O que a Medicina do Sono tem a ver com a Odontologia?
Nada foi tão protelado pela ciência médica quanto o estudo sobre o que se passa em aproximandamente 1/3 do tempo de nossas existências. O sono era uma espécie de “lado oculto da lua” para os médicos e pacientes e tudo o que se relacionava a esta importante atividade fisiológica era subavaliado. De uns 20 anos para cá a Medicina do Sono tem dado um salto de valor qualitativo e quantitativo que tem propiciado aos terapeutas e clientes curas de quadros patológicos e descoberta de associação entre os distúrbios do sono com outras doenças como diabetes, depressão, hipertensão arterial sistêmica, doenças autoimunes, reumatológicas (e.g. fibromialgia) e psiquiátricas.
(*) A publicação do vídeo acima foi autorizada pelo autor.
Na Odontologia estes conhecimentos tem ajudado a orientar condutas diagnósticas e terapêuticas em algumas áreas, como a dor orofacial e disfunções têmporomandibulares, especiamente quando relacionadas ao bruxismo noturno, mialgias e dor crônica. As síndromes de apnéia e ronco também tem favorecido e realização de alguns procedimentos odontológicos em situações específicas, quando placas de avanço mandibular melhoram o fluxo aéreo no trato respiratório superior.
Mas outras áreas da Odontologia parecem ainda não estar antenadas sobre essa importante associação fisiopatológica que pode estar por trás de doenças estomatológicas ou periodontais.
Perguntei à Dra. Luciana Teles, periodontista formada pela PUC do Rio de Janeiro, e parece não haver ainda qualquer valorização do sono como possível fator contribuinte das doenças periodontais.
Importante lembrar que o sono ajuda na regulação da atividade neurológica do SNC e sua privação pode desencadear alteração de mecanismos endócrinos, imunes e circulatórios. Porque não poderíamos, por exemplo, ter a participação do sono na renovação epitelial da mucosa oral? Na resposta inflamatória à imensa carga microbiológica oral? Ou até na produção e qualidade da saliva (afinal também é controlada pelo sistema neurovegetativo)?
Fica então a dica para os cientistas e clínicos da Medicina Oral.



Sou apenas um estudante, mas vi muitas coisas a respeito da odontologia do sono. Gostaria de perguntar a você, Dr. Paulo Pimentel se ela se encaixa também como medicina oral ou se são só essas mesmas, citadas no site.
Olá Eduardo,
Afora as situações citadas acima (veja que o comentário sobre a Periodontia é apenas uma especulação minha), acredito que a aferição da respiração bucal noturna, e a observação da função mandibular com o uso de aparelhos noturnos (de vários tipos) possam ser auxiliados com a polissonografia.
Mas certamente devem existir outras possibilidades diagnósticas e terapêuticas que irão surgir com as novas pesquisas e ensaios clínicos.