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Repercussões odontológicas em pacientes hipertensos

Entrevista concedida ao portal Terra e disponível (resumida) no link: http://coracaosaudavel.terra.com.br/noticias_integra.php?id=219

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1- Qual a incidência de pacientes hipertensos em seu consultório?

 

R. Na clínica privada 15% e no serviço público onde atendo pacientes com comprometimento sistêmico, um pouco maior, cerca de 25%.

 

2- Como o dentista deve abordar este paciente hipertenso?

 

R. Dependendo do grau da hipertensão o Dentista não deve nem realizar atendimentos, caso da hipertensão severa. Nos casos leves e moderados o dentista deve realizar o atendimento, mas precisa estar em contato com o Médico quando houver suspeita de descontrole da hipertensão ou se procedimentos mais invasivos forem necessários.

 

3- Que informações o paciente deve passar ao dentista?

 

R. Há quanto tempo tem a hipertensão, se é feito controle médico, quais medicações foram prescritas. O histórico do paciente durante o atendimento odontológico também é importante e, em alguns casos, podem ser necessárias medidas de sedação farmacológica, hipnose ou outras técnicas de controle da ansiedade.

 

4- É preciso pedir algum exame cardiológico antes de se iniciar o tratamento?

 

R. O Dentista deve contribuir com o Médico no controle dos pacientes hipertensos e portadores de doenças cardíacas em geral. Os tratamentos dentários são bem comuns em nosso meio e esta pode ser a oportunidade de se avaliar o paciente, e em casos descontrolados encaminhar o paciente ao Médico para uma reavaliação. Em outras situações o Dentista pode pedir que o Cardiologista avalie um paciente para parecer médico em casos de cansaço crônico e obesidade em indivíduos que sejam fumantes, sedentários e acima dos 40 anos, mesmo se não há alteração da pressão arterial. Há ainda ocasiões onde é necessário o risco cirúrgico prévio à realização de cirurgias mais invasivas.

 

5- Como lidar com o estado de ansiedade deste paciente?

 

R. Em geral o contato pessoal e a empatia que se cria entre paciente e profissional são suficientes para o controle da ansiedade. Quando há um histórico desfavorável podem ser utilizadas técnicas de hipnose, ansiolíticos, sedação com óxido nitroso e até mesmo a anestesia geral.

 

6- Que complicações podem surgir durante procedimentos simples e cirúrgicos com estes pacientes?

 

R. Algumas complicações são mais relacionadas à ansiedade gerada pelo tratamento dentário como a hiperventilação, palpitações ou perda da consciência. Outras podem ocorrer por uso excessivo de adrenalina - utilizada em associação com o anestésico para melhorar a atuação deste - quando dor torácica e arritmias podem surgir. Por este motivo, em geral, é recomendado o uso máximo de apenas dois tubetes de anestesia em hipertensos.

 

7- Existe algum problema dentário que se agrave em pacientes hipertensos?

 

R. Alguns fármacos anti-hipertensivos, os bloqueadores de canal de cálcio, podem facilitar um quadro de inflamação gengival por induzir a hiperplasia gengival. Nesta situação pode ser necessária a substituição desta droga por outra, ou melhorar a higienização oral.

 

8- Como o tratamento farmacológico da hipertensão interfere na rotina do tratamento do dentista?

 

R. Algumas medicações podem provocar sintomas que são sentidos na boca como a xerostomia (secura bucal, muito associada a diuréticos), ardência oral e dificuldade de cicatrização (inibidores da ECA), alergias e toxicidade na mucosa (diuréticos mercuriais).

 

9- O dentista deve se preocupar com o paciente hipertenso a partir de qual número verificado da pressão arterial?

 

R. Pacientes com pressão sistólica acima de 120, diastólica acima de 80 e sinais clínicos como cansaço sob pequeno esforço, sedentarismo, obesidade e diabetes devem ser encorajados a procurar um médico. Porém só acima de 140×90 haverá alteração nas rotinas de atendimento, onde um parecer médico é obrigatório.

 

10- Quando há necessidade de um procedimento cirúrgico demorado, tem que ser em ambiente hospitalar?

 

R. Só raramente a internação será necessária, mas casos de hipertensão severa ou maligna podem estar presentes em pacientes que necessitem de abordagem odontológica emergencial e, aí sim, a internação será indicada.

 

* Se quiser acrescentar alguma informação que não mencionei e acha importante, fique à vontade.

 

R. É importante lembrar aos pacientes, e aos Médicos, que a recomendação de se abolir o uso da adrenalina (ou outro vasoconstrictor) pelo Dentista não tem base científica. O que se deve fazer é apenas limitar sua utilização (a ansiedade provocada pela dor - do próprio tratamento - causa a liberação de adrenalina endógena que também pode ser perigosa).

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Entrevista sobre MOOH

No momento em que temos o CFO e a ABENO em debate sobre qual será o modelo de residência odontológica a ser enviado aos Ministérios da Educação e Saúde, vale a pena uma lida na entrevista abaixo, concedida há algum tempo, mas ainda não publicada.

Nela abordo o tema da Medicina Oral como essencial à formação odontológica, especialmente na Odontologia Hospitalar.

Talvez esse não seja o ponto de vista da ABENO, que pode moldar a residência às especialidades odontológicas tradicionais (ainda não se sabe qual é o texto final) e não contemplar a Odontologia Hospitalar em toda sua abrangência.

 

 1) Conte sobre a sua experiência com a Odontologia Hospitalar e os atuais trabalhos o HSE? (Fale sobre a equipe, o numero de atendimentos, os serviços realizados, a importância deles, etc).

 

R: Iniciei minhas atividades no HSE, um Hospital Federal do Rio de Janeiro há três anos, e encontrei um serviço ainda não completamente estruturado quanto ao que se entende como Odontologia Hospitalar (OH), ou seja, o atendimento de alta complexidade em integração com os serviços médicos e a rede pública de média e baixa complexidade.

Temos tomado atitudes para mudar o perfil do atendimento odontológico priorizando os casos que necessitem de intervenção do Cirurgião Dentista (CD) em uma unidade hospitalar, por exemplo, pacientes internados, que tenham problemas sistêmicos e precisem de monitoramento durante os procedimentos, casos de diagnósticos complexos e cooperação, através de protocolos, com os serviços médicos. Dentre estas ações estão a capacitação dos CD, a orientação às chefias de serviços quanto aos casos pertinentes da alta complexidade odontológica e orientação sobre a atenção à saúde bucal para as equipes de enfermagem. Minha atuação é mais focada no diagnóstico e tratamento das dores orofaciais, na consultoria para reestruturação do serviço e na capacitação dos CD do serviço visando a atuação plena em OH. Atualmente temos uma capacitação em andamento com a participação de médicos e dentistas do HSE e de outras unidades para fomentar a atuação nos protocolos interdisciplinares. Sobre minha atuação clínica na dor orofacial, temos uma estatística de 800 atendimentos realizados nos três últimos anos, porém, como somos a única referência do SUS em dor orofacial e disfunções da ATM, ainda atendemos casos de média complexidade. Temos tido reuniões com a secretaria municipal do Rio de Janeiro para auxiliar na implantação de centros de dor orofacial de média complexidade minimizando a necessidade do atendimento hospitalar (que deve apenas ser feito nos casos mais difíceis).

Nossa equipe conta também com um serviço de Odontopediatria, Cirurgia Bucomaxilofacial, Radiologia Odontológica, Periodontia e CDs que atuam na clínica odontológica. Além disso, temos uma CD que também é enfermeira e auxilia na administração do serviço e coordenação das auxiliares.

 

2) Quais são as maiores dificuldades na relação entre os dentistas e a equipe de saúde (médicos, enfermeiros, etc). Estes profissionais conhecem a importância do trabalho realizado pelo dentista dentro dos hospitais?

 

R: Há falta de informação dos outros profissionais quanto à pertinência da atuação da OH. Eles não sabem direito o porque de estarmos em um hospital. Outra dificuldade é a própria falta de formação em Medicina Oral dos CD brasileiros, pois estes não tem o pleno conhecimento de suas responsabilidades e deveres dentro dos hospitais.

 

3) Na sua opinião, o que impede a Odontologia Hospitalar de se tornar uma especialidade (oficial)? O Sr. acredita que esse fato “afasta” muitos dentistas que seguir este caminho na profissão?

 

R: Não acho que deva se tornar (mais uma) especialidade. Eu acredito que a formação correta seria uma residência em Medicina Oral, realizada no ambiente hospitalar, onde o CD teria o aprendizado integrado a outras equipes de saúde e teria noções gerais de patologia bucal, estomatologia, atendimento a pacientes com problemas sistêmicos, dor orofacial, cirurgia oral, emergências médicas, farmacologia, microbiologia oral e a atuação integrada com as unidades de apoio em média complexidade e os centros de saúde da família. Só um CD com esta formação mínima de 5800 horas teria condição de atuar no ambiente hospitalar satisfatoriamente.

 

4) Qual sua opinião a respeito do Projeto de Lei que tem por objetivo a inclusão dos dentistas nas UTIs?

 

R: Acho que chama a atenção para a nossa atuação e isto é bem vindo, mas não acredito que uma lei modifique este modelo se o CD não se mostrar economicamente viável para as unidades hospitalares privadas. É preciso que as entidades odontológicas também chamem a atenção para este problema de falta de atenção à saúde oral dos pacientes internados e que a sociedade entenda a importância de nossa presença.

 

5) O que é o MOOH? (Fale sobre os objetivos, o que tem sido feito, como outros profissionais podem participar, etc).

 

R: A Medicina Oral (MO) é reconhecida no mundo inteiro como a área de conhecimento que abrange toda atuação odontológica onde o conhecimento médico é essencial, como nas situações citadas anteriormente. É importante para a Odontologia como um todo, mas é fundamental para a atuação da Odontologia Hospitalar (OH). Temos feito reuniões no Rio de Janeiro e em outros estados para propagar estas idéias e utilizo o site www.medicinaoral.org como um canal de divulgação do conhecimento e integração dos diversos centros brasileiros. Tudo é feito de forma aberta e contamos com a participação de todos os interessados em aderir a esta ampla e instigante área da Odontologia.

Encontro do Grupo de MOOH do Rio de Janeiro

O encontro faz parte das estratégias de ação que foram iniciadas no Fórum do MOOH do CIORJ 2009. Elas visam, entre outras, reforçar a atuação em Odontologia Hospitalar no Rio de Janeiro e no Brasil. Seguem abaixo as discussões desenvolvidas na última quarta-feira no CRORJ.

 

Questionamentos principais do encontro

 

Quais serão os objetivos deste grupo?

Como fazer cumprir as determinações da Odontologia Hospitalar?

 

Ações do encontro de 02/09/09

 

Divisão das ações em tópicos que deverão ser gerenciados pelos participantes do grupo com interesse específico e afinidade.

Abaixo a relação dos grupos com sugestão dos responsáveis e atividades que podem ser realizadas em cada um deles.

 

Político e jurídica

Responsável: Afonso Fernandes Rocha

 

  • Necessita que sejam enviadas evidências e números sobre a atuação do CD:

ü      em hospital / com pacientes sistêmicos / na UTI;

ü      o benefício que este representa em comparação quando este atendimento não é feito.

ü      os dados serão repassados para o deputado Neilton Mulim - e membros de novas comissões.

  • Outra atitude é pedir que os CD enviem emails aos deputados da comissão reforçando o papel da Odontologia na UTI e nos hospitais.
  • Repassar também exemplos de atuação da Odontologia Hospitalar nos serviços públicos e privados que tiverem conhecimento.
  • Estimular eventos em congressos.
  • Facilitar a divulgação deste encontro e da Odontologia Hospitalar nos boletins on line, revista do CRORJ e espaço da rede CNT.
  • Criação de um blog de MOOH ligado ao CRORJ à semelhança do site medicinaoral.org.
  • Divulgação nos canais do CRORJ do site www.medicinaoral.org, enquanto não é disponibilizado o blog oficial, para estruturação dos grupos e orientação a novos interessados.
  • Oferecimento de um espaço no Jornal Onda Carioca.
  • Definir quais os limites da atuação na boca e quem são os profissionais autorizados a trabalhar nesta região.
  • Ação contra profissionais de outras áreas de formação que atuem no âmbito da Odontologia Hospitalar.
  • Atuação dos profissionais auxiliares.

                                                   

Mídia

Responsável: Paulo Moreira, Paulo Pimentel, Jorge Barbosa e demais interessados

 

  • Utilizar as assessorias de imprensa dos hospitais para acessar a mídia geral e médica sobre a atuação da MOOH buscando espaço em meios de comunicação.
  • Usar o site medicinaoral.org para reunir informação sobre o assunto e divulgação geral: vídeos, entrevistas em rádios, textos escritos por autoridades diretamente para o blog, textos em jornais e revistas, artigos, press releases, exemplos de serviços existentes.
  • Conseguir espaço em eventos médicos e odontológicos.
  • Auxiliar na criação de um blog pelo CRO para medicina oral.

                                                                                                                                                                                                               

Científica e Acadêmica

Responsáveis: Héliton Spíndola, Paulo Moreira, Paulo Pimentel, Jorge Barbosa, Arley Silva Jr. e demais interessados

 

  • Dar subsídios para a parte política quanto a aplicação da OH.
  • Enviar artigos e textos para discussão e divulgação no blog.
  • Auxiliar nas capacitações.
  • Estimular a implantação da MOOH na graduação.
  • Discutir a formação apropriada para a área: capacitação, residência odontológica ou especialização?

                                                                      

Atuação privada

Responsáveis: Afonso Rocha, Héliton Spíndola, Paulo Moreira, Paulo Pimentel e demais interessados

 

  • Atuação em hospitais e centros médicos privados.
  • Convite a admnistradores de convênios e administradores hospitalares para palestras com o grupo expondo suas expectativas e dificuldades na implantação da Odontologia Hospitalar.
  • Definir rol de procedimentos e valores de remuneração ao CD que atue nesta área.
  • Quantificar profissionais que atuam em odontologia hospitalar privada.

                                                                                                                                                                                                                                            

Atuação pública

Responsáveis: Jorge Barbosa, Hélida Frazão, Héliton Spíndola, Paulo Moreira, Paulo Pimentel e demais interessados

 

  • Dar exemplos de atuação da OH para o convencimento político.
  • Quantificar dentistas que trabalham em hospitais no estado do RJ.
  • Convite aos gestores da administração pública para exposição de dificuldades para a implantação da OH.
  • Estruturação dos níveis de complexidade para o atendimento ao paciente com comprometimento sistêmico na rede pública.
  • Atuação dentro das comissões de infecção hospitalar.

                                                                                                                                                        

Apoio da Indústria e Comércio

Responsáveis: Afonso Rocha, Jorge Barbosa, Héliton Spíndola, Paulo Moreira, Paulo Pimentel e demais interessados

 

Angariar simpatizantes e financiadores para as causas da Odontologia Hospitalar na(s):

  • Indústria farmacêutica;
  • Fábricas de equipamentos odontológicos;
  • Empresas de materiais dentários;
  • Casas de artigos odontológicos e médicos.

 

 

Observações finais:

  • A divisão dos responsáveis pelos grupos foi feita aleatoriamente de acordo com a disposição que cada um apresentou durante e após os encontros. Mas, qualquer participação adicional será bem vinda. Me enviem quaisquer solicitações de inscrição ou retirada como responsáveis pelos grupos.
  • A utilização do blog www.medicinaoral.org é fundamental para a organização das ações, assim como a divulgação dos textos, imagens, áudio e vídeo que sejam do interesse de todos os grupos.
  • Qualquer dificuldade na utilização desta ferramenta deve ser comunicada, pois não são todos que tem experiência no seu uso. Contanto, após breve aprendizado dou testemunho que é muito fácil e amigável.
  • Em breve será disponibilizada a data do próximo encontro (que é aberto a todos interessados).
  • Apesar do encontro ocorrer no Rio de Janeiro, quaisquer ações integradas a iniciativas de outros estados são estimuladas.n
    A Odontologia Hospitar é viável?
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O Dentista brasileiro é preparado para prescrever medicamentos corretamente?

    A utilização de medicamentos em Odontologia segue os mesmos princípios do uso de fármacos na Medicina. Todas as drogas que tenham algum efeito benéfico sobre as condições bucofaciais podem e devem ser prescritas pelo CD, mas isso exige deste profissional o conhecimento pleno dos efeitos que essas substâncias provocarão no paciente.

    Assim, não só efeitos positivos almejados serão obtidos, pois a ação da droga seguirá os caminhos da absorção, biotransformação, distribuição até chegar ao órgão alvo e finalmente a eliminação. E em todo esse processo produzirá compostos e afetará a função do fígado, sangue e todos os órgãos até sua excreção pela urina, fezes, suor, expiração, lágrima e saliva.

    Não seria importante que o CD conhecesse todo esse processo a fundo? Existe alguma justificativa para que o tempo de estudo da farmacologia, fisiologia e bioquímica seja menor que o aplicado aos futuros médicos? Não seria importante que o CD tivesse uma formação básica em Clínica Médica para melhor compreender o efeito das drogas nos órgãos por onde passa?

    Além disso, existem os efeitos colaterais, reações adversas e interações medicamentosas. É justo que uma droga prescrita pelo CD provoque um efeito colateral e que o tratamento deste efeito tenha que ser controlado pelo médico? Por exemplo, é fato conhecido que os opióides são causadores de constipação intestinal. Então ao administrar esse medicamento para o controle de uma dor severa o CD deverá encaminhar o paciente ao gastroenterologista para monitorar sua evacuação? Outro exemplo, um paciente idoso que utilize várias medicações precisará sempre levar nossa receita para o médico autorizar seu consumo? Um alergista deve receber nosso paciente que apresentou coceira após o uso de antiinflamatórios?

    Foi pensando nessas situações clínicas rotineiras que elaborei esta enquete sobre a competência do CD para administrar drogas. Eu aqui não estou digitando para os que se contentam em prescrever dipirona, diclofenaco e amoxacilina. Talvez umas 6 horas de treino na faculdade possam permitir que essas três drogas sejam prescritas sem maiores problemas (se bem que mesmo estas três também causem efeitos colaterais e tenham interações). Penso sim no CD que atue em Odontologia de forma plena, utilizando conscientemente a Medicina Oral como base de suas ações, mesmo na clínica odontológica básica.

    E penso ainda no CD que quer expandir seus horizontes e exercer, por completo, a CTBMF, a estomatologia, atender pacientes com comprometimento sistêmico, idosos, grávidas, crianças e prescrever estabilizadores de membrana, opióides, tricíclicos, miorrelaxantes e ansiolíticos como se faz diarimente no controle das dores orofaciais complexas.

    Peço que os 40% que até hoje votaram “sim” reflitam sobre quais faculdades brasileiras preparam adequadamente o CD para todas essas situações, oferecendo inclusive internatos hospitalares para a sedimentação do conhecimento.

    Aceito todas as críticas pertinentes e também as manifestações de apoio dos que entenderam a enquete e querem fazer alguma coisa para mudar esta incoerência.n

O Dentista brasileiro é preparado para prescrever medicamentos corretamente?
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HEMORIO - Curso de Capacitação para Dentistas

Clique na imagem abaixo para acessar a grade completa do curso.

http://medicinaoral.org/blog/wp-content/uploads/2009/08/hemorio-curso_2009.jpg

 

Luxação da ATM

 

  Uma das finalidades dos Encontros de especialidade é a discussão de protocolos de atendimento em situações especiais.
  No Encontro de Dor Orofacial o Prof. Eduardo Favilla suscitou uma saudável polêmica sobre a questão das luxações rescidivantes da ATM. Qual é o melhor protocolo? Cirúrgico ou clínico?
  Existem evidências que fundamentem um ou outro?
  Quais as reais causas da luxação da ATM e suas rescidivas?
  Muscular, neurogência, alteração anatômica, ruptura de ligamentos?
  Qual o papel da Fisioterapia e quais as suas evidências?
  Os pacientes operados ficam livres do problema?
  O Dr. Victor Abreu questionou as evidências anatômicas (ângulo da eminência pronunciado em pacientes afetados versus ângulo diminuído em indivíduos normais) como causa da luxação.
  O Prof. André Monteiro sugeriu um trabalho multicêntrico.
  Para facilitar o debate e dar o pontapé inicial para o que pode ser um trabalho interinstitucional criei uma página específica (http://medicinaoral.org/blog/luxacao-atm/) onde postei alguns artigos obtidos do Medline relacionados ao tema.
  O campo comentários (no final da página) pode ser usado para a discussão e novos textos são bem vindos para uma revisão bibliográfica completa.

Encontro de Odontologia Hospitalar, Medicina Oral e Dor Orofacial

Concretizou-se!!!

Com o inestimável apoio da Comissão Organizadora, Palestrantes e Parcerias (clique na imagem abaixo para ampliá-la), em 12 e 13 de março de 2009 será realizado o Encontro de Odontologia Hospitalar e Medicina Oral do Rio de Janeiro. Também ocorrerão (dentro do encontro) o Espaço Lacer, o Encontro de Dor Orofacial do Rio de Janeiro e a Jornada de Odontologia do HSE.

O evento é gratuito e as inscrições já estão abertas no site http://www.cro-rj.org.br/cursos/index.asp. O programa com mais informações pode ser visualizado em http://www.cro-rj.org.br/cursos/eventoLACER.pdf.

Fiquem atentos porque as vagas serão limitadas!!!

É mais um passo para dar maior qualidade e credibilidade ao CD em sua inserção no meio médico.

Solicito ainda aos que tenham acesso a empresas, que se interessem em alugar stands no local do evento, que entrem em contato, pois há possibilidade de aumentar o número de vagas, e permitir maior conforto, se houver maior aporte financeiro.

Obrigado,

Paulo Pimentel
Cel: 21 8885-0811
HSE: 21 2291-3131 r: 3618

Parceria em encontro de Odontologia Hospitalar & Medicina Oral

Aos interessados,

 Estamos desenvolvendo no Hospital dos Servidores - Rio de Janeiro (HSE-RJ), uma atividade que tem a intenção de servir de modelo para outras unidades brasileiras. Trata-se da Odontologia Hospitalar, um campo de atuação ligado a Medicina Oral que tem sido pouco explorado e que, recentemente, foi objeto de ampla divulgação através do projeto de lei do Dentista na UTI.

 Este Hospital Federal é credenciado junto ao Ministério da Educação e Saúde como um centro de Ensino e Pesquisa na área da saúde, contando com serviços médicos reconhecidos nacional e internacionalmente. No HSE, atuamos em interdisciplinaridade com os demais serviços médicos em protocolos clínicos baseados em evidências científicas, e adaptados à realidade individual do nosso e demais serviços.

 Assim, pacientes com cardiopatias, nefropatias, pediátricos, reumatológicos, neurológicos e com outras necessidades, além de pacientes internados em enfermarias ou em unidades intensivas recebem apoio de um Serviço de Odontologia Hospitalar modelo para consultas clínicas ambulatoriais no próprio serviço ou com unidades móveis portáteis que permitem a atuação do CD em outras dependências do Hospital.

 Além disso, estamos em processo de credenciamento para nos tornarmos um Centro de Especialidades Odontológicas, para o atendimento de pacientes especiais e com compromentimento sistêmico, controle das Dores Orofaciais e Disfunções da ATM, Estomatologia e Cirurgia Bucofacial.

 Com o intuito de divulgar esta atividade e propagar a excelência que esta modalidade de atendimento exige estamos organizando uma Jornada de Odontologia Hospitalar no Centro de Estudos do HSE. Para este evento esperamos poder contar com a parceria de empresas, instituições e profissionais de renome para aprimorar conhecimentos e fomentar a busca de soluções para este campo de atuação.

 Desta forma, convidamos aos interessados para nos prestigiar no evento e pedimos o auxílio na divulgação (folhetos, cartazes e contatos via acessoria de imprensa) e/ou disponibilização de recursos para a recepção dos convidados e público geral.

 Para mais informações sobre o planejamento, acesse o link: jornada-hse

 CHEFIA DO SERVIÇO: PAULO GULBERFAIN

 COORDENAÇÃO: PAULO PIMENTEL

 CONTATOS e SUGESTÕES: HSE - 22913131 R: 3618 ; CELULAR: 0xx21 8885-0811

 

Questionário de Saúde nos países europeus - Baseado na Classificação ASA

O questionário de saúde é uma ferramenta importante do ponto de vista profissional, ético e legal. Permite a avaliação geral do paciente otimizando as perguntas sobre o estado da doença atual e história médica pregressa. Orienta a elaboração de um plano de tratamento baseado em situações médicas específicas. É um documento legal para ser anexado ao prontuário do paciente confirmando a sua execução prévia e servindo de garantia para situações onde o paciente omite informações.

O CFO disponibiliza o prontuário odontológico com um questionário de saúde em seu site - http://www.cfo.org.br/download/pdf/prontuario_2004.pdf. Algumas citações do documento são relevantes para este post:

ROMANO et al (2000): “relatam que ao chegar ao consultório o paciente traz um histórico de saúde desconhecido pelo Cirurgião-Dentista. Informa que através da anamnese se pode identificar as doenças crônicas que requererão cuidados específicos as quais poderão interferir na condução do tratamento odontológico.”

SILVA (1999) “mesmo em um consultório em que o movimento é intenso, não poderá o profissional descuidar da anamnese, devendo nestes casos adotar um questionário que será preenchido pelo paciente e, quando ocorrer o contato com o profissional este procederá ao aprofundamento necessário sobre as questões relativas à saúde do paciente.”

SILVA; LEBRÃO; BLACKMAN (2001): “verificaram a qualidade dos registros dos hospitais do setor público da cidade de São Paulo e constataram que os Cirurgiões-Dentistas, responsáveis pelos atendimentos hospitalares, estão relegando ao segundo plano o preenchimento dos prontuários, ao mesmo tempo em que enfatizam ser o diagnóstico completo e detalhado, com as causas externas das lesões descritas, uma retaguarda fundamental para assegurar às pessoas atendidas o direito à cidadania.”

O questionário de saúde sugerido é apresentado na página 28 e mostra as tradicionais perguntas sobre a anamnese que conhecemos desde a faculdade.

No mês de maio foi publicado uma pesquisa multicêntrica sobre a utilização de um questionário de saúde baseado na classificação ASA (da Associação Americana de Anestesistas). A importância deste documento em relação ao que normalmente usamos (baseado no do CFO) é o dimensionamento dos problemas quanto ao risco de emergências ou intercorrências médicas. Do ponto de vista técnico, científico e até jurídico vale a pena utilizar este questionário também por ter sido validado em 10 países europeus.

O abstract pode ser baixado no Medline. O nome do artigo em Inglês: A patient-administered Medical Risk Related History questionnaire (EMRRH) for use in 10 European countries (multicenter trial) do jornal 5 oral. Para quem não tem experiência no uso do Medline basta copiar e colar este título na barra de procura e teclar enter. Depois clicar no texto para abrir a janela do Abstract e ler o resumo.

Como atividade do Curso de Medicina Oral e Odontologia Hospitalar tenho incentivado a tradução de textos científicos recentes. A Dra. Antoinette Góes, aluna do curso, interessou-se pela tradução deste grande e difícil texto. Nesta tradução completa do artigo há também o texto para aplicação do questionário baseado na classificação ASA. Quem tiver interesse no Download pode mandar uma mensagem para o campo comentário deste post que eu envio sem custos.

Enviei para o Prof. Luzi Abraham-Inpijn, MD, PhD da Univ. de Amsterdam o pedido de autorização para a tradução do questionário para o português visando sua aplicação no Serviço de Odontologia do Hospital dos Servidores do Estado

Atuação do Cirurgião Buco-Maxilo-Facial (Traumas de Face)

Após as lesões faciais sofridas pelos jogadores de futebol Renato Augusto (Flamengo) e Dodô (Fluminense) fiquei intrigado com a notícia divulgada pela imprensa de que seus tratamentos haviam sido realizados por um Médico. Procurei a internet  para saber sobre a especialidade do Cirurgião e encontrei seu nome vinculado ao Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Municipal Miguel Couto (no Rio de Janeiro).

O que causa estranheza maior é o fato da cirurgia do atleta Renato Augusto, realizada para recolocação do osso zigomático (malar) em sua posição original, ter sido feita por acesso direto por sobre o arco zigomático.

Renato Augusto antes:

 

Renato Augusto depois:

 

Eu não sabia sobre esta área de atuação da Otorrinolaringologia na região Buco-Maxilo-Facial. Perguntei aos meus colegas se isso era comum e ouvi deles a assertiva de que a área da Buco-Maxilo (onde atuam Dentistas com formação cirúrgica) tem sido explorada também por profissionais da Medicina (ORL, Cirurgia Plástica, Cabeça e Pescoço e a Crânio-Maxilo).

Eis que hoje, ao pesquisar no site do Colégio Brasileiro de CTBMF, encontro um ofício do Presidente deste Colégio ao Conselho Federal de Odontologia relatando sobre a interferência da Medicina nesta área. Texto completo em http://www.bucomaxilo.org.br/index.php?go=not_exi&seq=208&PHPSESSID=4e49f69c873596e0ba352ebb433db39f.

Nele é citada a área de atuação da Buco-Maxilo em traumas:

* Fraturas da parede anterior do seio frontal
* Fraturas dos ossos próprios do nariz
* Fraturas naso-etmoido-orbitárias
* Fraturas do complexo zigomático (osso zigomático e arco zigomático)
* Fraturas da cavidade orbitária
* Fraturas da maxila em seus níveis de Le Fort I, II e III
* Fraturas da mandíbula
* Fraturas alvéolo-dentárias
* Ferimentos dos tecidos moles”
“Parágrafo único: Para esse tratamento o cirurgião buco-maxilo-facial pode efetuar os acessos cirúrgicos necessários, inclusive o acesso bicoronário”.

E, em uma declaração, a meu ver, bombástica o Dr. Mario Francisco Real Gabrielli cita:

“Apesar do grande progresso das últimas três décadas, entretanto, nunca corremos tanto risco de perder essa grande especialidade odontológica. Isso se deve a quatro coisas principalmente:
a) Os trabalhos de ponta e alta qualidade dão visibilidade à especialidade
b) Especialidades médicas desejam retomar espaços que consideram ter perdido ou que nunca tiveram
c) Há pressão por mercado de trabalho
d) Há grande corporativismo envolvido”

Ou seja, a preocupação quanto aos destinos desta especialidade não são só minhas. Creio que a Medicina e a Odontologia brasileiras (CFO e CFM) deveriam entrar em um acordo quanto a estas áreas de confluência, para que, não só as classes se sintam satisfeitas, mas também os pacientes.