Encontro da Academia Americana de Medicina Oral
Caros leitores,
Peço desculpas pela ausência prolongada, mas os preparativos para a ida ao Encontro da Academia Americana de Medicina Oral, em San Juan, Porto Rico, foram muito exaustivos, assim como a volta. Passaporte, inscrição, estruturação das coisas que ficaram aqui, aviso ao administrador do cartão de crédito, seguro saúde, tickets para as 4 pernas (não há vôo direto para lá) e hospedagem, além de outras pendências que não cabem aqui mencionar.
Chegando a Porto Rico pude ver um misto de país latino com estrutura de país desenvolvido, pois tem um status de “quase” estado americano. Um belo país com um povo bastante acolhedor e simpático, que se não consegue se expressar bem no português, se esforça para aprender noções do nosso idioma. Em geral são bilíngües e falam inglês sem problemas, mas nas rádios dos carros 90% da programação é em espanhol.
Pôr do Sol no mar do Caribe
O Encontro da AAOM foi em Carolina, ao lado do Aeroporto, mas eu me hospedei em Rio Grande, a leste de San Juan, e a 30 minutos de distância do local do evento. Já viram que o aluguel de um carro foi mais uma das pendências que tive que resolver antes da viagem.
Brinde com a esposa no Toro Salao em Old San Juan.
Nós, que moramos no Brasil, e não temos o costume de viajar aos EUA, ou não tivemos a oportunidade de nos pós-graduarmos por lá, temos que passar um tempo nos acostumando a sentar lado a lado e bater papo com gente do quilate do James Little, Martin Greenberg, Sol Silverman, Donald Falace e outros autores de livros que comumente recomendamos em nossos cursos.
Drs. James Little e Donald Falace
Após o deslumbre inicial as diferenças desaparecem e conseguimos ver que nossas dúvidas também são as deles e que a Ciência é um barco que dissipa preconceitos de etnias e nações, aceitando todos que, de boa vontade, entram neste complexo e fascinante mundo.
Lá também estavam palestrando europeus, asiáticos, africanos, australianos e sulamericanos. De nosso continente pude assistir aos Profs Jaime Brahim, peruano, que está na Universidade de Maryland e César Migliorati, brasileiro, da Universidade do Tennessee. Ambos palestraram sobre o atendimento de pacientes com alterações decorrentes do tratamento oncológico, sendo que o primeiro de forma menos direta pois discutiu as osteonecroses mandibulares decorrentes dos bisfosfonatos prescritos pelos diversos serviços médicos, oncológicos ou não.
Prof. César Migliorati
Gostei muito de ver o Dr. James Little ser homenageado pela Academia como um dos mais importantes pesquisadores da história da AAOM. Ele, apesar de sua idade avançada e aposentadoria na Flórida dedicada a pescarias, reserva 4 horas por dia do seu tempo para ainda escrever e estudar sobre a Medicina Oral.
Conversei rapidamente com o Prof. Falace, também um dos autores do livro do Dr. Little, que, como eu, tem grande interesse na Odontologia do Sono. Ele entende que esta área já está bem estabelecida e deveria ser acolhida pela Medicina Oral assim como outras mais consolidadas já o são, como o atendimento de pacientes comprometidos, as doenças da mucosa oral e a dor orofacial.
Em próximos posts vou escrevendo e pontuando outras observações que fiz no encontro. Especialmente sobre o V Workshop Mundial em Medicina Oral, e a ausência quase completa da abordagem direta à Odontologia Hospitalar e aos protocolos de parceria com os serviços de enfermagem nos leitos dos cuidados gerais e intensivos. Outros presentes ao evento fizeram comentários que me transportaram às mesmas questões que tenho aqui conquanto a algumas divergências nos rumos das entidades de classe odontológicas. Tal lá com aqui.
Abraços e Feliz Páscoa a todos.







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