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Definição para Medicina Oral

   Navegando pela internet acessei o site da Associação Britânica de Medicina Oral. Lá existe uma definição do assunto e áreas de atuação. Veja abaixo:

 

   WHAT IS ORAL MEDICINE?

   “The specialty of dentistry concerned with the oral health care of patients with chronic, recurrent and medically related disorders of the oral and maxillofacial region, and with their diagnosis and  non-surgical management.”   Oral Medicine is the specialty of dentistry that sits at the interface between dentistry and medicine.  Many Oral Medicine specialists have dental and medical qualifications, and both are  now requirements for entry to training that leads to appointment as a Consultant in Oral  Medicine.  This reflects that the specialty had its origins in dentistry, but has evolved to  formally encompass medical aspects of care.

   The key difference from Oral and Maxillofacial Surgery is that the emphasis in Oral Medicine is on conditions that are primarily managed without the need for surgery.

 

   There are three main, inter-related aspects to the practice of Oral Medicine:

OOOClinical care

OOOResearch

OOOLearning and teaching


   Evidence-Based Clinical Practice
   The Society strongly advocates the use of evidence-based clinical practice wherever possible.
   Society members have made important contributions to the published evidence-based databases including contributions to: 

OOOCochrane Organisation

OOOClinical Evidence

OOO4th World Workshop on Oral Medicine 

 

   Through this combination of activities and skills, Oral Medicine Units provide an important and unique specialist service to patients and clinicians for the care of complex, chronic clinical problems.

Odontologia Baseada em Evidência

    O editor de uma das revistas médicas mais influentes do mundo, o British Medical Journal, expressou de forma muito clara um dos principais problemas enfrentados pela Medicina Moderna: “Existem cerca de 30.000 revistas biomédicas no mundo, no entanto, somente cerca de 15% das intervenções médicas estão apoiadas em evidência científica sólida. Muitos tratamentos nunca foram avaliados”. Uma das respostas mais sistemáticas a esse problema foi dada por um movimento dentro da Medicina que ficou conhecido como Medicina Baseada em Evidência; “Um novo paradigma para a prática médica está emergindo. Nós o chamamos de Medicina Baseada em Evidência. Ele diminui a ênfase na intuição, experiência clínica não sistematizada, e a racionalidade patofisiológica como bases suficientes para a tomada de decisão clínica, e enfatiza o exame da evidência proveniente da pesquisa clínica”.

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    Assim inicia o capítulo sobre Odontologia Baseada em Evidência (OBE) do Prof. Paulo Nadanovsky, do departamento de Epidemiologia da UERJ, uma das maiores autoridades no Brasil em epidemiologia odontológica.

    Neste capítulo ele questiona várias situações cotidianas da clínica odontológica que, apesar de aparentemente aceitáveis, podem não ter, por enquanto, base científica que as justifiquem. Explica a consulta a bases de dados que devem fundamentar as decisões clínicas e os detalhes metodológicos que tornam uma publicação confiável.

    Hoje, por exemplo, não se aceita mais que artigos isolados sejam utilizados como referência para condutas clínicas, então, revisões sistemáticas e metanálises adquirem cada vez mais importância e sua consulta deve se tornar cotidiana aos clínicos (ver capítulo 18 do livro), especialmente os que lidam com a Medicina Oral e Odontologia Hospitalar.

    É um texto importantíssimo para os estudantes e profissionais de Odontologia que querem se manter atualizados, tomar decisões corretas, éticas e honestas para os pacientes.

 

    Com a autorização do autor e da editora Atheneu estamos disponibilizando o capítulo 17 para download no link: http://medicinaoral.org/blog/wp-content/uploads/2009/09/obe_prof-nadanovsky.pdf, obrigado a ambos pela gentileza.

    Mais informações sobre o livro “Epidemiologia e Bioestatística em Odontologia” dos Professores, Ronir Luiz, Antonio Costa e Paulo Nadanovsky, podem ser adquiridas no site da Editora Atheneu:  www.atheneu.com.br.

O Dentista brasileiro é preparado para prescrever medicamentos corretamente?

    A utilização de medicamentos em Odontologia segue os mesmos princípios do uso de fármacos na Medicina. Todas as drogas que tenham algum efeito benéfico sobre as condições bucofaciais podem e devem ser prescritas pelo CD, mas isso exige deste profissional o conhecimento pleno dos efeitos que essas substâncias provocarão no paciente.

    Assim, não só efeitos positivos almejados serão obtidos, pois a ação da droga seguirá os caminhos da absorção, biotransformação, distribuição até chegar ao órgão alvo e finalmente a eliminação. E em todo esse processo produzirá compostos e afetará a função do fígado, sangue e todos os órgãos até sua excreção pela urina, fezes, suor, expiração, lágrima e saliva.

    Não seria importante que o CD conhecesse todo esse processo a fundo? Existe alguma justificativa para que o tempo de estudo da farmacologia, fisiologia e bioquímica seja menor que o aplicado aos futuros médicos? Não seria importante que o CD tivesse uma formação básica em Clínica Médica para melhor compreender o efeito das drogas nos órgãos por onde passa?

    Além disso, existem os efeitos colaterais, reações adversas e interações medicamentosas. É justo que uma droga prescrita pelo CD provoque um efeito colateral e que o tratamento deste efeito tenha que ser controlado pelo médico? Por exemplo, é fato conhecido que os opióides são causadores de constipação intestinal. Então ao administrar esse medicamento para o controle de uma dor severa o CD deverá encaminhar o paciente ao gastroenterologista para monitorar sua evacuação? Outro exemplo, um paciente idoso que utilize várias medicações precisará sempre levar nossa receita para o médico autorizar seu consumo? Um alergista deve receber nosso paciente que apresentou coceira após o uso de antiinflamatórios?

    Foi pensando nessas situações clínicas rotineiras que elaborei esta enquete sobre a competência do CD para administrar drogas. Eu aqui não estou digitando para os que se contentam em prescrever dipirona, diclofenaco e amoxacilina. Talvez umas 6 horas de treino na faculdade possam permitir que essas três drogas sejam prescritas sem maiores problemas (se bem que mesmo estas três também causem efeitos colaterais e tenham interações). Penso sim no CD que atue em Odontologia de forma plena, utilizando conscientemente a Medicina Oral como base de suas ações, mesmo na clínica odontológica básica.

    E penso ainda no CD que quer expandir seus horizontes e exercer, por completo, a CTBMF, a estomatologia, atender pacientes com comprometimento sistêmico, idosos, grávidas, crianças e prescrever estabilizadores de membrana, opióides, tricíclicos, miorrelaxantes e ansiolíticos como se faz diarimente no controle das dores orofaciais complexas.

    Peço que os 40% que até hoje votaram “sim” reflitam sobre quais faculdades brasileiras preparam adequadamente o CD para todas essas situações, oferecendo inclusive internatos hospitalares para a sedimentação do conhecimento.

    Aceito todas as críticas pertinentes e também as manifestações de apoio dos que entenderam a enquete e querem fazer alguma coisa para mudar esta incoerência.n

O Dentista brasileiro é preparado para prescrever medicamentos corretamente?
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Medicina Oral e Odontologia Hospitalar - mobilização e mercado (no CIORJ-2009)

  

   Prezados colegas
   Será realizado no próximo CIORJ,  um Fórum sobre Medicina Oral e Odontologia Hospitalar abordando a questão da inserção do CD neste, ainda pouco explorado, mercado. O espaço disponibilizado será dividido em duas partes. Na primeira serão apresentadas experiências de sucesso na atuação odontológica em instituições hospitalares e sugestão de ações para a sua efetivação. Na segunda haverá oportunidade para um debate técnico e corporativo das condições de mercado sobre o tema. Serão enviados convites às Associações e Entidades interessadas no assunto (CFO, CRORJ, ABORJ, ABOPE, SOBRAPE, SOBEP, CBCTBMF, CDOSBC, ABRAOH, AMIB, SBED). É importantíssima a participação de todos.

  (*) Aproveito para agradecer ao generoso Coordenador do Evento, Dr. Paulo Murilo Fontoura Jr. pela disponibilização do espaço. A Medicina Oral e a Odontologia Hospitalar agradecem.

T|ítulo do Fórum

   Medicina Oral e Odontologia Hospitalar - Mercado atual

Ementa

   A Medicina Oral, para se consolidar e tornar-se uma realidade, acadêmica, institucional e profissional, deve gerar lucro. Qualquer atividade só se estabelece na medida que são satisfeitas as necessidades do capital. A viabilização profissional da Medicina Oral e da Odontologia Hospitalar (MOOH) e o projeto de lei do Dentista na UTI só serão factíveis se proporcionarem ganhos financeiros a todos interessados, além dos já bem debatidos ganhos para a saúde do paciente.
   É notório que existem vários pontos em comum entre as especialidades odontológicas que compõem a Medicina Oral (Patologia Bucal, Pacientes Especiais, CTBMF, Dor Orofacial e Estomatologia, incluindo a Periodontia Médica, e a própria Odontologia Hospitalar), mas o principal deles é que estamos em desvantagem financeira e corporativa em relação a outras especialidades odontológicas e até mesmo outras profissões da área da saúde.
   É preciso concentrar esforços para atingir o principal público-alvo, a saber, os proprietários de hospitais, de convênios médico-odontológicos, o poder público, empresas do meio odontológico e médico, os profissionais da saúde (incluindo até nossos colegas), a mídia e a população geral.
   Sem a compreensão de todos do que é, e para que serve a Medicina Oral, não será possível fazer qualquer objetivo tornar-se realidade.

Objetivos da Atividade

   Apresentar a realidade da MOOH através da experiência profissional e acadêmica de profissionais envolvidos com o tema.
   Debate com a platéia
   Propor idéias para aglutinar os profissionais, entidades, sociedades, associações e instituições odontológicas visando uma mobilização para tornar financeiramente viável a atuação em MOOH.
   Receber sugestões para mobilização da opinião pública em favor da MOOH junto ao meio médico e público leigo.
   Discutir a criação de uma normatização institucional para a atuação em Odontologia Hospitalar.
   Inaugurar um calendário de discussão permanente dos assuntos de interesse da MOOH
   Estabelecer uma comissão coordenadora das atividades

Público-alvo

  Cirurgiões Dentistas

Expectativa de presença

  Com base nos últimos eventos realizados sobre o tema há possibilidade de reunir pelo menos 80 participantes.

Programa

  • Duração: 4 horas
  • Data: 18 de julho de 2009;
  • Horário: 09 às 13 horas
  • Local: RIOCENTRO em Jacarepaguá (auditório ainda a ser definido).

Medicina Oral nos EUA e possibilidades no Brasil

   

   No site da Academia Americana de Medicina Oral há um link interessante sobre o ensino da MO na graduação. Vale como pressão para os interessados em viabilizar essa esquecida e negligenciada opção acadêmica nos cursos brasileiros de Odontologia.

   É realmente uma pena que no Brasil não ocorra a valorização que esta área de conhecimento tem lá.

   Abaixo a tabela dos curso de graduação acreditados em Medicina Oral, com seus respectivos Coordenadores.

Program

Director

Phone

Harvard University

Dr. Sook Bin-Woo

(617) 732-6648

University of California, San Francisco

Dr. Caroline Shiboski

(415) 476-5976 

Carolinas Medical Center

Dr. Mike Brennan

(704) 355-5774

University of Pennsylvania

Dr. Eric Stoopler

(215) 898-9205

Louisiana State University

Dr. Thomas Shopper

(225) 334-1799 

University of Washington

Dr. Michael Martin

(206) 221-3785 

University of Medicine & Dentistry of New Jersey

Dr. Mahnaz Fatahzadeh

(973) 972-7211

University of Southern California

Dr. Glenn Clark

(213) 821-5298

UBC Dentistry Oral Medicine-Oral Pathology Postgraduate Hospital Residency

Dr. Eli Whitney

(604) 822-7194

 

    Uma das possibilidades de se incrementar o interesse pela Medicina Oral no Brasil é a oferta de internatos em Odontologia Hospitalar para o acadêmico de Odontologia. Através de parcerias entre Hospitais Gerais e faculdades teríamos o último ano (um quinto ano) nos moldes da Medicina. O “quase formando” circularia pelas disciplinas da Medicina Oral e seria preceptorado pelos Staffs dos Serviços de Odontologia Hospitalar.

   Esta é uma das propostas do Serviço de Odontologia do HSE, mas nos falta o interesse dos Coordenadores de curso e dos próprios alunos, exigindo tal formação. Interessados podem entrar em contato.

    (*) Lembro que em 29 de abril próximo será o encontro da Academia Americana

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Você acha importante o estudante do Odontologia cursar um Internato em Medicina Oral?
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O Porquê da Medicina Oral

Para os que me conhecem há pouco tempo, são importantes algumas considerações sobre o que faço e o que penso da medicina oral. Como cheguei nela e para onde gostaria que fosse.

Sempre tive grande interesse nas disciplinas básicas. Apesar de iniciar a faculdade de Odontologia na UFF com apenas 17 anos não tinha muita dificuldade em lidar com os temas relacionados à farmacologia, fisiologia e muito especialmente a patologia.

Foi com grande tristeza que vi o término do vínculo com estas disciplinas logo ao fim do primeiro ano de faculdade e por 3 anos praticamente não freqüentá-las. No período “profissional” a Estomatologia (do Prof. Evandro Feijó), a Patologia Bucal (dos Profs. Marcos Salles Cunha e Irani) e a Cirurgia Oral (Profs. Ribeiro Neto e Nésio) foram disciplinas que passaram sem que houvesse grande aprofundamento nos conceitos básicos que a fundamentavam. Não é uma crítica aos Mestres, mas sabemos como é corrida a grade curricular.

Durante este período o que mais me atraiu foi o estudo da dor. Nesta área de conhecimento (ou desconhecimento) eu sentia o estímulo da busca. Não tivemos praticamente nenhuma formação e tudo que eu achava era novidade.

Logo após o término da faculdade ingressei na Policlínica Geral do Rio de Janeiro para minha primeira pós-graduação em Oclusão. Este era (e erradamente ainda é) o termo que abrangia a área de conhecimento na Odontologia onde o foco era a dor.

Para justificar isto aos que não sabem da história, resumo que Costen descreveu a síndrome que levou seu nome lá pelos anos 40 do século passado. Nesta, havia presença de dor e vários sintomas otológicos associada à perda de dimensão vertical em pacientes que tinham próteses gastas ou não as utilizavam. Foi a primeira grande descrição da artromialgia da ATM e obteve muito sucesso. Até hoje vários livros-texto da Medicina ainda usam esta denominação. Daí a prótese e a oclusão se tornaram as grandes organizadoras da linha de frente na luta contra a dor orofacial. Se por um lado isto trouxe grande reconhecimento aos Dentistas que se valorizaram por conseguir controlar este sofrido sintoma, por outro colocou na mão dos reabilitadores orais uma responsabilidade para a qual estes não foram inteiramente preparados. Nos anos 70 a era reabilitadora atingiu seu nadir com o Prof. Peter Dawson e suas teorias de reabilitação profilática. A mudança neste paradigma só foi colocada na ordem do dia com os novos rumos da Associação Americana de Dor Orofacial e seus mentores Welden Bell seguido de J. Okeson. Hoje a oclusão, assim como a disfunção têmporomandibular, não é mais a tônica da dor orofacial. São conhecimentos com imensa relação com a ela, mas agora podem ser encaradas dentro de sua verdadeira relação. Atualmente, além delas são valorizadas a disfunção neural que ocorre nas dores crônicas, a influência dos fatores inibitórios periféricos e centrais, a regulação do sistema psicológico sobre o limiar de dor, a participação de fármacos na regulação bioquímica e finalmente a capacidade de se estabelecer um diagnóstico diferencial.

Voltando ao assunto de minha primeira pós na Oclusão da PGRJ, sempre fui meio rebelde (peço desculpas para com meus sofridos e estudiosos professores) por não me conformar com as explicações dadas. Eu queria, e ainda quero, que os sintomas cessem e por isso não sossegava enquanto o meu paciente não me comunicava a redução dos sintomas até seu completo desaparecimento.

Eu fazia meus front-plateaus, ajustes oclusais, montagens complexas em articuladores semi e totalmente ajustáveis, avaliações minunciosas das dimensões verticais e prematuridades oclusais na tentativa de entender e resolver as dores. Apesar de tentar ser extremamente otimista, motivador, quase um animador de auditório para os pacientes, este efeito placebo positivo tinha limites e a continuidade das queixas não me deixavam satisfeito.

Os ventos começaram a mudar com a chegada dos Neurologistas mais proximamente ao nosso convívio (e sou grato ao Prof. Marco Aurélio Bruno por esta oportunidade) na PGRJ. Com eles, e as novas diretrizes da AAOP, foi ficando mais claro o panorama. Agora as cefaléias se tornaram diagnósticos possíveis e mais definidos. A neuroanatomia e a farmacologia básica estavam suportando possibilidades fisiopatológicas que não conhecia e, ao final dos anos 90, tive a notícia de que um Dentista, o Prof. Barry Sessle havia se tornado o Presidente da Associação Mundial para o Estudo da Dor.

Este foi o gatilho para que eu recuperasse minha antiga e quase perdida paixão para com o estudo das disciplinas básicas. Agora não me sentia mais “um rebelde querendo descobrir o sexo dos anjos”, mas estava amparado no novo modelo “baseado em evidências” para comprovar a eficácia de minhas capacidades técnicas no controle da dor.

A primeira busca foi feita em uma pós em Endodontia. O diagnóstico diferencial das odontalgias foi se tornando mais claro e preciso. Depois vieram a Psicologia Médica e Psicossomática, o convívio com os Neurologistas em uma clínica de Cefaléia e a Estomatologia. Nesta última me deparei pela primeira vez com um difícil diagnóstico de dor periauricular por um câncer de hipofaringe. Este caso me fez repensar sobre vários dos casos que já tinham passado por mim e não foram fechados. Achei-me um inútil! Só pude provar para mim mesmo que não o era me dedicando ao ensino e divulgação aos colegas, que se interessam pelo mesmo assunto que o meu, sobre a importância do diagnóstico diferencial para a dor orofacial.

Contei com o apoio do Professor Fernando Botelho para fazer um projeto piloto no Serviço de Cabeça e Pescoço do Instituto Nacional do Câncer para estudar os sintomas iniciais dos pacientes com carcinomas. Este trabalho foi publicado e apresentado no Congresso Mundial de Dor da IASP em San Diego – EUA.

Neste momento me matriculei no Mestrado de Patologia Bucal da UFF com a proposta do estudo da Dor Orofacial e sua vertente “Diagnóstico Diferencial das Patologias Bucofaciais”. Agradeço a Professora Eliane Pedra, coordenadora da Pós em Patologia, por ter entendido e me apoiado. Voltei então ao Inca para a pesquisa de dissertação que apresentaria no mestrado “Relação entre Invasão Perineural e Dor nos pacientes com câncer da cabeça e pescoço” (link apresentacao-final-tese) . Defendi a dissertação com os Mestres e Doutores Jano Souza (Neurologista, Presidente da Sociedade Brasileira de Cefaléia), Fernando Dias (Chefe da Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Inca) e Simone Lourenço (Dentista e Professora da Patologia Bucal da UFF).

Depois de 15 anos de formado, atuante 100% em clínica odontológica, consegui retornar ao meio acadêmico, me atualizar em uma disciplina altamente complexa e afastada de minha vivência, e me tornar mestre aliando conhecimentos da clínica com a patologia básica. Para mim foi um marco.

De lá para cá, já se passaram quatro anos e outros momentos importantes vêm se apresentando. Dois deles são bastante representativos e culminaram no que acho hoje sobre a subvalorização que, nós dentistas, temos com a Medicina Oral.

O primeiro foi há quase três anos e já está na hora de ser amplamente divulgado. O caso é muito longo e para ser sucinto só vou aos fatos. Me inscrevi para o concurso da Universidade do Estado do Rio de Janeiro como candidato para o cargo de Professor Assistente da disciplina de Oclusão. Segundo as normas do Edital minha formação era perfeitamente válida. Com surpresa recebi a recusa para minha avaliação, “pois meu título de mestre em Patologia Bucal não era da área de Odontologia conforme a exigência do edital”… Pasmem! Isso é a mais pura verdade. Os desdobramentos disso ficam para outra oportunidade.

O segundo foi ao assistir uma palestra do Professor Osvaldo Nascimento, reconhecido Neurologista, especialista em neuropatias periféricas e dor neuropática. Durante sua brilhante apresentação pude ver o quão ignorante eu era (e ainda sou) nos temas médicos a respeito das neuropatias e conseqüentes dores. Isto apesar de minha dedicação à dissertação, pois o que descrevi também foi um tipo de dor neuropática.

Outro fim não poderia ser possível na medida que ele anunciou a possibilidade de uma Pós em Neurociência para a área de saúde em geral. Daí, cá estou eu partindo em direção a este novo campo, que se abre para que melhor compreendamos os difíceis e intrincados caminhos das dores orofaciais. E, mais amparado do que nunca, me coloquei na frente de batalha para que a Medicina Oral e suas vertentes clínicas e básicas sejam colocadas em seu legítimo grau de importância.

Protocolos de Atendimento em Medicina Oral

   A atuação odontológica no atendimento de pacientes especiais (crianças, idosos, grávidas e excepcionais) e pacientes com comprometimento sistêmico exige um embasamento nos protocolos de atendimento em Medicina Oral. Para sua aplicação, o Cirurgião Dentista deve ser preparado e muito bem informado nas diversas complicações e peculiaridades que esta modalidade de atendimento oferece.

HSE

   No Hospital dos Servidores do Estado, pertencente à rede do Ministério da Saúde no município do Rio de Janeiro (e cuja missão fundamental é o Ensino e a Pesquisa, além do digno atendimento aos pacientes), começamos a implantar esta metodologia de atendimento. Com a ajuda da Chefia do Serviço de Odontologia, representada pelos doutores Paulo Gulberfain e Victor Abreu e do Centro de Estudos do Hospital iniciamos em março de 2008 o 1º curso de Medicina Oral e Odontologia Hospitalar.

   O curso tem a finalidade dupla de propiciar informação aos alunos (todos CDs) e fomentar o envolvimento dos Staffs para essa nova dinâmica de trabalho. A existência de serviços de Odontologia em Hospitais de grande porte só se justifica se a estruturação do atendimento priorizar a Medicina Oral no atendimento clínico odontológico (ambulatorial, cirúrgico e motivação para prevenção em enfermarias com pessoal auxiliar e pacientes internados) e suas 4 especialidades-pilares, a Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (CTBMF), Patologia Bucal, Estomatologia e Dor Orfacial e Disfunções da ATM.

   Na elaboração dos protocolos serão utilizadas referências bibliográficas reconhecidas (Sonis, Silverman, Pertes, Neville, Petersen, Jornal 5 Oral , Jornal Orofacial Pain e outros) aplicadas às condições individuais deste Serviço e Hospital. Serão ainda consultadas as clínicas médicas do HSE quanto ao seu interesse na construção destas rotinas interdisciplinares de atendimento.

  

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   A Odontologia historicamente sempre foi representada nos Hospitais pela importante participação da CTBMF. Hospitais que possuem um Serviço de Odontologia completo são raridades, especialmente no setor privado. Comumente são vistos apenas nas Forças Armadas, meio Acadêmico e Hospitais Públicos. Espero que nossa iniciativa no HSE possa resultar em um modelo racional e fundamentado em bases científicas aplicado às condições específicas deste Centro de Saúde para um atendimento odontológico completo. E que sirva de semente para a implantação da Residência Odontológica neste Hospital que tem no seu currículo a 1ª Residência Médica do Brasil.

   Qualquer ajuda informativa (gestão, administrativa e científica) e financeira,  à esta iniciativa é bem vinda e este site servirá para a divulgação e aprimoramento do que for sendo aplicado.

O escopo da Medicina Oral

 

   A Odontologia exercida pela grande maioria dos dentistas brasileiros enfoca questões de controle e prevenção de problemas relacionados aos dentes e seus tecidos de suporte. Neste modelo atuam as especialidades de dentística, prótese, endodontia, ortodontia, periodontia, implantodontia e odontopediatria. Apesar disso, existem situações clínicas onde o paciente pode apresentar problemas médicos que interferem em algum aspecto do tratamento. Nestes casos a ênfase dada aos dentes e tecidos de suporte deve ser respaldada nos protocolos de atendimento aos pacientes especiais e comprometidos.

   Outras especialidades odontológicas, entretanto,  têm a necessidade de maior conhecimento geral. São elas a patologia bucal, dor orofacial e disfunções da ATM, cirurgia bucomaxilofacial e estomatologia. Nestas, conhecimentos básicos de patologia geral, semiologia, fisiologia, anatomia, farmacologia, imunologia e microbiologia são de profunda importância para um correto diagnóstico e condutas clínicas. Obviamente não se desconhece a importância que a microbiologia e imunologia têm para a endodontia e periodontia, por exemplo. Ou a anatomia para a ortodontia e prótese dentária. É claro que o conhecimento básico vai fundamentar a conduta clínica destas especialidades também.

   Assim, neste blog, daremos prioridade às situações apresentadas no primeiro parágrafo (atendimento clínico de pacientes especiais e com comprometimento sistêmico) e na atuação das 4 especialides do segundo parágrafo (CBMF, dor orofacial/ DTM, estomatologia e patologia bucal) em nível ambulatorial ou hospitalar. Este é o escopo da Medicina Oral