publicidade

Entries Tagged as ''

Como pesquisar temas relevantes pela internet?

Recebi o email abaixo e acho importante reproduzir aqui o diálogo que tive com este estudante, para orientar iniciantes na pesquisa pela internet.

===========

Boa Noite! O meu nome é …. e estudo Medicina Dentária na Universidade …., em Portugal.

Eu e o meu grupo estamos a fazer um trabalho sobre Porphyromonas gingivalis para a cadeira de Microbiologia Oral, e o que encontramos na internet é quase nulo, não dá para fazer um trabalho decente.

Gostaríamos de saber se nos pode ajudar, já que está ligado à medicina oral, fornecendo-nos alguma informação para que o trabalho não seja baseado apenas em informação da internet.

———–

Resposta:

Prezado …,

Sua dúvida é a de muitos estudantes modernos. Será a internet uma fonte confiável de evidências científicas?

A resposta é que depende de onde você procura.

Aconselho a busca na grande biblioteca virtual das áreas da saúde, genericamente conhecida como Pubmed. Ver http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed.

Digitando o nome do microorganismo que você citou e cruzando com periodontitis, por exemplo (podem ser feitos outros cruzamentos para temas específicos), vieram 2158 referências.

Uma das mais recentes é:

Polyphenols from Myrothamnus flabellifolia Welw. inhibit in vitro adhesion of Porphyromonas gingivalis and exert anti-inflammatory cytoprotective effects in KB cells. Löhr G, Beikler T, Podbielski A, Standar K, Redanz S, Hensel A. J Clin Periodontol. 2010.

Certamente existem várias outras, mas clicando em free full texts, vêm 441 referências de artigos que você pode baixar gratuitamente pela internet.

Mais uma dica. Artigos isolados com pesquisas clínicas, por exemplo, não tem o mesmo valor que as revisões sistemáticas ou meta-análises, que pesam o valor de dezenas de artigos isolados. No botão review desta pesquisa, por exemplo, existem 171 revisões (algumas são revisões gerais outras são revisões sistemáticas e/ou meta-análises).

Passo a passo:

1- clique em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed

2- copie e cole “porphyromonas gingivalis and periodontitis” no campo de procura (grifado em azul na imagem abaixo)

   

 

3- agora aperte o botão search (veja seta em vermelho)

4- aperte o botão review (seta amarela)

5- então aparecem, neste exemplo, 171 artigos de revisão para você ver e escolher.

6- alguns destes artigos podem ser obtidos gratuitamente (veja um deles em http://arthritis-research.com/content/pdf/ar3000.pdf, onde uma interessante associação é feita entre este microorganismo e a artrite reumatóide).

Boa sorte.

Mensagem de Fim de Ano

 

Em 1500, a mata Atlântica tinha

mais  de 1 milhão de km2.

Estendia-se por aproximadamente 17

dos atuais estados brasileiros.

Hoje, restam 10%.

 

 

       

 

Um Natal de muita luz e paz,

E um Ano Novo com justiça e conquistas

 para você e todos que ama.

65º Encontro da Academia Americana de Medicina Oral

 

As instituições reconhecidas e valorizadas devem possuir – além do respaldo técnico, científico, administrativo, político e cultural – muita tradição. Pesquisando o termo “Medicina Oral” há a citação de uma histórica recomendação para o ensino da Medicina Oral, nos EUA, em 1926, na Universidade de Columbia. No ano de 1933, Lester Burket, em um trabalho pioneiro escreveu a 1ª edição do livro ”Oral Medicine: Diagnosis and Treatment” (que já está em sua 11ª edição, agora editado por Greenberg e Glick).

Em 1945 foi criada a Academia Americana de Medicina Oral (será que a IIª grande guerra deu motivos?), e em 1947 ocorreu a 1ª reunião anual da AAOM.

No próximo ano, em abril de 2011, haverá a 65ª edição deste encontro, em San Juan de Porto Rico. Acessem o site do evento em (http://www.aaom.com/cde.cfm?event=320661) e vejam como está bem distribuída e variada a programação.

Os que tiverem interesse em participar podem utilizar este post para trocar informações e dicas sobre a ida (hospedagem, cursos, eventos extras ou visitas turísticas pela cidade).

=============

(*) Peço que não deixem de participar da pesquisa de opinião sobre os leitores do site 

Odontologia no controle dos distúrbios respiratórios obstrutivos do sono

Em junho deste ano aconteceu no Rio de Janeiro a reunião anual da Associação Brasileira de Sono. Como é um tema com variadas áreas de interesse participaram médicos (principalmente neurologistas, otorrinolaringologistas, pneumologistas e psiquiatras), dentistas, psicólogos, fisioterapeutas e técnicos de laboratórios de sono que fazem exames como a polissonografia.

A Odontologia foi privilegiada com um simpósio com a duração de um dia inteiro onde foram apresentados dados e evidências favoráveis a participação do Cirurgião Dentista na prevenção e controle do ronco, da hipopnéia e da apnéia do sono (SAHOS), e concomitantemente nas suas consequências como superficialização do sono, fadiga e sonolência diurna, deficiências cognitivas e de memorização, depressão e alterações autonômicas e metabólicas.

A atuação do CD se baseia primeiramente na prevenção onde se detectam, durante a infância e adolescência, falhas no desenvolvimento ortopédico do complexo maxilofacial que futuramente causarão prejuízo à função respiratória. O tratamento será predominantemente ortodôntico ou ortopédico, e cirúrgico se houver indicações ortognáticas para tal.

No adulto a avaliação odontológica sempre deverá seguir uma avaliação médica onde se classifica o distúrbio do sono. Se o componente respiratório do trato aéreo superior for predominante há necessidade de avaliação otorrinolaringológica e, descartando-se essa possibilidade diagnóstica, pode recair sobre o Cirurgião Dentista a responsabilidade do tratamento.

A ressalva é feita pois casos onde há severas alterações respiratórias obstrutivas noturnas devem ser controlados com um dispositivo de pressão positiva de oxigênio (CPAP ou BIPAP). A indicação de aparelhos intraorais (AIO) nestes casos, onde há até mesmo o risco de morte súbita, além de não ser efetiva, pode protelar ou dificultar a adesão ao uso do CPAP. Cabendo então ao médico, e não ao CD, a decisão sobre a terapia adequada.

As SAHOS leve e moderada, além do ronco primário (onde não há a apnéia) podem ter a indicação de uso do AIO. Os tratamentos conservadores, como a confecção dos AIO para avanço mandibular ou de retenção e tracionamento lingual, sempre deverão preceder indicações cirúrgicas, mas há casos onde também estas poderão ser indicadas.

n

O dentista deve tratar ronco e apneia do sono sem a avaliação médica prévia?
View Results
==================
(*) Próximo Congresso Brasileiro de Sono (2011).

 

 

 

 

Pesquisa de opinião dos leitores do site

   Visando maior troca de opiniões entre os leitores (profissionais e acadêmicos) do blog, e para adequar o conteúdo do site aos interesses dos participantes, envio abaixo uma pesquisa de opinião bem básica, que deve levar menos de 1 minuto para ser respondida. Conto com a colaboração de todos para preencher corretamente as respostas.

   Os resultados serão exibidos após algum tempo de permanência da pesquisa no ar, mas os dados individuais são sigilosos não sendo divulgados.

   Obrigado,

=========================

Reunião do GMOH-RJ em dezembro_2010

ATA DA REUNIÃO DO GMOH-RJ e Comissão de Odontologia Hospitalar e Medicina Oral do CRORJ

Rio de Janeiro, 01 de dezembro de 2010

Na última quarta feira foi realizada a última reunião do GMOH-RJ no ano. Inicialmente o Prof. Flávio Merly (Mestre em Estomatologia, Chefe de Clínica em CBMF no HFSE-RJ/MS e Professor de Diagnóstico Oral - UFF) apresentou a palestra “Uso racional dos antibióticos em Odontologia”, um tema da maior relevância em vista do uso indiscriminado, e sem base científica, dos antibacterianos entre os CDs brasileiros.

A falta de preparo para a prescrição e a liberdade que os pacientes têm para adquirir estes fármacos também levou a ANVISA, esta semana, a obrigar os Médicos e CDs a preencherem uma receita controlada com cópia a ser retida pelas farmácias e drogarias. Uma medida extrema para evitar situações sérias como a dificuldade em se tratar infecções pelo aumento da resistência dos microorganismos aos antibióticos usados, no Brasil, sem cautela e comedimento.

Devido à importância do tema, eloquência do palestrante e interesse da platéia, a aula, que estava programada para 40 minutos, estendeu-se por quase duas horas, o que por um lado serviu de aprendizado a todos que não se encontravam atualizados no tema, mas por outro dificultou a retomada da discussão a respeito da normatização da Odontologia Hospitalar e Medicina Oral, como combinado na última reunião.

Após a palestra, na segunda atividade do encontro, foi apresentada uma resposta do CREMERJ a uma indagação sobre a legalidade do uso do termo “Medicina Oral” pelos CDs como área da Odontologia e pela interpretação que poderia dar a entender que seria uma atividade exclusiva e direcionada à Medicina (veja aqui questionamento enviado ao CREMERJ).

  A resposta veio com o seguinte texto:

“Prezado Dr. Paulo,

esclarecemos que conforme Resolução CFM nº 1.845/2008,  não existe a denominação “medicina oral” como especialidade ou área de atuação.

Cordialmente,

Comissão Disciplinadora de Pareceres do CREMERJ – CODIPAR”

A resposta foi considerada pelos colegas presentes como pragmática e não desfavorável ao uso do termo Medicina Oral pelo nosso grupo. O CREMERJ enviou uma resposta padrão alegando que a Medicina Oral não consta no rol de especialidades da Medicina. Não emitiram juízo sobre esta área ser da competência do médico em outras especialidades já reconhecidas, ou ser ou não possível o uso desta expressão pela Odontologia (vejam o link da Resolução do CFM citada na resposta), o que nos deixa a vontade para utilizar o termo Medicina Oral sem nenhuma aparente ilegalidade, nem infração ética.

Foi apresentada uma série de exemplos internacionais do uso do termo Medicina Oral ou similares (nos EUA, Canadá, Inglaterra, Portugal, Austrália, China, Índia além de vários outros países europeus) pela Odontologia, para a atuação do CD no paciente especial, no controle das lesões estomatológicas, na periodontia, na dor orofacial e no próprio ambiente hospitalar, o que tornam injustificáveis quaisquer críticas de uso inapropriado do termo.

Em seguida foi apresentada, a fim de melhor definir a grade curricular da futura Capacitação, uma lista de atribuições a ser exigida do CD capacitado a atuar na Odontologia Hospitalar e Medicina Oral, que será votada na próxima reunião de janeiro:

PROPOSTA DE ATRIBUIÇÕES

         Atendimento odontológico hospitalar de pacientes especiais e/ou com comprometimento sistêmico em ambulatórios, centro cirúrgico, enfermarias e unidades de terapia intensiva;

         Atendimento odontológico  em atenção básica, média complexidade e domiciliar aos pacientes com comprometimento sistêmico;

         Realizar procedimentos em pacientes sedados ou sob anestesia geral;

         Atuar baseado em protocolos de atendimento que tenham comprovada eficácia e menor chance de riscos aos pacientes;

         Preparo odontológico de pacientes para cirurgias (e.g. cardíacas, oncológicas e transplantes);

         Investigação diagnóstica, nos diversos níveis de atuação, de doenças bucofaciais de interesse odontológico, através de pedidos de exames de imagem, laboratoriais, biópsias e de pareceres interdisciplinares;

         Preparo adequado para atuação em emergência médica durante o tratamento odontológico;

         Habilidade em prescrever medicamentos, para pacientes com múltiplas morbidades e em uso de fármacos para problemas sistêmicos, nas diversas vias de administração possíveis, visando o tratamento odontológico;

         Promover a manutenção de um meio ambiente oral adequado estimulando a higienização bucal e capacitando equipes auxiliares e/ou cuidadores para identificação dos problemas e realização da limpeza oral com métodos mecânicos, antissépticos, lubrificantes ou outros adjuvantes.

         Capacidade de se comunicar adequadamente com os profissionais de saúde de forma a estimular a interdisciplinaridade para prover adequado suporte ao atendimento, estabelecer vínculos de cooperação e oferecer as melhores condições de estadia do paciente hospitalar.

         Estar preparado para lidar com a rede de atendimento do SUS, desde a atenção básica, média até a alta complexidade, para participação conjunta no processo decisório do atendimento odontológico ao paciente com comprometimento sistêmico.

Logo após foi sugerido que um grupo se incumba de finalizar o projeto de Capacitação Oficial para a MOOH quanto às disciplinas a serem incluídas, carga horária mínima teórica e prática, locais para atividades teóricas e práticas, critérios de admissão para a Capacitação Oficial, modalidade de avaliação e escolha dos professores, preceptores e coordenadores.

Em relação ao próximo encontro do Grupo, foi acordada a data de 12 de janeiro de 2011 para sua realização, quando se concluirão as propostas de regras para a Capacitação Oficial em MOOH. As atividades se iniciarão às 18:00hs.

Por aprovação geral foi confirmado o CFO como sugestão de entidade com autoridade para exercer a função de normatização da área da MOOH, sendo recomendada a criação de uma Comissão de MOOH para auxilio da entidade nesta obrigação.

Foi apresentada ao Grupo a Profa. Marília Ribeiro Vilela, especialista em Odontologia Legal (OL) e Coordenadora Pedagógica da Especialização em OL na ABO-Niterói. Ela se propôs a ser mais uma referência na área jurídica para suporte das ações do GMOH-RJ, objetivando a manutenção da legalidade nas atividades e objetivos do grupo.

Ao fim, foi informada ao grupo a confirmação do dia e horário para a realização do Consenso sobre a Normatização da MOOH no XX CIORJ. Sendo orientado a todos que divulguem o encontro para finalização das discussões e envio ao CFO de um documento respaldado por várias entidades representativas da classe odontológica brasileira (ver abaixo).

 

XX CIORJ –  julho de 2011

Dia 20 (quarta-feira), 09:00 às 14:00

I CONSENSO BRASILEIRO DE ODONTOLOGIA HOSPITALAR E MEDICINA ORAL

TEMA: Normatização da Odontologia Hospitalar e Medicina Oral no Brasil

Reconhecimento vindo de São Paulo

O comentário abaixo veio de um Colega Paulista, o Dr. Marcelo M. Ceccheti,  e, por traduzir o que também penso e concordo, reproduzo abaixo:

=================

Prezado Dr. Paulo:

Elogio seu esforço pessoal nessa empreitada da criação da MOOH como especialidade reconhecida, quase uma luta contra moinhos pelo Don Quixote…

Acredito e sei por experiência própria (trabalho no HCFMUSP) que somente uma residência que congregue conhecimentos de estomatologia, patologia, CTBMF, pacientes especiais, odontogeriatria, periodontia, dor orofacial, clínica médica, hematologia, reumatologia, anestesia e das disciplinas básicas (fisiologia, bioquímica, anatomia, genética e embriologia) pode resultar na formação de um profissional competente e resolutivo que resgate o devido reconhecimento da classe, perdido ao longo do tempo, devido a inúmeras insurgências da medicina e descasos de nossos próprios colegas de gerações anteriores, preocupados com o lucro fácil e imediato.

Qualquer outra maneira, como cursos rápidos, somente perpetua o imediatismo inócuo e agrava ainda mais o problema do fragmentarismo do conhecimento e da baixa qualidade dos profissionais formados.

Meus parabéns.