JORNAL DA ABORJ, junho de 2011, pág. 9
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Entrevista com o Especialista
Paulo A. Pimentel Jr.
Responsável pelo Serviço de DTM-DOF da ABORJ
1- Qual é a área de atuação do especialista de disfunção têmporomandibular e dor orofacial?
R. Sua área de atuação compreende o diagnóstico e prognóstico das dores orofaciais (DOF), incluindo as disfunções têmporomandibulares (DTM), particularmente aquelas de natureza crônica.
Em conjunto com a Neurologia, Reumatologia, Otorrinolaringologia, Ortopedia e Fisioterapia, pode também auxiliar no tratamento de cefaléias, neuralgias, doenças do conjuntivo, alterações otológicas e cervicalgias que estejam associadas com alterações orofaciais.
Atua no controle de distúrbios do sono, como o bruxismo, onde comumente é necessária a confecção de dispositivos oclusais para redução das parafunções ou atenuação dos seus efeitos sobre dentes, periodonto e estruturas da ATM.
Oferece ainda possibilidades de diagnóstico e, se necessário, tratamento das limitações da função mandibular associadas a trismos, luxações da ATM, ruídos articulares, parafunções e dificuldades de movimentação da mandíbula causando problemas à fala, mastigação e outras atividades bucais.
2- Qual a situação do mercado de trabalho da especialidade?
Como é uma especialidade nova, no mercado desde 2002, ainda precisa de maior divulgação sobre suas atividades e possibilidades de tratamento. É comum que Médicos, Fisioterapeutas e mesmo Cirurgiões Dentistas recomendem seus pacientes com DTM e DOF para Ortodontistas, Reabilitadores Orais e Cirurgiões Bucomaxilofaciais, por desconhecimento da existência desta nova especialidade.
A existência de profissionais com conhecimento específico sobre o diagnóstico diferencial e prognóstico das principais doenças desta região é fundamental para que propostas de tratamento irreversíveis, caras e agressivas sejam evitadas, especialmente em fases iniciais da terapia onde, inversamente, devem ser valorizadas as rotinas, geralmente reversíveis, que tenham abrangência sobre os aspectos biopsicossociais do problema.
3- Quais os avanços da área?
O principal avanço, e que provocou uma revolução no diagnóstico e nas propostas terapêuticas, foi a realização dos estudos epidemiológicos nas décadas finais do século passado, onde foi constatado que não havia a suposta relação de causa e efeito entre as alterações oclusais e as manifestações de DTM e DOF que se pensava existir. O tema ainda provoca discussões acaloradas quanto ao exato percentual de correlação mas é certo que a participação da oclusão é bastante reduzida na gênese destas alterações, sendo portanto desnecessários a maioria dos procedimentos ortodônticos, ortopédicos, reabilitadores e cirúrgicos que anteriormente eram propostos na tentativa de redução dos sintomas.
O outro grande salto foi a elaboração das classificações, especialmente as da Academia Americana de Dor Orofacial e Sociedade Internacional de Cefaléias, pois propiciaram a universalização dos termos, a elaboração dos critérios de diagnóstico para as situações clínicas encontradas e a realização de pesquisas com metodologia adequada.
4- Como é a atuação interdisciplinar?
O especialista em DTM e DOF deve saber atuar em parceria tanto dentro da própria Odontologia quanto com as outras profissões da saúde. Desde o diagnóstico – onde há inúmeras possibilidades de causas para as DOF, por exemplo, pulpites, adenites, neoplasias, doenças intracranianas e alterações sistêmicas – até o tratamento, quando pode ser necessária a prescrição de medicamentos a pacientes com outras doenças e em uso de diversas drogas.
Nos hospitais a atuação deste especialista, em parceria com a CTBMF, pode ser importante quando são necessários exames e tratamentos especiais, como procedimentos invasivos intra-articulares ou a discussão de casos complexos em sessões clínicas multidisciplinares.
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