necessitam de atenção especial….

Mais uma vez peço desculpas por te alugar… agradeço se você chegou até aqui lendo tudo isso que eu tento explicar para as pessoas, mas elas parecem não querer entender, (exceto meu noivo que foi o único até hoje que me deu força… talvez por ser enfermeiro!)

Queria que você me informasse sobre o curso e se vai abrir uma nova turma quando terminar essa… é minha última esperança de ser feliz!! Espero que possa me ajudar!!!
Não pense que eu sou uma louca carente e descontrolada, só estou um tanto quanto apavorada com o final da faculdade!

Bom, isso é tudo!”

Prova para Dentista dos Bombeiros-RJ

    Nesta bela manhã de domingo aproximadamente 4 mil Dentistas do Rio de Janeiro estiveram nas dependências da UNISUAM, em Bonsucesso, para realizarem as provas para ingresso na Corporação dos Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro. A prova correu de forma tranquila e sem maiores problemas. Sobre o conteúdo chamou a atenção a grande quantidade de perguntas relacionadas ao tema Medicina Oral.

    Algumas das mais importantes foram:

    Achados clínicos e odontológicos no Hipotireoidismo (ver revisão em http://www.pediatriasaopaulo.usp.br/upload/pdf/677.pdf) como pele fria, seca, macroglossia, erupção dentária retardada e distúrbio do desenvolvimento.

    Dor facial pulsátil associada a cefaléia episódica recorrente responsiva à indometacina. Quadro típico de Hemicrania Paroxística.

    Conduta do CD frente a paciente utilizando terapia anticoagulante para histórico de tromboflebite, necessitando exodontia. A avaliação do tempo de pró-trombina indicará o momento propício para realização do procedimento.

    Paciente hipertenso moderado necessitando procedimento cirúrgico quanto à dose total de anestésico local contendo lidocaína a 2% e adrenalina 1:100.000. O limite de 2 tubetes é o indicado.

    Ocorrência de granuloma gravídico em paciente grávida, associada a doença periodontal.

    Freqüência mais comum do ameloblastoma.   

   Conduta frente às pérolas de Epstein, cistos epiteliais localizados na linha média palatina, que desaparecem espontâneamente.

    Manifestação oral da infecção pelo HIV. Dentre inúmeras outras manifestações como candidose, linfomas, sarcomas é observada a leucoplasia pilosa oral.

    Mais detalhes da prova amanhã ao sair publicado o gabarito e questões. Porém, é sempre louvável a presença de questões de Medicina Oral (CTBMF, Atendimento a pacientes especiais, Dor Orofacial, Estomatologia e Patologia Bucal).

Dor Orofacial e DTM, dicas e macetes clínicos

Clique na imagem abaixo para melhor visualização

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ESTE CURSO TEM COMO OBJETIVO:

  • estimular o raciocínio fisiopatológico nos casos rotineiros, valorizando o senso clínico no diagnóstico.
  • fomentar o estudo da Medicina Oral como base para a Dor Orofacial: farmacologia, fisiologia, patologia bucal, estomatologia e atendimento de pacientes com comprometimento médico.
  • apresentar informações úteis para o tratamento e controle da Dor Orofacial e Disfunção da ATM.

PROGRAMA RESUMIDO:

  1. Aprimorando o raciocínio fisiopatológico para o diagnóstico.
  2. Linguagem não verbal no paciente com dor.
  3. Fatores etiológicos e modificadores
  4. Resolução rápida ou SOS
  5. Casos complexos e interdisciplinaridade

LOCAL:

  • SEDE ABORJ, R. Barão de Sertório, 75

DIA / HORÁRIO:

  • 26/06/2008, das 15 às 19 horas