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Entrevista concedida ao CRORN notícias

ENTREVISTA COM PAULO PIMENTEL SOBRE ODONTOLOGIA HOSPITALAR

- Qual é o papel do cirurgião-dentista na recuperação do paciente internado numa unidade hospitalar?

Atuar diretamente no paciente em caso de urgências odontológicas e direta ou indiretamente na motivação para a adequada higiene bucal do paciente internado. Para isso o CD pode tanto realizar procedimentos de descontaminação oral no leito ou capacitar as equipes técnicas para este fim.

- Quais os riscos que o paciente internado numa UTI está sujeito devido à falta de uma higiene bucal adequada?

As situações clínicas usuais da Odontologia, como pulpites, periodontites, sangramento gengival e halitose, também podem acontecer na UTI, assim o paciente deve ser adequadamente avaliado no momento de sua entrada no hospital e uma rotina individualizada de higiene bucal ser proposta. Além disso, há possibilidade de exacerbação de quadros sistêmicos associados a contaminação oral direta, como a pneumonia associada a ventilação mecânica, ou indireta, como a alteração do metabolismo geral em função do aumento de fatores inflamatórios sistêmicos oriundos de uma inflamação crônica oral.

- Como está a Odontologia Hospitalar no Brasil em comparação a outros países?

Há notícias de estruturação de serviços clínicos odontológicos em vários países do mundo, mas, mesmo em países desenvolvidos ainda escutamos sobre a carência de CDs que sejam bem preparados para essa realidade. A Odontologia Hospitalar cirúrgica, representada pela CTBMF, ao contrário, já é bastante atuante em todo planeta.

- Como se dá a capacitação do cirurgião-dentista para cuidar de pacientes internados?

No Brasil não há uma capacitação específica reconhecida pelas entidades representativas da Odontologia. Entretando, existem diferentes modelos de residências em Odontologia Hospitalar já em andamento, que seriam a forma ideal de capacitação para esta área, em função da grande responsabilidade que ela representa e da enorme gama de conhecimentos indispensável para esta atividade. Infelizmente, as residências ainda não são viáveis como padrão de formação por não estarem presentes em vários estados brasileiros. No Rio de Janeiro foi desenhada uma capacitação que futuramente poderá ser discutida com outros estados e mesmo apresentada ao CFO, para que tenhamos um modelo provisório que seja viável na maioria dos estados, até que sejam aprovadas as residências em Odontologia.

- Qual deve ser o perfil do cirurgião-dentista para atuar na Odontologia Hospitalar?

Deve ser um profissional com grande conhecimento médico, o que não significa dizer que deva possuir um diploma de Medicina. Assim o CD deve ter em mente que há necessidade de aplicação prática de muitos saberes que a maioria das faculdades de Odontologia brasileiras não oferece, como farmacologia clínica, clínica médica e semiologia. Além disso, o CD deve saber o jargão hospitalar para poder ler e escrever em prontuários, deve também ser preparado para atuar em centros cirúrgicos, enfermarias e unidades de terapia intensiva através de protocolos específicos e dominar vários conhecimentos odontológicos de diversas especialidades como estomatologia, pacientes especiais, dor orofacial, periodontia, endodontia e outras. Finalmente, este profissional deve ser adequadamente preparado para o trabalho em equipe.

 

Odontologia Hospitalar no Rio Grande do Norte

   Nos dias 05 e 06 de maio, foi realizado o II Ciclo de Atualização Científica da Grande Natal e 1ª Região, organizado pelo Conselho Regional de Odontologia do Rio Grande do Norte. O tema principal do evento foi a Odontologia Hospitalar e para proferir uma palestra sobre o assunto foi convidado o Prof. Paulo Pimentel, CD do Ministério da Saúde lotado no HFSE no Rio de Janeiro e Presidente da Comissão de Odontologia Hospitalar e Medicina Oral (OHMO) do CRORJ.

   O evento também promoveu a integração dos CROs do Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte, no que se refere à transferência de experiência da Comissão de OHMO do CRORJ para os futuros componentes da mesma Comissão a ser criada no CRORN, e que terá como membros a Dra. Maria Cecília Aguiar e a Dra. Diana Lopes.

   No evento, coordenado pelo Dr. Eimar Lopes de Oliveira, Presidente do CRORN, foram apresentadas algumas estratégias de estruturação de serviços de Odontologia Hospitalar com base nas características físicas, de pessoal, administrativa e interdisciplinares para a elaboração de propostas que sejam individualizadas à realidade existente nos hospitais, municípios e regiões.

   Os princípios da Medicina Oral foram mencionados como a base do raciocínio necessário para que o CD tenha condições de atuar com segurança e embasamento nos casos onde há pacientes sistemicamente comprometidos, sendo valorizada ainda a integração entre os três níveis de complexidade na resolução dos casos, tanto na saúde privada, quanto pública. Foram citadas as outras vertentes da Odontologia Hospitalar relacionadas a atuação cirúrgica pela CTBMF, anatomopatológica pela Patologia Bucal e imagenológica onde é recomendada a existência de um CD especializado dentro do serviço de imagem hospitalar. Além disso foram mencionadas as profissões técnicas auxiliares da Odontologia, que também, idealmente, devem compor o serviço de Odontologia Hospitalar.

   A segunda parte da atividade foi dedicada à apresentação do protocolo de parceria entre a Odontologia, CCIH e o ambiente de cuidados intensivos visando a capacitação da equipe auxiliar para a inspeção oral, realização de rotinas básicas de higiene bucal e a sua supervisão constante, especialmente nos casos onde é feita a ventilação mecânica, para a prevenção da pneumonia nosocomial associada a entubação dos pacientes.

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   A seguir mais algumas fotos do evento:

Junto aos membros do CRORN

Recebendo o certificado do Presidente do CRORN, Dr. Eimar Lopes.

 

Demais Colegas presentes ao evento.

INCA – Jornada de Transplante de Medula Óssea