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Ponto de vista

Recebi o email (desabafo) abaixo e transcrevo após autorização da Dra. Ana Claudia Soldá, de São Paulo. Foram feitas pequenos ajustes para a apresentação no site.

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Prezada Comissão de Odontologia Hospitalar do CRO-RJ

Meu nome é Ana Claudia Soldá, sou CD, tenho recebido vários e-mails de vocês. Gostaria de parabenizá-los pelo trabalho que estão desenvolvendo e  queria saber se aqui em São Paulo nós também poderemos ser beneficiados com as decisões que vocês estão tomando, na tentativa de posicionar o cirurgião-dentista no âmbito hospitalar, que é uma área que me interessa muito.

A maioria dos médicos que trabalha em UTI, por exemplo , delega a higiene oral dos pacientes à enfermagem  e quando eles precisam de um cuidado odontológico, chamam a equipe de buco-maxilo facial. A minha pergunta é a seguinte. Isto está certo? Chamar o buco-maxilo facial só quando existe uma dor aguda?

Porque o desconhecimento  por parte do médico ainda é tão grande? Existe, até aonde eu sei, um protocolo de higiene oral para a PAV (pneumonia associada à ventilação) em que a enfermagem utiliza clorexidina 0,12%, 3 vezes ao dia, com um auxílio de uma esponja (do tipo swab). Na opinião de vocês, isto é suficiente?
Se isto for suficiente, vou fazer algumas perguntas:
Se um paciente der entrada na UTI apresentando cárie em um dente , a clorexidina  e o swab vão ser úteis?:
Se um paciente der entrada na UTI com doença periodontal  a clorexidina e o swab vão ser úteis a ponto de eliminá-la?

E a saburra lingual também vai ser beneficiada  apenas pela clorexidina e o swab?
Se um paciente oncológico der entrada na UTI apresentando mucosite decorrente do tratamento radio e/ou quimioterápico esses dois componentes apenas vão ser apropriados? Será que não estaria faltando a aplicação de Laser nesta situação?

Acho que a clorexidina e o swab são excelentes porém não são os únicos meios de dar um tratamento digno a um paciente internado em UTI ou em outra ala hospitalar. Será que, se um dentista estiver acompanhando diariamente esses pacientes utilizando um equipo portátil, o tratamento não seria mais eficaz,  mais pormenorizado, diminuindo o tempo de internação?

Por favor entrem em contato com os médicos fornecendo essas e outras informações que vocês sabem tão bem para que os dentistas possam participar de forma mais efetiva nos hospitais
Obrigada pela atenção  e me desculpem pelo desabafo sincero

Ana Claudia Soldá
CRO-SP 46575

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