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Considerações sobre terapia anticoagulante em Odontologia

   O tratamento com anticoagulantes orais tem sido usado à anos e mostra comprovada eficácia na profilaxia primária e secundária das doenças tromboembólicas. Se estima que 1,5% dos pacientes odontológicos recebam anticoagulantes orais e que 5% das pessoas com mais de 70 anos apresentem fibrilação atricular, sendo necessária a terapia anticoagulante indefinidamente.

    Os medicamentos empregados para este fim têm uma farmacologia complexa e uma estreita faixa terapêutica com riscos significativos de episódios hemorrágicos, tumefações por infiltração anestésica odontológica e disfagia. E também possíveis dificuldades respiratórias ou fenômenos tromboembólicos ante um controle inadequado.

    Interessante artigo sobre este tema pode ser obtido na página (o texto é em espanhol mas é muito fácil de entender):

http://canaldental.com/fichaest.php?id=65&origennot=3

    No Serviço de Odontologia do HSE temos usado o Sonis (Secrets) como referência. Quem tiver interesse pode enviar comentário pedindo download do resumo do capítulo sobre Terapia Anticoagulante.

Questionário de Saúde nos países europeus - Baseado na Classificação ASA

O questionário de saúde é uma ferramenta importante do ponto de vista profissional, ético e legal. Permite a avaliação geral do paciente otimizando as perguntas sobre o estado da doença atual e história médica pregressa. Orienta a elaboração de um plano de tratamento baseado em situações médicas específicas. É um documento legal para ser anexado ao prontuário do paciente confirmando a sua execução prévia e servindo de garantia para situações onde o paciente omite informações.

O CFO disponibiliza o prontuário odontológico com um questionário de saúde em seu site - http://www.cfo.org.br/download/pdf/prontuario_2004.pdf. Algumas citações do documento são relevantes para este post:

ROMANO et al (2000): “relatam que ao chegar ao consultório o paciente traz um histórico de saúde desconhecido pelo Cirurgião-Dentista. Informa que através da anamnese se pode identificar as doenças crônicas que requererão cuidados específicos as quais poderão interferir na condução do tratamento odontológico.”

SILVA (1999) “mesmo em um consultório em que o movimento é intenso, não poderá o profissional descuidar da anamnese, devendo nestes casos adotar um questionário que será preenchido pelo paciente e, quando ocorrer o contato com o profissional este procederá ao aprofundamento necessário sobre as questões relativas à saúde do paciente.”

SILVA; LEBRÃO; BLACKMAN (2001): “verificaram a qualidade dos registros dos hospitais do setor público da cidade de São Paulo e constataram que os Cirurgiões-Dentistas, responsáveis pelos atendimentos hospitalares, estão relegando ao segundo plano o preenchimento dos prontuários, ao mesmo tempo em que enfatizam ser o diagnóstico completo e detalhado, com as causas externas das lesões descritas, uma retaguarda fundamental para assegurar às pessoas atendidas o direito à cidadania.”

O questionário de saúde sugerido é apresentado na página 28 e mostra as tradicionais perguntas sobre a anamnese que conhecemos desde a faculdade.

No mês de maio foi publicado uma pesquisa multicêntrica sobre a utilização de um questionário de saúde baseado na classificação ASA (da Associação Americana de Anestesistas). A importância deste documento em relação ao que normalmente usamos (baseado no do CFO) é o dimensionamento dos problemas quanto ao risco de emergências ou intercorrências médicas. Do ponto de vista técnico, científico e até jurídico vale a pena utilizar este questionário também por ter sido validado em 10 países europeus.

O abstract pode ser baixado no Medline. O nome do artigo em Inglês: A patient-administered Medical Risk Related History questionnaire (EMRRH) for use in 10 European countries (multicenter trial) do jornal 5 oral. Para quem não tem experiência no uso do Medline basta copiar e colar este título na barra de procura e teclar enter. Depois clicar no texto para abrir a janela do Abstract e ler o resumo.

Como atividade do Curso de Medicina Oral e Odontologia Hospitalar tenho incentivado a tradução de textos científicos recentes. A Dra. Antoinette Góes, aluna do curso, interessou-se pela tradução deste grande e difícil texto. Nesta tradução completa do artigo há também o texto para aplicação do questionário baseado na classificação ASA. Quem tiver interesse no Download pode mandar uma mensagem para o campo comentário deste post que eu envio sem custos.

Enviei para o Prof. Luzi Abraham-Inpijn, MD, PhD da Univ. de Amsterdam o pedido de autorização para a tradução do questionário para o português visando sua aplicação no Serviço de Odontologia do Hospital dos Servidores do Estado

Especialização em Dor Orofacial na UFRJ

Clique na imagem para melhor visualização

Atuação do Cirurgião Buco-Maxilo-Facial (Traumas de Face)

Após as lesões faciais sofridas pelos jogadores de futebol Renato Augusto (Flamengo) e Dodô (Fluminense) fiquei intrigado com a notícia divulgada pela imprensa de que seus tratamentos haviam sido realizados por um Médico. Procurei a internet  para saber sobre a especialidade do Cirurgião e encontrei seu nome vinculado ao Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Municipal Miguel Couto (no Rio de Janeiro).

Causou-me estranheza maior o fato da cirurgia do atleta Renato Augusto, realizada para recolocação do osso zigomático (malar) em sua posição original, ter sido feita por acesso direto por sobre o arco zigomático.

Renato Augusto antes:

 

Renato Augusto depois:

 

Eu não sabia sobre esta área de atuação da Otorrinolaringologia na região Buco-Maxilo-Facial. Perguntei aos meus colegas se isso era comum e ouvi deles a assertiva de que a área da Buco-Maxilo (onde atuam Dentistas com formação cirúrgica) tem sido explorada também por profissionais da Medicina (ORL, Cirurgia Plástica, Cabeça e Pescoço e a Crânio-Maxilo).

Eis que hoje, ao pesquisar no site do Colégio Brasileiro de CTBMF, encontro um ofício do Presidente deste Colégio ao Conselho Federal de Odontologia relatando sobre a interferência da Medicina nesta área. Texto completo em http://www.bucomaxilo.org.br/index.php?go=not_exi&seq=208&PHPSESSID=4e49f69c873596e0ba352ebb433db39f.

Nele é citada a área de atuação da Buco-Maxilo em traumas:

* Fraturas da parede anterior do seio frontal
* Fraturas dos ossos próprios do nariz
* Fraturas naso-etmoido-orbitárias
* Fraturas do complexo zigomático (osso zigomático e arco zigomático)
* Fraturas da cavidade orbitária
* Fraturas da maxila em seus níveis de Le Fort I, II e III
* Fraturas da mandíbula
* Fraturas alvéolo-dentárias
* Ferimentos dos tecidos moles”
“Parágrafo único: Para esse tratamento o cirurgião buco-maxilo-facial pode efetuar os acessos cirúrgicos necessários, inclusive o acesso bicoronário”.

E, em uma declaração, a meu ver, bombástica o Dr. Mario Francisco Real Gabrielli cita:

“Apesar do grande progresso das últimas três décadas, entretanto, nunca corremos tanto risco de perder essa grande especialidade odontológica. Isso se deve a quatro coisas principalmente:
a) Os trabalhos de ponta e alta qualidade dão visibilidade à especialidade
b) Especialidades médicas desejam retomar espaços que consideram ter perdido ou que nunca tiveram
c) Há pressão por mercado de trabalho
d) Há grande corporativismo envolvido”

Ou seja, a preocupação quanto aos destinos desta especialidade não são só minhas. Creio que a Medicina e a Odontologia brasileira (CFO e CFM) deveriam entrar em um acordo quanto a estas áreas de confluência, para que, não só as classes se sintam satisfeitas, mas também os pacientes.

Simpósio: Atendimento Odontológico ao Paciente com Comprometimento Sistêmico

1. Atendimento odontológico ao paciente diabético - Prof. Carmelo Sansone
2. Atendimento odontológico ao paciente com doença renal - Profa. Maria Cynésia Torres
3. Atendimento odontológico ao paciente transplantado - Profa. Sandra Regina Torres
4. Atendimento odontológico ao paciente soropositivo - Profa. Márcia Romanach
5. Atendimento odontológico ao paciente cardiopata - Prof. Leandro da Silva Torres
. Data: 13/06/08
. Professor: Arley Silva Junior.
. Horário: 13 às 18:30 horas
. Local: Auditório do CRO-RJ - Rua Araújo Porto Alegre, 70 - 5º andar - Centro
. Inscrições: CRO-RJ (21) 3505-7633 - Ramais: 7633 / 7642 / 7603
. Parceria: CRO-RJ / Espaço Lacer.
. Contribuição: duas latas de leite em pó.
Inscrições on line