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5º Workshop Mundial em Medicina Oral – Atuação dos Clínicos no Mundo

 

Um dos motivos mais importantes que me levaram ao encontro da AAOM foi a realização do Workshop em MO. Já no Encontro da Academia Européia em Londres, no ano passado tinha sido apresentada a realização deste importante evento paralelo, que continuou em atividade e, em San Juan, foram mostrados alguns de seus resultados.

A normatização para a área da Medicina Oral, um dos objetivos que este Workshop deseja alcançar, é uma das prioridades do projeto, pois a divulgação aos Cirurgiões Dentistas que pretendem se iniciar nesta área de atuação depende do esclarecimento do que ela realmente é. Esta padronização também se faz necessária para informação aos pacientes que necessitam de tratamento de profissionais com este tipo de formação. Além disso, em nível local, a própria formatação da capacitação em Odontologia Hospitalar, que tem sido discutida no Brasil, depende da compreensão que este termo pretende alcançar, em nível mundial.

O que vemos atualmente, segundo foi demonstrado, é o uso da denominação Medicina Oral sem muitos critérios e variando enormemente entre as regiões do globo, onde é praticada. Esta realidade ficou patente na apresentação do Dr. Eric Stoopler, da Pensilvania, “Investigação internacional da prática de Medicina Oral”, exibida no encontro. Vejam o artigo original em http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1601-0825.2011.01795.x/pdf.

 

 

Palestra do Dr. Eric Stoopler sobre a investigação do exercício clínico mundial em Medicina Oral (*).

Na apresentação foram informados dados estatísticos interessantes como o aumento do número de especialistas em Medicina Oral na Índia e a presença maciça de fomento governamental para a formação em Medicina Oral existente em alguns países como China, Reino Unido e Croácia. Vê-se também um grande investimento estatal no financiamento ao atendimento prestado aos pacientes no Reino Unido, Croácia e Suécia, ao contrário de Espanha, Índia e Israel onde os pacientes arcam com a maioria dos custos.

Foram mostradas também as percepções de definição de Medicina Oral nos diversos países, segundo o relato dos especialistas em Medicina Oral pesquisados. Alguns deles, como Reino Unido, Holanda, México e Grécia, tem a noção de que o atendimento ao paciente com comprometimento sistêmico não seria do escopo da Medicina Oral. Ao contrário de Israel, Índia, Itália, Espanha, Brasil, Canadá, EUA, Croácia e Tailândia onde a maior parte dos especialistas entenderam que este atendimento também seria da pertinência da MO.

No geral, avaliando o tempo despendido durante as atividades práticas dos especialistas em Medicina Oral consultados, o tratamento das lesões de mucosa oral e o controle da dor orofacial, foram as atividades onde houve o maior tempo gasto para o atendimento aos pacientes.

MINHAS PERCEPÇÕES

Achei que o trabalho teve um viés muito forte por não ter envolvido profissionais de outras áreas da Odontologia cujo conhecimento médico aplicado a Odontologia tem sido cada vez mais exigido, como a Periodontia Médica, a Dor Orofacial, a Odontogeriatria, e Especialistas em pacientes especiais, que atuam dentro ou fora do ambiente hospitalar. A inclusão destes profissionais poderia mudar em muito, segundo meu raciocínio, a visão da MO. Penso até em usar a ferramenta de questionários que o Google disponibiliza para fazer esta investigação aqui no Brasil, porém de forma mais ampla.

Nota-se que a AAOM possui uma visível tendência que a aproxima do que conhecemos, aqui no Brasil, como Estomatologia, porém vários de seus pesquisadores e divulgadores fazem questão de enfatizar que a Medicina Oral é uma área de conhecimento que abrange também o atendimento ao paciente com comprometimento sistêmico, a dor orofacial, a odontologia hospitalar, a analgesia inalatória e a própria odontogeriatria. Basta vermos o vasto conteúdo escrito com estas orientações, nos livros publicados, ou editados, por autores como Sonis, Malamed, Little, Silverman e Greenberg, a maioria deles membros da AAOM, sendo este último, junto com Glick, o responsável pela edição do livro publicado originalmente, há mais de 70 anos por Lester Burket (o Pai da Medicina Oral) na década de 30 passada, que tratava também do paciente com comprometimento sistêmico e os protocolos de parceria entre Odontologia e Medicina.

Outra tendência forte da AAOM, que também vejo evidente aqui no Brasil, e que foi mencionada no artigo é a forte presença de profissionais do meio acadêmico nas entidades ligadas a Medicina Oral (no nosso caso a SOBEP) e atuando principalmente nestas instituições. Isto faz com que uma visão de mercado da Medicina Oral não seja tão privilegiada, gerando dúvidas nos novos profissionais sobre sua viabilidade como carreira fora do meio acadêmico ou mantida por financiamento governamental. Vejam o que dizem os autores:

“Em primeiro lugar, um esforço deveria ser feito em pesquisas futuras para se obter uma definição consensual internacional do exercício da medicina oral e seu potencial como uma prática clínica em tempo integral, em vez de uma prática, principalmente em tempo parcial, exercida por especialistas em instituições acadêmicas.”

Penso que a abertura da Medicina Oral às outras especialidades interessadas nos protocolos Odontologia-Medicina, já citadas acima, seria uma forma de disseminar este campo de conhecimento, fundamental a todas elas. Achei estranho não haver representantes da periodontia, por exemplo, e se preocuparem com aspectos quimiossensoriais da região oral. Acredito ainda que a divisão de formações nestes vários campos faz com que ela seja ensinada em partes, dificultando em muito o aprendizado. Tivemos essa discussão no GMOH-RJ durante a formatação da proposta de capacitação na Odontologia Hospitalar, por exemplo.

No Brasil, a Medicina Oral poderia, em tese, pairar acima das especialidades odontológicas como uma área de conhecimento básico, necessário ao exercício de todas, principalmente a Odontologia Hospitalar e as outras já citadas no texto acima. Comentei esta idéia com o Dr. Robert Arm, atuante em Medicina Oral e Odontologia Hospitalar no estado de Delaware, que disse concordar com a idéia, mas que problemas políticos importantes impedem, nos EUA, que ela seja posta em prática.

Já fiz um esboço de tradução deste importante artigo, que deverei veicular em breve aqui no blog, mas gostaria que outros colegas atuantes em segmentos da Medicina Oral me ajudassem a revisar a tradução e dar maior respaldo a esta para, a seguir, pedir a autorização do Dr. Stoopler para divulgá-la na nossa língua. Quem quiser ajudar na revisão da tradução envie um comentário para este post solicitando a prévia de tradução.

(*) fotografia obtida a pedido da organização do evento.

2 Responses to “5º Workshop Mundial em Medicina Oral – Atuação dos Clínicos no Mundo”

  1. Thanks for send news about 5ht International Oral Medicine Practice. In fact, it’s a complex subject in dentistry, I mean it’s dificult to concept the specialization. I work with special needs patients and in my opinion there isn’t separation between oral/bucal and the entire body.

  2. [...] As revisões e sugestões resultantes dos Workshops têm sido publicadas periodicamente trazendo luz sobre temas de interesse geral. [...]

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