O Dentista brasileiro é preparado para prescrever medicamentos corretamente?

    A utilização de medicamentos em Odontologia segue os mesmos princípios do uso de fármacos na Medicina. Todas as drogas que tenham algum efeito benéfico sobre as condições bucofaciais podem e devem ser prescritas pelo CD, mas isso exige deste profissional o conhecimento pleno dos efeitos que essas substâncias provocarão no paciente.

    Assim, não só efeitos positivos almejados serão obtidos, pois a ação da droga seguirá os caminhos da absorção, biotransformação, distribuição até chegar ao órgão alvo e finalmente a eliminação. E em todo esse processo produzirá compostos e afetará a função do fígado, sangue e todos os órgãos até sua excreção pela urina, fezes, suor, expiração, lágrima e saliva.

    Não seria importante que o CD conhecesse todo esse processo a fundo? Existe alguma justificativa para que o tempo de estudo da farmacologia, fisiologia e bioquímica seja menor que o aplicado aos futuros médicos? Não seria importante que o CD tivesse uma formação básica em Clínica Médica para melhor compreender o efeito das drogas nos órgãos por onde passa?

    Além disso, existem os efeitos colaterais, reações adversas e interações medicamentosas. É justo que uma droga prescrita pelo CD provoque um efeito colateral e que o tratamento deste efeito tenha que ser controlado pelo médico? Por exemplo, é fato conhecido que os opióides são causadores de constipação intestinal. Então ao administrar esse medicamento para o controle de uma dor severa o CD deverá encaminhar o paciente ao gastroenterologista para monitorar sua evacuação? Outro exemplo, um paciente idoso que utilize várias medicações precisará sempre levar nossa receita para o médico autorizar seu consumo? Um alergista deve receber nosso paciente que apresentou coceira após o uso de antiinflamatórios?

    Foi pensando nessas situações clínicas rotineiras que elaborei esta enquete sobre a competência do CD para administrar drogas. Eu aqui não estou digitando para os que se contentam em prescrever dipirona, diclofenaco e amoxacilina. Talvez umas 6 horas de treino na faculdade possam permitir que essas três drogas sejam prescritas sem maiores problemas (se bem que mesmo estas três também causem efeitos colaterais e tenham interações). Penso sim no CD que atue em Odontologia de forma plena, utilizando conscientemente a Medicina Oral como base de suas ações, mesmo na clínica odontológica básica.

    E penso ainda no CD que quer expandir seus horizontes e exercer, por completo, a CTBMF, a estomatologia, atender pacientes com comprometimento sistêmico, idosos, grávidas, crianças e prescrever estabilizadores de membrana, opióides, tricíclicos, miorrelaxantes e ansiolíticos como se faz diarimente no controle das dores orofaciais complexas.

    Peço que os 40% que até hoje votaram “sim” reflitam sobre quais faculdades brasileiras preparam adequadamente o CD para todas essas situações, oferecendo inclusive internatos hospitalares para a sedimentação do conhecimento.

    Aceito todas as críticas pertinentes e também as manifestações de apoio dos que entenderam a enquete e querem fazer alguma coisa para mudar esta incoerência.n

O Dentista brasileiro é preparado para prescrever medicamentos corretamente?
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7 Responses to “O Dentista brasileiro é preparado para prescrever medicamentos corretamente?”

  1. Não é prescrito por dentistas mas os médicos e laboratórios deviam saber que os bifosfonatos tem efeitos colaterais. Vejam o texto, em ingês, extraído da sobelist no link http://medicinaoral.org/blog/wp-content/uploads/2009/09/high-stakes-for-merck-in-litigation-on-fosamax.pdf sobre os processos judiciais americanos contra a Merck que vende o fosamax sem alerta sobre a necrose de mandíbula.

  2. Bom Dia
    Vocês estão de parabéns com esta iniciativa, graças a Deus na minha faculdade esta disciplina foi muito bem aplicada e os professores sempre nos incentivaram a conhecer vários medicamentos e como, quando e porque prescrevê-los. Mas nunca é demais nos manter atualizados. Não se esqueça de incluir nesta nova grade os fitoterápicos.

  3. Parabéns para você e para sua faculdade.
    Quanto aos fitoterápicos, devem obedecer aos mesmos cuidados que os medicamentos industrializados na sua utilização.

  4. Concordo plenamente! Embora tenha tido excelentes professoras de Farmaco e Fisio, grande parte do conhecimento que possuo hj nestas matérias foi através de muito estudo pro conta própria, e percebo que muitos colegas têm extrema falta de domínio sobre as mesmas.
    Parabéns pelo site!
    abraços!
    Bispo.

  5. Prezado Dr. Paulo,
    Entendo que o conhecimento para prescrição de AINES, Analgésicos e Antibióticos, não deveria ser ministrado em cerca de 6hs, também entendo que avaliar o conhecimento de uma classe, a partir de experiências pontuais que possam ter cruzado o seu caminho, é no mínimo leviano e grosseiro, não esquecendo a falta de dados estatísticos que comprovem suas afirmações. Se nã vejamos, existem trabalhos que concluem, que os médicos, em sua maioria, prescrevem a partir das visitas dos representantes de laboratório e jamais frequentam cursos de atualização em farmacologia.

  6. Olá Dra. Carla,
    Este é um espaço democrático e aberto para colegas que queiram expor suas opiniões, mas, como no mundo real, a etiqueta deve ser sempre respeitada.
    Não acho que eu tenha sido leviano ou grosseiro, afinal sou um CD atuante, formado no Brasil e em dia com a situação acadêmica da Odontologia.
    Assim, sei que se os dentistas brasileiros tem uma formação em farmacologia bem menor que a Médica e muito pouca base de fisiologia, patologia e clínica médica.
    Isso é reflexo da opinião corrente que o Dentista deve ter a formação mais rápida possível, impedindo o aprofundamento nessas áreas, que segundo o modelo atual, não são tão importantes para os Dentistas em comparação aos Médicos.
    Eu discordo totalmente dessa visão, especialmente se o CD for se dedicar às áreas da Medicina Oral. Então a falta de preparo é mais visível e a necessidade de qualificação adicional uma obrigação.
    Sobre os estudos que você citou, não lembro de nenhum que mostre a insuficiência do CD brasileiro em relação ao Médico sobre os conhecimentos de farmacologia e outras áreas básicas do conhecimento médico. Mas este empirismo de minha parte pode muito facilmente ser testado e comprovado. Mais uma vez, não vejo deselegância nenhuma nisso.
    Sobre os médicos que só prescrevem o que os representantes sugerem, isso é um problema da Medicina.

  7. É de grande importância a atuação do cirurgião dentista na UTI, mas de mesma importância é a atuação do cirurgião no auxílio e prevenção dos efeitos causados durante a radioterapia. Através da adequação do meio bucal prévio e as orientações de higiene e flúorterapia. Acredito que com a união de nossa classe lutanto por esses interesses poderemos alcança-los.

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